A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou para cima sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2024 de 2,4% para 3,4%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) no Informe Conjuntural do 3º Trimestre. Para 2025, a expectativa é de um crescimento em torno de 1%.
O ajuste reflete o desempenho positivo da economia no primeiro semestre, que superou as previsões iniciais, e a manutenção dos fatores que impulsionam o crescimento, como o aumento do consumo das famílias, maior oferta de crédito e os gastos públicos.
Mário Sérgio Telles, superintendente de economia da CNI, explicou que o desempenho econômico no primeiro semestre foi acima do esperado, com setores-chave como serviços e indústria mostrando sinais de recuperação consistente. Ele também ressalta que a comparação com um segundo semestre mais fraco de 2023 ajuda a elevar as expectativas para o final deste ano.
Indústria deve crescer 3,2% em 2024
No setor industrial, a CNI revisou a expectativa de crescimento do PIB da indústria de 2,3% para 3,2% em 2024. Entre os segmentos que se destacam, a indústria de transformação deve avançar 2,8%, após registrar queda de 1,3% em 2023.
Esse avanço é atribuído à maior demanda por bens industriais, o que inclui produtos como maquinário e equipamentos. A indústria da construção, beneficiada por programas como o Minha Casa, Minha Vida, também deve ter um desempenho positivo, com alta prevista de 3,7%.
A indústria extrativa deve crescer 3,1%, enquanto o segmento de eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos deve subir 3%. No entanto, o setor agropecuário deve registrar retração de 3% em 2024, impactado pela queda na produção vegetal, afetada por condições climáticas adversas e pela influência do fenômeno El Niño.
Expansão do crédito e Selic impactam o crescimento do PIB
O relatório também aponta que o mercado de trabalho aquecido e a expansão do crédito têm sustentado o crescimento do consumo das famílias, fator essencial para a recuperação econômica. A taxa de desemprego deve se manter em 6,9% até o final do ano, enquanto a massa salarial deve crescer 7,4%. A Formação Bruta de Capital Fixo — que mede o volume de investimentos — deve aumentar 5% em 2024, sinalizando maior confiança no futuro econômico.
Por outro lado, a CNI alerta que os efeitos da alta da Selic, atualmente em 10,75% ao ano, deverão ser sentidos com maior intensidade em 2025. O Banco Central ainda deve promover novos ajustes na taxa de juros, com projeção de encerramento de 2024 em 11,25%. Esse movimento pode impactar o crédito e o consumo no próximo ano.
Desempenho do setor de serviços e finanças públicas
O setor de serviços, que representa a maior parte do PIB brasileiro, também deve crescer 3,5% em 2024, mantendo a tendência de alta observada no primeiro semestre. A expectativa é de que esse setor continue a ser o maior motor de crescimento da economia.
A CNI prevê ainda que os gastos públicos devem continuar crescendo, mas a um ritmo mais lento no segundo semestre, contribuindo menos para o aquecimento da demanda. A expectativa é que o governo federal registre um déficit primário de R$ 51,1 bilhões, equivalente a 0,44% do PIB. A entidade ressalta que a contenção de gastos ajudará a reduzir a pressão inflacionária e melhorar as contas públicas no longo prazo.











