O dólar fechou em alta de 0,86%, a R$ 6, nesta quarta-feira (12). A moeda americana chegou a registrar máxima de R$ 6,0487 durante o dia, refletindo a piora nas expectativas fiscais no Brasil e um cenário externo de fortalecimento da moeda americana
A volatilidade foi influenciada por ajustes técnicos e pela pressão de fatores locais e internacionais. Pela manhã, o dólar chegou a cair para R$ 5,8681, mas reverteu o movimento à medida que os investidores digeriam as negociações sobre o pacote fiscal no Congresso e o impacto de novas mudanças nos projetos apresentados pelo Ministério da Fazenda.
Fatores internos aumentam o risco fiscal
A falta de clareza sobre a aprovação do pacote fiscal proposto pelo governo impactou diretamente a percepção de risco do mercado. Fontes afirmaram que alterações nas medidas envolvendo benefícios assistenciais e créditos tributários podem reduzir a efetividade do plano.
Em entrevista ao Estadão Broadcast, o economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa, disse que “o mercado reagiu ao tom mais duro do Copom, mas o desconforto fiscal permanece como um desafio estrutural”.
O risco fiscal também influenciou os juros futuros, que subiram significativamente, especialmente os contratos mais longos, atrelados à percepção de incertezas econômicas de longo prazo.
Cenário externo: dólar global e Treasuries pressionados
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes, apresentou alta, alcançando 106,96 pontos. As taxas dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) subiram após dados acima do esperado da inflação ao atacado nos Estados Unidos, reforçando a expectativa de manutenção de uma política monetária restritiva no país.
Esse contexto global levou a uma valorização generalizada do dólar, penalizando moedas de países emergentes e exportadores de commodities, como o real.
Ação do Banco Central e juros altos no Brasil
O Banco Central realizou dois leilões de linha, totalizando US$ 4 bilhões, para atender à demanda sazonal por dólares no final do ano. No entanto, a intervenção não foi suficiente para conter o avanço da moeda americana.
Ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic em 1 ponto percentual, para 12,25% ao ano. Apesar da medida reforçar a atratividade do real em operações de carry trade (explorando diferenças de juros entre países), o mercado considera que os riscos fiscais prevalecem e limitam o efeito da política monetária.











