O Ibovespa encerrou o último pregão em queda livre, despencando 3,15%, próximo de perder o nível dos 120 mil pontos, acompanhando o pessimismo do mercado financeiro diante da desvalorização do real e da alta global do dólar.
O índice segue pressionado pelas incertezas fiscais no Brasil, enquanto o dólar se aproximou dos R$ 6,30, registrando alta de quase 3% no dia.
Se você quer saber tudo sobre as repercussões nos mercados e as perspectivas para o Ibovespa após o pregão marcado por quedas, acompanhe agora o podcast Café do Mercado desta quinta-feira (19), uma produção do Monitor do Mercado, apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual.
O episódio de hoje já está no ar, nas principais plataformas de podcasts. Basta clicar na sua plataforma preferida para ouvir: Spotify; Deezer; Amazon Music; Podcasters. Ou ouça clicando abaixo:
Segundo Rocco, o movimento do mercado é reflexo direto de desequilíbrios na economia brasileira. “A desvalorização da moeda reflete problemas internos graves. O real foi a moeda que mais perdeu valor globalmente ontem, mostrando que nossa política fiscal e econômica está desalinhada”, afirmou o CEO da Wiser.
Os pilares do real e a pressão fiscal
Rocco destacou os três pilares que sustentam a estabilidade do real: meta de inflação, câmbio flexível e superávit fiscal. Segundo ele, quando esses fundamentos não são respeitados, a moeda tende a perder valor, como está acontecendo.
“A meta de inflação exige juros elevados para conter a alta de preços. O câmbio flexível, por sua vez, permite que o mercado ajuste o valor do dólar, mas o pilar mais sensível é o superávit fiscal. Sem controle de gastos, não há equilíbrio econômico, o que desestabiliza o mercado e afasta investidores”, explicou.
Cortes de gastos enfrentam resistência no Congresso
Outro ponto levantado por Rocco foi a dificuldade de avanço do pacote de corte de gastos no Congresso. Ele criticou a retirada de medidas importantes, como o corte de supersalários e a limitação de benefícios públicos.
“Os parlamentares estão desidratando o pacote, retirando gatilhos necessários para o ajuste fiscal. Isso compromete a credibilidade do governo e transfere o ônus da irresponsabilidade fiscal para os contribuintes”, apontou o CEO.
Influência externa agrava o cenário interno
A alta global do dólar também contribuiu para o movimento de desvalorização do real. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve indicou que os cortes de juros esperados para 2024 podem ser menos intensos, fortalecendo a moeda americana.
No entanto, Rocco enfatizou que o principal problema está no Brasil. “Apesar do cenário internacional, o real se destacou negativamente. Nossa política fiscal e econômica precisa de ajustes para podermos recuperar a confiança do mercado”, concluiu.











