Recentemente, um navio cargueiro transportando 900 veículos da montadora chinesa GWM chegou ao porto de Vitória, marcando um importante passo na expansão da empresa no mercado brasileiro. O navio, que partiu de Xangai em março, trouxe modelos da linha Haval H6, conhecidos por sua popularidade no segmento de utilitários esportivos. Além disso, o cargueiro trouxe o Tank 300, um utilitário off-road híbrido que foi lançado no Brasil no início deste mês.
A GWM, uma das principais montadoras chinesas, tem registrado um crescimento significativo no Brasil. No primeiro trimestre de 2025, a empresa vendeu 5.767 unidades do Haval H6, superando modelos tradicionais como o Renault Duster. Este desempenho destaca a crescente aceitação dos veículos chineses no mercado brasileiro, impulsionada por características como inovação tecnológica e eficiência energética.
Qual é o impacto da nova fábrica da GWM em Iracemápolis?

A montadora está se preparando para abrir uma nova fábrica em Iracemápolis, São Paulo, adquirida da Mercedes-Benz em 2021. A unidade está em fase final de preparação e deverá iniciar a produção do Haval H6 em maio de 2025. Em uma segunda fase, a fábrica também produzirá uma nova picape, ampliando o portfólio da GWM no Brasil.
Essa iniciativa faz parte da estratégia da GWM de fortalecer sua presença no mercado brasileiro e atender à crescente demanda por veículos híbridos e elétricos. A instalação da fábrica não apenas aumentará a capacidade de produção local, mas também contribuirá para a geração de empregos e o desenvolvimento econômico da região. Estima-se que a planta crie 700 empregos diretos inicialmente, com potencial para alcançar 2.000 empregos quando operar em plena capacidade.
A GWM investiu R$ 10 bilhões até 2032, com R$ 4 bilhões alocados na primeira fase até 2026, para modernizar a fábrica e atingir uma capacidade de produção de 30.000 a 45.000 veículos por ano inicialmente, com meta de 100.000 unidades anuais em dez anos. A produção local também permitirá à empresa alcançar 60% de nacionalização até 2028, facilitando exportações para a América Latina.
Como a GWM está navegando as turbulências tarifárias?
Apesar das turbulências tarifárias decorrentes da guerra comercial iniciada pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, a GWM mantém seus planos de expansão no Brasil. Segundo Ricardo Bastos, diretor de assuntos institucionais da GWM Brasil, a empresa está confiante na direção adotada pelo governo brasileiro, que tem lidado bem com a situação.
O governo federal tem implementado um aumento gradual do imposto de importação para veículos híbridos e elétricos, uma medida que visa equilibrar o mercado e incentivar a produção local. A indústria automotiva nacional, por sua vez, tem pressionado por uma antecipação desse aumento para 35%, previsto para ocorrer no próximo ano. A GWM adaptou sua estratégia ao priorizar a produção do Haval H6 em Iracemápolis, reduzindo a dependência de importações e aproveitando os incentivos do Programa Mover, que promove sustentabilidade e inovação na indústria automotiva.
Quais são as perspectivas futuras para a GWM no Brasil?
Com a abertura da nova fábrica e a chegada de novos modelos, a GWM está bem posicionada para expandir sua participação no mercado brasileiro. A empresa está comprometida em oferecer veículos que atendam às necessidades dos consumidores locais, com foco em tecnologia avançada e sustentabilidade. Além do Haval H6 e do Tank 300, a GWM planeja lançar modelos como a picape Poer e o Tank 500, além de veículos elétricos da marca Ora, nos próximos anos.
A GWM também planeja continuar investindo em inovação e parcerias estratégicas, como a colaboração com a Bosch para desenvolver um sistema híbrido flex compatível com etanol, com produção prevista para 2026. A empresa estabeleceu uma equipe de P&D com 50 membros, composta por brasileiros e chineses, para adaptar tecnologias às condições locais.
Com uma abordagem focada no cliente, um portfólio diversificado e um compromisso com a localização, a montadora chinesa está preparada para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades no dinâmico mercado automotivo brasileiro. A GWM também visa transformar o Brasil em uma base de exportação para a América Latina, consolidando sua posição como líder em veículos híbridos e elétricos na região.











