A combinação de incertezas fiscais no Brasil e tensões comerciais no cenário internacional mantiveram os investidores em alerta. A decisão sobre o IOF, as perspectivas para os juros e o desempenho da economia americana estão entre os principais vetores de influência nos ativos financeiros nesta semana.
Nesta sexta-feira (18), o Monitor do Mercado traz mais uma edição do quadro “Semana em 5 Minutos”, resumo semanal direto e sem enrolação assinado por Gil Carneiro.
“No Brasil, até o passado é incerto” — Pedro Malan.
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Brasil: impasse no IOF, PIB em queda e tensão entre os Poderes
A tentativa de conciliação entre o Planalto e o Congresso sobre a reoneração do IOF terminou sem acordo. A decisão do ministro Alexandre de Moraes, que autorizou a cobrança retroativa do imposto, contrariando a maioria do Legislativo, elevou o nível de insegurança jurídica e acirrou o clima entre os Poderes.
Além disso, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) propõe excluir os precatórios do teto de gastos, com transição em dez anos. A medida visa aliviar o impacto fiscal, mas é vista como paliativa.
O presidente Lula vetou o aumento do número de deputados federais, barrando também a elevação automática do número de parlamentares estaduais. A decisão veio após nova interpretação do STF sobre a Constituição de 1988.
A popularidade de Lula segue em recuperação, impulsionada pelo embate político com Donald Trump. No entanto, reformas estruturais continuam fora da agenda do governo até 2027, aumentando a pressão sobre a política fiscal.
No campo econômico, o IBC-Br de maio — indicador que antecipa o PIB — recuou 0,7%, acima das expectativas de mercado. O dado reforça sinais de desaceleração da atividade. Um corte de juros pode ganhar força, desde que haja também redução nos estímulos fiscais.
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O IGP-10 de julho registrou deflação de 1,7%, quarta queda consecutiva. Os índices da família IGP são fortemente influenciados pelo câmbio, e a valorização do real tem contribuído para esse resultado.
No mercado acionário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, acumulou nova queda semanal, a segunda seguida. O movimento reflete a cautela dos investidores com o cenário político e fiscal, mesmo com ativos considerados descontados.
EUA: inflação sobe, mas Fed pode cortar juros
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor subiu de 2,4% para 2,7% no acumulado de 12 meses até maio, com destaque para itens importados, como móveis, roupas e brinquedos.
Apesar da inflação acima da meta do Federal Reserve, o consumo segue firme. As vendas no varejo cresceram 0,6% em junho, superando a previsão de 0,1%, o que demonstra resiliência do consumidor americano.
Mesmo com a economia aquecida e desemprego em níveis baixos, o mercado ainda projeta cortes na taxa básica de juros (Fed Funds Rate) até o fim de 2025.
A temporada de balanços começou positiva, com bancos como JPMorgan, Citigroup e Wells Fargo reportando resultados acima do esperado. No entanto, as projeções para o segundo semestre são mais conservadoras, diante da incerteza sobre as tarifas e o comércio global.
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Os índices S&P 500 e Nasdaq renovaram máximas históricas, impulsionados pelo otimismo corporativo e pela aposta no chamado “TACO trade” — sigla para “Trump Always Chickens Out”, que sugere que o ex-presidente tende a recuar de ameaças comerciais, como novas tarifas previstas para 1º de agosto, inclusive contra o Brasil.
China: crescimento e exportações em alta
O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 5,2% no segundo trimestre, em comparação com o mesmo período de 2024. As exportações subiram 5,8% em junho, após alta de 4,8% em maio.
Embora o comércio com os EUA tenha recuado, a China tem direcionado suas vendas externas a países com menor tarifação recíproca, que funcionam como plataformas indiretas de acesso ao mercado americano.
Europa: menos dependência energética da Rússia
A União Europeia praticamente eliminou a dependência de petróleo e gás da Rússia, fator que contribui para a estabilidade econômica do bloco.
Em paralelo, a Rússia aumentou o comércio com China e Índia, o que tem ajudado a financiar a guerra contra a Ucrânia. Apesar de pressões diplomáticas, inclusive de Donald Trump, o conflito segue sem desfecho à vista.
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Bitcoin: alta recente em perspectiva logarítmica
O movimento recente de valorização do Bitcoin aparenta ser o mais intenso da história quando analisado em escala linear — modelo de gráfico mais comum. No entanto, ao se adotar a escala logarítmica natural, que foca nas variações percentuais e não nos valores absolutos, o crescimento atual revela um padrão proporcional a ciclos anteriores.
Essa forma de leitura evita distorções na comparação entre diferentes períodos. Por exemplo, uma alta de US$ 10 para US$ 30 (200%) é representada do mesmo modo que uma alta de US$ 10 mil para US$ 30 mil, já que ambas têm o mesmo ganho percentual.
A análise sugere que, embora o preço do Bitcoin esteja em alta, seu comportamento segue um padrão técnico consistente com movimentos anteriores.









