A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou o acionamento da bandeira tarifária vermelha patamar 2 para o mês de agosto. A medida adiciona R$ 7,87 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, representando o maior acréscimo previsto no sistema de bandeiras tarifárias.
É o primeiro acionamento do patamar 2 desde outubro de 2024. A decisão reflete a queda nas afluências (volume de água nos reservatórios) para hidrelétricas, o que exige maior uso de usinas termelétricas, com custo mais elevado de geração.
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Impacto no IPCA e previsões do mercado
O aumento da tarifa já tem impacto direto sobre os índices de inflação. A Warren Investimentos revisou sua projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, de uma queda de 0,40% para um recuo menor, de 0,24%.
A economista Andréa Angelo, da Warren, calcula que o impacto da bandeira 2 adiciona 16 pontos-base à inflação de agosto. No entanto, ela pondera que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) pode ajudar a compensar parte da pressão inflacionária neste e no próximo mês.
A projeção da Warren para o IPCA ao final de 2025 foi mantida em 4,9%, com avaliação de riscos equilibrados.
Energia elétrica pesou na prévia da inflação de julho
A energia elétrica residencial já teve impacto importante no IPCA-15 de julho, com alta de 3,01% no subitem, representando o maior impacto individual no índice (0,12 ponto percentual).
Desde junho, a Aneel já havia adotado a bandeira vermelha patamar 1, com adicional de R$ 4,46 a cada 100 kWh. A piora das expectativas de chuva e o risco hidrológico (GSF) agravaram o cenário, levando ao acionamento do patamar 2.
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Projeções para frente
A Armor Energia, consultoria especializada no mercado livre de energia, já havia antecipado o risco de acionamento da bandeira 2 em agosto, segundo o Broadcast. A empresa previa, no entanto, uma possível reversão do cenário a partir de setembro, dependendo da situação dos reservatórios.
A arrecadação via bandeiras tarifárias cobre custos adicionais da geração elétrica. Além do GSF, o aumento do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) — valor pago pela energia gerada fora do previsto no sistema — também tem pressionado o sistema, contribuindo para a necessidade de bandeiras mais caras.











