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O maior risco geopolítico para o Brasil é interno, diz ex-presidente do banco dos Brics

Por Gabriela Santos
19/dez/2025
Em Mercados, Notícias
O maior risco geopolítico para o Brasil é interno, diz ex-presidente do banco dos Brics

Imagem: Reprodução

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No atual cenário internacional o principal traço característico é a intensificação da geopolítica, que amplia riscos para o Brasil e demais países, em um contexto em que comércio, tecnologia e geopolítica passaram a funcionar como instrumentos de poder.

Apesar dos riscos externos, o cenário de geopolítica pode gerar oportunidades específicas para o Brasil. Embora o cenário internacional seja mais arriscado, o país tende a ter mais oportunidades do que perdas, segundo análise de Marcos Troyjo, ex-presidente do banco dos Brics e atual consultor global do European Investment Bank.

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Em entrevista ao Canal Um Brasil, uma realização da FecomercioSP, Troyjo avalia que os principais riscos do país são internos, como gasto público elevado, carga tributária alta, forte intervenção estatal e uma relação dívida/PIB considerada desfavorável.

“Sem fazer a lição de casa, tudo fica mais difícil”, afirmou, ao destacar que esses indicadores reduzem a capacidade do país de competir internacionalmente, independentemente do ambiente externo.

O Monitor do Mercado teve acesso exclusivo à entrevista e traz, em primeira mão, a análise do especialista sobre os principais aspectos do cenário geopolítico e da economia nacional.

O próximo grande acordo que o Brasil precisa ter é com o próprio país 

O Brasil precisa se preparar para uma fase da economia internacional cada vez mais intensiva em geopolítica. Segundo a avaliação de Troyjo, os principais entraves hoje estão dentro do próprio país.

O especialista destaca que o Brasil convive com gastos públicos elevados como proporção do PIB, carga tributária alta, forte intervenção governamental na atividade econômica e uma relação dívida/PIB desfavorável. Esses indicadores, segundo Troyjo, dificultam a harmonização das condições internas necessárias para competir no mercado internacional.

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Ele aponta ainda que o novo ambiente global traz oportunidades relevantes para o Brasil. A crescente insegurança alimentar global amplia a demanda por produção agrícola, área em que o país tem presença consolidada; a necessidade de diversificação energética também favorece o Brasil, assim como a continuidade da agenda de economia circular e sustentabilidade.

Outro fator destacado por ele durante a entrevista é o mercado consumidor brasileiro, com mais de 200 milhões de pessoas, aberto à inovação e à adoção de novos modelos de negócios. O sucesso do Pix é citado como exemplo dessa capacidade de absorção tecnológica.

Além disso, o país ocupa posição estratégica no mercado de minerais críticos. Em praticamente todos os levantamentos internacionais, o Brasil aparece em segundo lugar em reservas, com um volume comprovado superior à soma dos cinco países seguintes no ranking.

Nesse contexto, “a principal fonte de risco continua a ser a nossa incapacidade de adaptação às oportunidades que a cena global virá nos oferecer”, afirma.

“Trumpulência” e o governo Trump

Ao analisar o novo governo de Donald Trump, Troyjo utiliza o termo “trumpulência” para descrever um ambiente marcado por oscilações políticas, turbulência e imprevisibilidade.

Segundo ele, esse conceito reúne três elementos. O primeiro é a volatilidade política, associada a decisões influenciadas por ciclos midiáticos curtos. O segundo é a opulência econômica dos Estados Unidos, que seguem como a maior economia do mundo, com PIB estimado em US$ 30 trilhões e um mercado de capitais robusto. O terceiro é a incoerência entre políticas comerciais protecionistas e ações internas de estímulo ao ambiente de negócios.

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Troyjo destaca que os EUA importam cerca de 12% do seu PIB, o equivalente a US$ 3,6 trilhões por ano. O Brasil responde por apenas 1,1% dessas importações, cerca de US$ 40 bilhões, o que revela espaço para expansão.

Na avaliação do especialista, o maior impacto para o Brasil não vem das tarifas, mas da capacidade dos Estados Unidos de atrair investimentos com desburocratização, desregulamentação e corte de impostos.

Segundo ele, empresas que estão deixando a China em busca de novos polos produtivos acabam direcionando capital aos EUA, em vez de ao Brasil, devido às condições internas mais favoráveis. Isso transforma os EUA em uma “bomba de sucção de liquidez de investimentos de curto e longo prazo e no longo prazo”, explica.

Disputa geopolítica entre China e Estados Unidos

Troyjo explica que, na disputa comercial entre Estados Unidos e China, os chineses passaram a restringir compras de produtos agrícolas americanos, como soja, milho e carnes. Nesse contexto, o Brasil superou os EUA como principal fornecedor de alimentos para a China nos últimos cinco anos.

Além disso, a China identificou a centralidade dos minerais críticos e passou a restringir exportações desses insumos, dos quais detém cerca de 80% da oferta disponível no mercado internacional. Segundo o ex-presidente do banco dos Brics, isso limita a capacidade de reação americana no curto prazo.

Ele enfatiza que o Brasil aparece em segundo lugar no mundo em reservas de minerais críticos, com volume superior à soma de vários países seguintes, o que reforça sua relevância estratégica.

Política externa e pragmatismo

Troyjo avalia que o Brasil não pode escolher entre Estados Unidos e China, seus dois maiores parceiros comerciais. Segundo ele, a política externa deve ser orientada por pragmatismo, interesses nacionais e valores institucionais, evitando alinhamentos automáticos.

Durante a entrevista, ele destaca que há temas em que o Brasil converge com a China, como investimentos em infraestrutura e exportação de alimentos, e outros em que há maior alinhamento com os Estados Unidos, como atração de investimento estrangeiro, democracia e segurança regional.

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Dever de casa para o Brasil crescer

Em uma leitura sobre a economia doméstica, Troyjo afirma que o crescimento sustentável do país depende da formação de expectativas alinhadas a reformas estruturais.

Ele cita a necessidade de reforma administrativa, redução do papel do Estado, controle de gastos públicos, privatizações e maior flexibilidade orçamentária.

Segundo ele, sem essas mudanças, o governo acaba absorvendo grande parte do capital disponível, elevando o custo do dinheiro e limitando investimentos.

Assista à entrevista completa, com Marcos Troyjo, ex-presidente do banco dos Brics e atual consultor global do European Investment Bank, ao Canal Um Brasil, uma realização da FecomercioSP:

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