Os mercados globais operam em alta nesta quinta-feira (25), embalados pelo forte desempenho das ações de tecnologia após resultados e projeções positivos das big techs norte-americanas Micron Technology e Qualcomm. O avanço do apetite por risco também é sustentado pela forte queda do petróleo, que voltou aos níveis registrados antes do conflito no Oriente Médio, refletindo a retomada do fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.
Pela primeira vez desde o início da guerra, o barril é negociado abaixo de US$ 72,48, valor de fechamento observado na véspera dos bombardeios dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro. Nesta quarta-feira, 31 navios-tanque deixaram o Golfo Pérsico — alta de quase 50% em relação ao dia anterior, segundo a empresa de monitoramento marítimo Windward. Durante o conflito, mais de 1 bilhão de barris de petróleo ficaram retidos na região após produtores interromperem exportações devido ao bloqueio de Ormuz.
Apesar do alívio no mercado de energia, o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã ainda enfrenta impasses. O Departamento do Tesouro americano afirmou que supervisionará a utilização dos ativos iranianos congelados que forem liberados, destinando grande parte dos recursos à compra de produtos agrícolas e farmacêuticos dos EUA. Teerã rejeitou a proposta e insiste que decidirá de forma soberana o destino dos recursos.
No Brasil, as atenções se voltam para a divulgação do IPCA-15 de junho, que deve mostrar desaceleração da inflação em meio às críticas de parte do mercado sobre o comprometimento do Banco Central com a meta inflacionária.
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A mediana das projeções do Broadcast aponta alta de 0,44%, abaixo dos 0,62% registrados em maio, com estimativas entre 0,34% e 0,57%. O recuo é atribuído, principalmente, ao alívio nos preços de Transportes, enquanto os núcleos da inflação também devem perder força, passando de 0,48% para 0,40%.
No cenário político, o senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou sua saída da liderança do governo no Senado após ser alvo de uma fase da Operação Compliance Zero, ligada às investigações do caso Master. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar afirmou que a decisão foi tomada em comum acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião realizada na quarta-feira.
Com a vacância do cargo, os nomes da senadora Teresa Leitão (PT-PE) e do ministro Camilo Santana (PT-CE) despontam como principais cotados para assumir a liderança do governo na Casa.
Manchetes desta manhã
- BC eleva projeção de alta do PIB para 2% em 2026 e cita ‘estímulos de natureza fiscal e creditícia’ (Valor)
- PF cumpre mandados em investigação sobre fraude bilionária na Americanas (Folha)
- BB Seguridade (BBSE3) anuncia pagamento de R$ 3,85 bilhões em dividendos (Estadão)
- Digimais pode deixar uma fatura de R$ 8 bi para o FGC (O Globo)
- Ministério Público apura suspeita de esquema de ‘rachadinha’ nos Correios ( O Globo)
Mercado global em alta com impulso de tecnologia e baixa do petróleo
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta diante do otimismo com IA após os resultados e projeções positivos de Qualcomm e Micron. Em destaque, o Nikkei, do Japão, e o Kospi, na Coreia do Sul, atingiram novo recorde de fechamento, sustentados pela valorização das ações de tecnologia.
Na China, os mercados tiveram desempenho misto, em meio ao início da emissão de até 5 bilhões de euros em títulos soberanos pelo governo e ao anúncio de ajustes nas operações de recompra reversa pelo Banco Popular da China.
As bolsas da Europa também sobem lideradas pelas ações de tecnologia, após as projeções otimistas da Micron Technology e da Qualcomm reduzirem as preocupações com os elevados investimentos em infraestrutura de inteligência artificial.
Entre os destaques do setor estão Infineon (+4,9%), STMicroelectronics (+3,9%), BE Semiconductor (+3,9%) e ASML (+4%).
Em Nova York, os índices futuros avançam impulsionados pelo forte resultado da Micron, que reforçou o otimismo com o setor de inteligência artificial. A queda do petróleo, de volta aos níveis anteriores ao conflito no Oriente Médio, também fortalece o apetite por risco.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,73%
- FTSE 100: +0,46%
- CAC 40: +0,58%
- Nikkei 225: +4,61%
- Shanghai SE Comp: +0,23%
- Hang Seng: -1,43%
- Ouro (jun): -0,27%, a US$ 3.997,90 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,13%, aos 101,71 pontos
- Bitcoin: -2,28% a US$ 61.167,1
Commodities – preços do petróleo voltam ao nível pré-conflito
- Petróleo: os preços retornam aos níveis anteriores ao início da guerra no Irã, com a retomada da circulação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz após o bloqueio que reteve mais de 1 bilhão de barris no Golfo Pérsico.
Desde o pico de US$ 126 por barril em março, as cotações vêm cedendo diante da avaliação de que os custos econômicos de um fechamento prolongado de Ormuz tornariam insustentável uma guerra mais longa.
O Brent/agosto cede 1,22%, cotado a US$ 72,84, enquanto o WTI/agosto cai 1,02%, a US$ 69,62. - Minério de ferro: fechou em queda de 1,08% em Dalian, na China, cotado a US$ 108,08 a tonelada.
Cenário internacional
Nos EUA, uma bateria de indicadores pode redefinir as apostas para a trajetória dos juros. Sem sinais de resistência da nova composição do Federal Reserve (Fed) a um novo ciclo de aperto monetário, o mercado já atribui cerca de 70% de probabilidade de uma alta de juros em setembro.
O Bank of America adotou uma visão ainda mais agressiva e passou a projetar três elevações consecutivas de 0,25 ponto percentual até o fim do ano. A instituição estima que o núcleo do índice PCE — medida de inflação preferida do Fed — alcance 3,5% em maio, cerca de 0,7 ponto percentual acima do registrado há um ano, reforçando a expectativa de uma postura mais rígida da autoridade monetária.
O consenso do mercado aponta para alta anual de 3,3% no núcleo e de 4,1% no índice cheio, enquanto, na comparação mensal, as projeções são de avanço de 0,4% e 0,5%, respectivamente.
Além do PCE, o mercado acompanhará a terceira leitura do PIB americano do primeiro trimestre, com expectativa de crescimento de 1,7%, acima dos 1,6% registrados anteriormente. Também serão divulgados o índice de atividade nacional do Fed de Chicago, as encomendas de bens duráveis de maio e os pedidos semanais de auxílio-desemprego, indicadores que ajudarão a calibrar o ritmo da economia americana.
Encerrando o dia, os dirigentes do Fed John Williams e Austan Goolsbee participam de eventos públicos e podem oferecer novas pistas sobre os próximos passos da política monetária.
No Japão, o debate sobre novos aumentos de juros ganhou força apenas uma semana após o Banco do Japão elevar a taxa básica de 0,75% para 1%.
O diretor Naoki Tamura afirmou que a autoridade monetária poderá promover novos aumentos de 0,25 ponto percentual — ou até maiores — caso as pressões inflacionárias se intensifiquem, indicando que os juros podem avançar até o chamado nível neutro, estimado em 2%.
Cenário nacional
No Brasil, a Polícia Federal deflagrou, com apoio do Ministério Público Federal, a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude bilionária nas Americanas. A ofensiva cumpre nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo. A 10ª Vara Federal do Rio também determinou o bloqueio de R$ 54 bilhões em bens e valores dos investigados. A força-tarefa apura ainda a possível participação de acionistas da companhia e de representantes de bancos privados no esquema.
Outra frente de investigação envolve os Correios. O Ministério Público Federal analisa denúncias de um suposto esquema de “rachadinha” durante a gestão anterior da estatal, em meio ao esforço da empresa para reequilibrar suas contas após registrar prejuízo recorde. A acusação aponta para a cobrança de parte das gratificações pagas a funcionários nomeados para cargos de confiança. Em nota, os Correios afirmaram que não toleram práticas ilícitas e que adotarão as medidas cabíveis caso as irregularidades sejam comprovadas.
Na política, o mercado acompanha a divulgação de novas pesquisas de intenção de voto. O levantamento do Jota será publicado nesta quinta-feira, enquanto o PoderData divulga sua sondagem na sexta-feira (26).
Na véspera, pesquisa da Gerp indicou empate técnico no primeiro turno entre Lula, com 37% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro, com 34%. Em um eventual segundo turno, o levantamento mostrou Flávio Bolsonaro com 42% e Lula com 40%, dentro da margem de disputa apresentada pelo instituto.
Destaques do mercado corporativo
- Klabin: o conselho de administração aprovou nesta um programa de recompra de até 89,2 milhões de ações, sendo 17,9 milhões ordinárias e 71,3 milhões preferenciais.
- Auren Energia: concluiu a segunda etapa de sua reorganização societária, concentrando os ativos hidrelétricos em um único veículo de investimento e incorporando a Auren Operações pela Cesp, que foi então extinta.
- Braskem: deve entrar nesta quarta-feira com uma cautelar protetiva contra a cobrança de credores, semanas após a gestora IG4 Capital assumir o controle da petroquímica. A medida visa abrir caminho para um pedido de recuperação extrajudicial.
- BB Seguridade: o conselho aprovou pagamento de R$ 3,85 bilhões em dividendos intercalares. Valor por ação e datas de pagamento e da posição acionária serão divulgados após o balanço do segundo trimestre.
- Localiza: anunciou a 48ª emissão de debêntures, no valor de R$ 8,02 bilhões, para recompra de dívidas e recomposição de caixa. Já a Localiza Fleet fará a 21ª emissão de debêntures, no valor de R$ 2,01 bilhões.
- GM: elevou o plano de investimentos no Brasil em R$ 3,5 bilhões, para R$ 10,5 bilhões até 2028, com foco
- em novos produtos, tecnologias e ampliação das operações











