Com minério extraído a centenas de metros de profundidade, as usinas transformam rochas brutas em uma das ligas metálicas mais essenciais do mundo moderno. A jornada do aço começa muito antes da fundição, pois a indústria exige um beneficiamento mineral rigoroso para separar a terra inútil do ferro valioso. Atualmente, o Brasil domina essa tecnologia e utiliza suas vastas reservas para produzir desde vigas estruturais até chapas brilhantes para veículos.
Como ocorre o preparo da carga antes da fusão?
Antes que a carga entre no forno, os técnicos preparam o minério de ferro fisicamente para garantir a máxima eficiência da reação química. Primeiramente, o minério “fino” passa pela sinterização, um processo que aglomera o pó em pequenos pedaços porosos conhecidos como sínter. Simultaneamente, as coquerias cozinham o carvão mineral em fornos especiais para transformá-lo em coque. Esse combustível sustenta o peso da carga dentro do reator sem esfarelar e fornece o carbono necessário ao processo.
Logo depois, esteiras quilométricas transportam esses ingredientes e os fundentes, como o calcário, até o topo do reator principal. Sem dúvida, a qualidade dessa preparação inicial define o consumo de energia da fábrica e a pureza do metal que a usina produzirá horas depois. Dessa maneira, cada etapa do preparo influencia diretamente a resistência final do material.
Confira abaixo os insumos vitais para a produção:
- Minério de Ferro: A fonte primária do metal, composta principalmente por óxidos.
- Coque: O combustível que gera calor intenso e remove o oxigênio do minério.
- Fundentes: Minerais que auxiliam na separação das impurezas durante a fusão.
Qual é a reação química no interior do alto-forno?
O coração de qualquer usina siderúrgica é o alto-forno, uma torre gigantesca onde ocorre a redução química do minério. Enquanto a carga sólida desce pelo topo, o sistema sopra ar quente a mais de 1000°C pela base do equipamento. Nesse encontro, o carbono do coque reage com o oxigênio presente no minério de ferro, o que finalmente liberta o metal em estado líquido.
Entretanto, esse processo inicial não gera o aço, mas sim o ferro-gusa. Como esse material contém um teor de carbono muito elevado, ele se torna quebradiço e impróprio para uso em construções. O gusa líquido escorre pela base do forno, brilhando como lava, e segue em vagões-torpedo para a etapa seguinte. Ao mesmo tempo, as impurezas flutuam sobre o metal e a usina as remove na forma de escória.
A seguir, veja os dados da tabela para comparar os estágios do metal:
| Estágio | Material Base | Teor de Carbono | Característica Principal |
| Matéria-Prima | Minério de Ferro | N/A (Óxido) | Rocha sólida e inerte |
| Intermediário | Ferro-Gusa | Alto (~4%) | Líquido e quebradiço |
| Produto Final | Aço | Baixo (< 2%) | Maleável e resistente |
Como funciona a transformação final na aciaria?
Para que o ferro-gusa se transforme em aço, o sistema precisa eliminar o excesso de carbono nos conversores da aciaria. Primeiramente, um jato supersônico de oxigênio puro atinge o metal líquido e “queima” o carbono junto com outras impurezas indesejadas. Essa reação espetacular ajusta a composição química da liga com uma precisão decimal incrível.
Além disso, os metalúrgicos adicionam outras ligas metálicas que definem as propriedades específicas do produto final. Por exemplo, eles utilizam o manganês para aumentar a resistência ou o níquel para evitar a corrosão. Por fim, o aço líquido solidifica-se no lingotamento contínuo e sai da máquina em formato de placas ou blocos prontos para a laminação.
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Quais são os principais tipos de aço produzidos?
A versatilidade da siderurgia permite criar diferentes tipos de aço para atender às demandas da engenharia moderna. O aço carbono, por exemplo, é a variante mais comum, utilizada em larga escala na construção civil e em estruturas metálicas devido ao seu baixo custo e boa resistência. Por outro lado, o aço inoxidável recebe a adição de cromo, o que cria uma camada protetora invisível contra a ferrugem, sendo ideal para utensílios domésticos e equipamentos hospitalares.
Existem ainda os aços-liga, que recebem elementos como vanádio, molibdênio ou tungstênio para aplicações extremas. Esses materiais suportam pressões altíssimas e temperaturas elevadas, sendo essenciais para a indústria aeroespacial e de óleo e gás. Assim, a aciaria moderna consegue “customizar” o metal, garantindo que o aço brasileiro chegue ao mercado com a especificação exata para cada necessidade técnica.



