A Brava Energia (BRAV3) comprou por US$ 450 milhões a participação de 50% da Petronas Petróleo Brasil no campo de Tartaruga Verde e no Módulo III do campo de Espadarte, ambos localizados na Bacia de Campos.
Segundo o comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), nesta sexta-feira (16), US$ 50 milhões foram pagos na assinatura do contrato. Outros US$ 350 milhões serão pagos no fechamento da operação, valor sujeito a ajustes com base na data efetiva da transação, fixada em 1º de julho de 2025.
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Além disso, estão previstas duas parcelas diferidas de US$ 25 milhões cada, com vencimento em 12 e 24 meses após o fechamento.
Segundo fontes ouvidas pelo Pipeline, do Valor Econômico, a aquisição pode encerrar as conversas da Brava com a colombiana Ecopetrol sobre outros ativos.
Nesta manhã, os papéis BRAV3 operam em forte queda de 2,50%, negociados a R$ 17,47.
Fechamento depende de aval regulatório
A conclusão da operação está condicionada ao cumprimento de condições precedentes usuais, incluindo aprovações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Também será necessária a manifestação sobre o exercício do direito de preferência pelo atual operador dos ativos. Caso todas as etapas sejam cumpridas, a expectativa da Brava é que o fechamento ocorra ao longo de 2026.
Segundo a companhia, a aquisição faz parte da estratégia de revisão contínua do portfólio, com foco em retorno ajustado ao risco, diversificação de ativos e eficiência na alocação de capital.
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Características dos ativos adquiridos pela Brava
Os campos de Tartaruga Verde e Espadarte Módulo III estão localizados na porção sul da Bacia de Campos, em lâminas d’água que variam entre 700 e 1.620 metros, com reservatórios a cerca de 3.000 metros de profundidade.
Atualmente, os ativos são operados pela Petrobras, que detém os outros 50% de participação. A produção ocorre por meio do FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes, em operação desde 2018.
A unidade conta com 14 poços produtores, sendo 11 em Tartaruga Verde e três no Módulo III de Espadarte. Em 2025, a produção média foi de aproximadamente 55,6 mil barris de óleo equivalente por dia, considerando 100% do ativo.
A produção é majoritariamente de petróleo, com parcela residual de gás natural, escoado pelo gasoduto de Enchova até o terminal de Cabiúnas. As concessões têm vigência até 2039.
Impacto financeiro e avaliação de analistas
Na avaliação do Citi, apesar da alavancagem elevada da Brava, a empresa tem capacidade financeira para absorver a aquisição.
O banco estima que, após a conclusão do negócio, a alavancagem líquida da companhia deve ficar em torno de 1,6 vez o EBITDA ao final de 2026, considerando a geração de caixa correspondente a 50% do ativo, estimada em cerca de US$ 270 milhões.
Para os analistas Gabriel Barra, Pedro Gama e Andrés Cardona, o preço pago foi atrativo, considerando o cenário mais pessimista para o preço do petróleo e valores superiores que vinham sendo mencionados no mercado. Segundo eles, não há expectativa de aumento relevante da alavancagem.
O Citi mantém recomendação de compra para as ações da Brava, com preço-alvo de R$ 25, o que representa potencial de valorização de 38,8% em relação ao último fechamento.





