O dólar voltou a operar acima de R$ 5,22 (+0,63%) nesta quinta-feira (26), atingindo o maior patamar desde 31 de março e, na avaliação de Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, a valorização acompanha um movimento global de fortalecimento da moeda, diante da expectativa de juros elevados nos Estados Unidos.
Além disso, o especialista afirmou que a saída de recursos de mercados emergentes também influenciou o comportamento da moeda norte-americana. Nesta manhã, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas fortes, avança 0,31%.
Fluxo de capital voltou para os Estados Unidos
Segundo Yamashita, uma das principais razões para a alta do dólar é a mudança no fluxo internacional de investimentos. No primeiro trimestre, mercados emergentes foram beneficiados pela busca dos investidores por oportunidades fora dos EUA, com destaque para Coreia do Sul e Taiwan, impulsionados pelas empresas ligadas ao setor de semicondutores e inteligência artificial.
Nos últimos meses, porém, esse movimento começou a se inverter. O analista destaca que parte do capital voltou para os Estados Unidos, enquanto a Bolsa brasileira passou a registrar saída de investidores estrangeiros desde meados de abril.
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Federal Reserve fortalece o dólar
Outro fator citado pelo especialista é a diferença entre a política monetária dos Estados Unidos e a do Brasil. Nos EUA, o Federal Reserve (Fed) sinalizou uma postura menos favorável à redução dos juros.
“Diante de uma visão menos inclinada a cortes de juros e da possibilidade de manutenção ou até elevação das taxas este ano, o mercado tem ajustado suas expectativas”, disse Yamashita.
No Brasil, embora a taxa Selic continue em nível elevado, a comunicação do Banco Central e a ata do Copom levantaram dúvidas sobre os próximos passos dos juros, o que também influencia o comportamento do câmbio.
Petróleo e cenário geopolítico também pesam
A queda do petróleo pelo terceiro pregão consecutivo também contribuiu para a valorização do dólar frente ao real. O Brent recuou para os menores níveis desde o fim de fevereiro, próximo de US$ 75 por barril, após a normalização gradual do fluxo de navios no Estreito de Ormuz.
Segundo Yamashita, “a queda recente no preço do petróleo afeta negativamente a balança comercial brasileira, visto que a redução das receitas com exportação de óleo cru deixa de compensar os custos de importação de derivados, impactando a atividade econômica nacional”.
Além disso, declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as negociações com o Irã seguem influenciando o mercado, aumentando a atenção dos investidores ao cenário geopolítico.











