O projeto Baguales avança pelas terras geladas da província de Río Negro e levanta um debate quente sobre a construção de usinas hidrelétricas na região. A obra encabeçada por investidores estrangeiros promete mudar o cenário do turismo de luxo local.
Quem financia a construção milionária nas montanhas?
A iniciativa pertence ao grupo Baguales Acquisitions S.A., controlado pelo empresário do Catar, Abdulhadi Mana A Sh Al Hajri, em parceria com o ex-tenista argentino Gastón Gaudio. Essa dupla comprou cerca de 10 mil hectares na meseta patagônica em 2017, assumindo a área que antes era do grupo belga Burco.
O objetivo principal da compra é erguer um complexo turístico de altíssimo padrão junto ao Parque Nacional Nahuel Huapi, focado em atrair clientes com muito dinheiro. O espaço já funciona como um resort e centro de esqui bastante exclusivo, recebendo até o emir do país árabe em 2023.
Como as usinas hidrelétricas dividem a força da água?
Para garantir a autossuficiência de energia renovável na Patagônia, a planta prevê erguer três microcentrais ao longo do arroyo Baguales. A permissão assinada em janeiro de 2025 libera a operação apenas entre julho e setembro, mirando o pico rigoroso do inverno andino.
A tabela a seguir mostra exatamente como a capacidade elétrica e o fluxo de água se dividem entre as três estações projetadas:
| Unidade da usina | Potência elétrica | Fluxo de água liberado |
|---|---|---|
| ChiBa I | 20 kW | 42 litros por segundo |
| ChiBa II | 300 kW | 200 litros por segundo |
| ChiBa III | 600 kW | 350 litros por segundo |
Quais os riscos ambientais apontados no projeto Baguales?
Erguer barreiras de concreto em uma área de preservação exige cuidado máximo, pois o terreno fica colado em uma região de floresta nativa protegida pela lei. Os moradores locais e ativistas questionam a falta de transparência sobre os impactos reais na fauna e flora selvagens durante as escavações.
Os relatórios de oposição focam nos seguintes pontos de alerta máximo sobre as terras adquiridas:
- Zona vermelha: a construção invade espaços vitais para o huemul, um cervo andino seriamente ameaçado de extinção.
- Estudos fantasmas: o governo não publicou o estudo de impacto ambiental obrigatório nos portais de transparência oficiais da província.
- Direitos indígenas: nenhuma comunidade originária participou de consultas prévias, violando abertamente as regras internacionais do setor.
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Por que a justiça tenta barrar o avanço das obras?
O projeto legislativo número 121 de 2025 bate de frente com a autorização dada pelo departamento de águas de Río Negro. Os deputados argumentam que a permissão administrativa atropela o artigo 97 do Código de Águas, que exige uma lei específica para erguer qualquer tipo de barragem.
Além da manobra legal questionável, a liberação ocorreu sem a realização de audiências públicas com os moradores de Bariloche e arredores. Essa pressa na assinatura dos papéis levantou suspeitas graves sobre o favorecimento direto aos investidores na calada da noite.
O que acontece agora com as terras de luxo na Argentina?
Sem uma base jurídica firme, as retroescavadeiras dependem das próximas batalhas nos tribunais para ligarem os motores no topo das montanhas nevadas. Os políticos locais exigem relatórios completos sobre os donos do negócio antes de liberarem qualquer pingo de cimento no leito do rio.
Enquanto a papelada segue travada nas gavetas do governo, a região de 1.500 metros de altitude continua operando apenas com sua estrutura turística básica de inverno. O caso virou um termômetro perfeito para medir até onde o dinheiro estrangeiro consegue dobrar as regras de proteção ambiental do país.
