O conflito armado no Irã e a ameaça ao transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz abriram a semana com aumento da volatilidade nos mercados globais. O barril do Brent chegou a bater US$ 82 nos contratos futuros, refletindo a preocupação com a oferta global da commodity.
A análise é de Rodrigo Panuzzio, da Wiser | BTG Pactual, no novo episódio do podcast Perspectivas da Semana. Segundo ele, o movimento reacende o temor inflacionário e pressiona ativos de risco.
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O Estreito de Ormuz — um dos principais corredores de transporte de energia do mundo — é rota de parte relevante do petróleo comercializado globalmente, o que faz com que qualquer instabilidade próxima impacte preços e expectativas. Confira a análise na íntegra abaixo:
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Petróleo, ouro e dólar sobem
Panuzzio destacou que os futuros do petróleo abriram em forte alta e, apesar de alguma acomodação inicial, voltaram a subir. A OPEP sinalizou aumento de oferta para tentar estabilizar os preços, mas o mercado segue monitorando os desdobramentos.
Ativos considerados de proteção, como ouro e prata, também registraram valorização nos contratos futuros. Já os índices americanos, como S&P 500 e Russell, abriram em queda.
No Brasil, os futuros do Ibovespa recuaram moderadamente nesta manhã, enquanto o dólar chegou a subir mais de 1% no início das negociações. Os juros futuros também reagiram, refletindo maior percepção de risco.
Por volta das 16h, o Ibovespa reverteu o patamar negativo e renovou a máxima do dia, aos 189.737,53 pontos, com ganho de 0,50%.
Impacto na inflação e nos juros
O operador lembrou que o petróleo influencia diretamente a inflação, ao afetar combustíveis e custos logísticos. Além disso, fertilizantes nitrogenados, como a ureia usada na produção agrícola, também podem ser impactados pela instabilidade na região.
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Na semana anterior, o IPCA-15 veio acima do esperado, o que levantou dúvidas sobre o início do ciclo de corte da Selic. Por outro lado, o IGP-M mostrou desaceleração, ajudando a equilibrar as expectativas.
Segundo Panuzzio, o cenário para juros dependerá da duração do conflito. Se a tensão for prolongada e mantiver o petróleo elevado, o impacto inflacionário pode alterar projeções para a política monetária.
Agenda econômica no radar
A semana traz indicadores relevantes no Brasil e no exterior. Entre os destaques estão o PIB e a taxa de desemprego divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além do Caged.
No exterior, o mercado acompanha o Livro Bege do Federal Reserve (Fed), estoques de petróleo, inflação na zona do euro e o payroll, relatório de emprego dos Estados Unidos.
As apostas para corte de juros pelo Fed seguem elevadas para as próximas reuniões, mas podem ser revisadas conforme evoluam os acontecimentos no Oriente Médio.
Para Panuzzio, o mercado tende a reagir de forma intensa no curto prazo a eventos geopolíticos, mas o comportamento ao longo da semana dependerá da extensão do conflito e dos dados econômicos que serão divulgados.











