O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), atingiu na última sexta-feira (20) o menor nível desde janeiro ao registrar queda de 2,25%, aos 176.219,40 pontos, com o aumento da aversão a risco em meio à escalada do conflito no Oriente Médio e à expectativa de inflação global, fator que pode levar bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo.
A falta de definição no conflito no Oriente Médio voltou a pressionar os preços do petróleo. O barril do tipo Brent, negociado em Londres, encerrou a semana cotado a US$ 112, acumulando cinco semanas consecutivas de alta.
Segundo a Fitch Ratings, o preço do barril pode chegar a US$ 120 caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado por seis meses.
Entre os destaques do Ibovespa, mesmo com a valorização do petróleo no exterior, as ações da Petrobras fecharam em queda de 2,39% (ON) e de 2,37% (PN), após declarações do ministro de Minas e Energia sobre a possibilidade de zerar impostos sobre o diesel. Na avaliação de agentes de mercado, medidas como subsídios ou redução de tributos podem limitar reajustes nos combustíveis, pressionando a rentabilidade da companhia.
Entre os demais destaques negativos, a Vale caiu 1,41%, enquanto entre os grandes bancos o Santander registrou queda de 2,47%.
No lado positivo, as maiores altas ficaram com Prio (+3,14%) e Vivara (+2,20%). Já entre as perdas da sessão, o destaque foi a Braskem, que despencou 14,21%.
No câmbio, o dólar encerrou o dia em alta de 1,79% frente ao real, cotado a R$ 5,31, com a reavaliação das expectativas de juros nas principais economias do mundo diante do aumento das tensões no Oriente Médio.
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No cenário internacional, a guerra no Oriente Médio entra na quarta semana e continua elevando a tensão no mercado internacional de energia. Neste final de semana, os Estados Unidos ameaçaram o envio de tropas terrestres ao Irã, enquanto a Guarda Revolucionária iraniana ameaçou fechar “completamente” o Estreito de Ormuz caso Washington ataque instalações energéticas do país.
O cenário ganhou novos capítulos após um ultimato de 48 horas anunciado por Donald Trump para a reabertura do estreito, que terminaria às 20h44 (horário de Brasília) desta segunda-feira. O presidente americano havia ameaçado atingir usinas de energia e infraestrutura energética iraniana caso a passagem permanecesse bloqueada.
Pouco depois, no entanto, Trump afirmou ter adiado por cinco dias qualquer ação militar, condicionando a decisão ao avanço das negociações diplomáticas: “EUA e Irã tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio”, declarou.
A versão foi contestada por Teerã. Segundo uma fonte da agência iraniana Fars, não houve qualquer comunicação com os Estados Unidos, nem direta nem por meio de intermediários.
Autoridades iranianas também afirmaram que as declarações de Trump teriam como objetivo reduzir temporariamente os preços da energia enquanto os EUA ganham tempo para seus planos militares.
A agência estatal Mehr informou que existem iniciativas para reduzir as tensões, mas ressaltou que os Estados Unidos precisam liderar qualquer processo de negociação. “Não iniciamos a guerra”, afirmou a agência, citando o Ministério das Relações Exteriores do Irã.
No Brasil, a escalada do conflito aumenta a cautela no mercado financeiro e levanta dúvidas sobre se o Comitê de Política Monetária (Copom) não estaria subestimando os impactos das incertezas externas sobre a inflação.
Diante desse cenário, cresce a expectativa em torno de três eventos desta semana: a divulgação da ata do Copom, o IPCA-15 de março e a entrevista coletiva do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, marcada para esta quinta-feira, quando será apresentado o Relatório de Política Monetária.
O Copom já vinha sinalizando há meses o início de um ciclo de afrouxamento monetário, mas a escalada da guerra acabou reduzindo o ritmo do movimento. Em vez de um corte de 0,50 ponto percentual, esperado por parte do mercado, a taxa Selic foi reduzida em apenas 0,25 ponto, para 14,75% ao ano.
O que chamou a atenção dos investidores foi o tom do comunicado divulgado após a reunião. Mesmo com o petróleo em forte alta, o Banco Central apresentou projeções relativamente pouco cautelosas para a inflação no horizonte relevante.
Agora, economistas aguardam a ata da reunião para entender como o Copom incorporou os efeitos da guerra nas projeções de inflação. As expectativas para o IPCA do terceiro trimestre de 2027, por exemplo, subiram apenas de 3,2% para 3,3%, um ajuste considerado pequeno diante da turbulência no mercado de energia.
No comunicado, o Banco Central afirmou que o período prolongado de juros em nível contracionista já mostra efeitos sobre a atividade econômica, criando espaço para ajustes na “calibração” da política monetária.
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Manchetes desta manhã
- Após horas de tensão, Trump anuncia ‘conversas produtivas’ com o Irã e adia ataques por 5 dias (Valor)
- Casas Bahia passa a vender na Amazon após prejuízo bilionário e amplia disputa no varejo online (Folha)
- Acordo UE-Mercosul será aplicado provisoriamente a partir de 1º de maio (Estadão)
- China já negocia ampliar a compra de petróleo do Irã após EUA terem suspendido sanção (O Globo)
- Participação de PF e PGR pode blindar delação de Vorcaro contra nulidades (Valor)
Mercado global sob pressão com novo rali do petróleo
As Bolsas da Europa retomaram o ritmo de alta após Donald Trump adiar ofensiva contra o Irã.
A incerteza sobre o fornecimento global de energia e os riscos inflacionários pressionaram principalmente ações do setor financeiro e de companhias aéreas.
Na Ásia, os mercados abriram a semana em queda diante do aumento das tensões no Oriente Médio, após alertas de Donald Trump sobre possíveis ataques à infraestrutura energética do Irã e ameaças de retaliação de Teerã.
O cenário eleva a aversão ao risco e reacende temores de estagflação, com analistas apontando que a alta dos custos de energia pode pressionar empresas, emprego e as exportações chinesas.
Em Nova York, os índices futuros abriram em queda após declarações dos EUA e Irã no fim de semana, sobretudo sobre o possível fechamento do Estreito de Ormuz e com a ameaça de Donald Trump de atacar usinas elétricas iranianas, incluindo a maior do país.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -1%
- FTSE 100: +0,10%
- CAC 40: +0,24%
- Nikkei 225: -3,48%
- Hang Seng: -3,54%
- Shanghai SE Comp: -3,63%
- Ouro (abr): -7,03%, a US$ 4.253,9 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,34%, aos 99,985 pontos
- Bitcoin: -0,17% a US$ 68.176,80
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Commodities
- Petróleo: apresenta forte queda nesta segunda-feira após Donald Trump anunciar na rede Truth Social que ordenou o adiamento por cinco dias de possíveis ataques dos EUA a usinas e infraestrutura energética do Irã. A decisão vem após um ultimato de 48 horas para que o país reabrisse o Estreito de Ormuz, com Teerã ameaçando fechar totalmente a passagem.
Trump afirmou ainda ter tido conversas “muito boas e produtivas” com o Irã sobre uma possível resolução das hostilidades no Oriente Médio, mas o governo iraniano ainda não confirmou as negociações.
O Brent/junho cai 6,27%, cotado a US$ 99,74 e o WTI/maio cede 8,06%, a US$ 90,31 - Minério de ferro: fechou em alta de 0,92%, em Dalian, na China, cotado a US$ 118.9/ton. A valorização da commodity reflete o aumento da tarifas de frete em razão da guerra no Oriente Médio, segundo analistas.
Segundo avaliação da Nanhua Futures , no longo prazo, a demanda tende a permanecer pressionada pela queda de rentabilidade das siderúrgicas chinesas diante de custos mais elevados.
Cenário internacional
Nos EUA, a agenda econômica da semana tem como destaque a divulgação, na sexta-feira, do índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, indicador acompanhado de perto pelo mercado por oferecer sinais sobre o comportamento do consumo e das expectativas inflacionárias.
No cenário geopolítico, o Irã afirmou que poderá atacar sistemas de energia e abastecimento de água de países do Golfo caso os Estados Unidos cumpram a ameaça de atingir a rede elétrica iraniana nos próximos dias.
Em publicação na rede social X, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que instalações de energia no Oriente Médio podem ser “irreversivelmente destruídas” caso usinas iranianas sejam bombardeadas.
A declaração veio após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertir que usinas de energia do Irã seriam alvo de ataques caso o Estreito de Ormuz não fosse totalmente reaberto em até 48 horas.
No sábado, Trump afirmou que Washington avalia reduzir sua operação militar contra o Irã, alegando que o país estaria próximo de atingir seus objetivos estratégicos. O presidente americano também voltou a defender que outros países assumam a liderança na fiscalização do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda desta segunda-feira é esvaziada, mas os próximos dias concentram indicadores relevantes para o mercado. Entre os destaques está a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulgada nesta terça-feira. Na quinta-feira, sai o IPCA-15 de março, considerado uma prévia da inflação oficial.
Além disso, o Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central também será divulgado ao longo da semana, trazendo novas projeções para crescimento, inflação e juros.
Outros indicadores importantes incluem os dados de emprego da Pnad Contínua de fevereiro, que serão publicados na sexta-feira e podem influenciar as expectativas do mercado para a trajetória da Selic.
A agenda fiscal também ganha atenção. Está prevista para esta semana a divulgação do primeiro Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas de 2026, considerado um termômetro da meta fiscal. Há ainda a possibilidade de publicação dos dados de arrecadação federal do mês passado.
Na sexta-feira, além dos dados de emprego, o Banco Central divulga a nota à imprensa do setor externo, com informações sobre o balanço de pagamentos e o Investimento Direto no País (IDP). No mesmo dia, a Aneel anunciará a bandeira tarifária de energia elétrica para o próximo período.
No noticiário corporativo e político, o caso envolvendo o banco Master ganhou novos desdobramentos. Segundo a Bloomberg, Daniel Vorcaro já teria assinado um acordo de colaboração com as investigações, em um processo que pode gerar repercussões políticas relevantes em ano eleitoral.
Reportagem do Estadão apontou que Vorcaro teria criado uma estrutura jurídica nos Estados Unidos, tendo a ex-noiva como beneficiária, que incluiria uma casa avaliada em cerca de R$ 450 milhões em Miami.
A defesa do banqueiro nega as acusações e afirma que a ex-companheira não possui imóveis adquiridos a partir do relacionamento.
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Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: informou que não foi notificada sobre decisão judicial que suspendeu licença ambiental para etapa do pré-sal da Bacia de Santos e reiterou que cumpriu todas as exigências do processo de licenciamento.
- CSN: contratou empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão como parte da estratégia de alongamento do perfil da dívida e antecipação de recursos ligados a desinvestimentos.
- Totvs: aprovou pagamento de R$ 104,2 milhões em juros sobre capital próprio, equivalente a R$ 0,18 por ação.
- Azul: recebeu sua 42ª aeronave Embraer E195-E2, modelo que reduz custos operacionais e emissões, reforçando a estratégia de eficiência da companhia.
- Claro / Desktop: a controladora da Claro adquiriu 73,01% da Desktop por cerca de R$ 2,4 bilhões, ampliando presença no mercado de banda larga.
- Zamp: aprovou proposta de grupamento de ações de 1.000 para 1 com o objetivo de simplificar a estrutura acionária após o fechamento de capital.











