O setor de serviços deve enfrentar o maior impacto negativo durante a transição para o novo modelo de impostos proposto pela Reforma Tributária no Brasil. A avaliação é de Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, durante o Autocom Summit 2026 nesta terça-feira (31).
Ao longo do painel, o executivo afirmou que, com o processo transitório mais longo para a adaptação dos tributos, as dificuldades podem ser enfrentadas de forma mais serena. “Quem atuar e ampliar automação sairá como ‘vencedor’; já o setor de serviços e indústria deve ser o mais afetado”, disse Solmucci.
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Elevação da carga tributária em foco no setor de serviços
O deputado federal Domingos Sávio (PL) corroborou a análise de Solmucci e classificou como “irrazoável” a projeção de aumento para o setor de serviços.
Atualmente, muitas empresas operam com uma carga tributária próxima a 10%. Mas, com o novo sistema que unifica tributos na CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal, e no IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), gerido por estados e municípios e a alíquota padrão estimada em 27%, o setor pode ver seus custos tributários mais do que dobrarem.
“O setor precisará passar por revisão [durante a reforma tributária]. Não é razoável o volume de carga subir mais de 100% em um único setor; nós vamos ter situações absurdas, e isso vai impactar no bolso do consumidor e acabar com o emprego”, avaliou Sávio.
O setor de serviços é caracterizado por ter a folha de pagamentos como principal custo, a qual não gera créditos tributários no novo modelo.
Como o IVA permite abater apenas o imposto pago em insumos físicos, empresas que dependem essencialmente de mão de obra acabam tributadas sobre quase todo o seu faturamento.
Para Solmucci, “se desonerarmos a folha de salários, começando pelo salário líquido, nós vamos beneficiar de uma maneira muito especial o setor de serviços. Beneficiaremos a sociedade inteira brasileira, que atualmente conta com cerca de 40% da população na informalidade”.
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Riscos para a competitividade do Simples Nacional e o split payment
O Simples Nacional, regime simplificado para micro e pequenas empresas, também gera preocupação. A mecânica de não cumulatividade — em que uma empresa abate o imposto pago na etapa anterior — pode isolar os pequenos negócios.
Se uma empresa do Simples não transferir créditos tributários na mesma proporção que uma grande concorrente, ela se torna “menos interessante” para compradores corporativos (B2B). Segundo o deputado, isso pode forçar a exclusão de pequenas empresas do mercado por falta de atratividade fiscal.
Outro ponto crítico é o split payment — separação automática do imposto no momento do pagamento. Quando o cliente paga por um serviço, o valor é dividido: uma parte vai para a empresa e a outra, diretamente, para o governo.
Segundo os painelistas, a preocupação reside na responsabilidade do crédito. No novo modelo, o comprador só terá direito ao crédito tributário se o imposto tiver sido efetivamente recolhido pelo fornecedor. Isso transfere para a empresa a tarefa de conferir a saúde fiscal de seus parceiros para não perder o direito ao abatimento.
O modelo de divisão de pagamentos, no entanto, não preocupa o setor de bares e restaurantes, como avaliou Solmucci em entrevista ao Monitor do Mercado no ano passado. Clique aqui para conferir a conversa.
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Adaptação estratégica e automação durante a reforma tributária
A reforma também altera a lógica de investimentos. Leonardo Severini, presidente da UNECS | ABAD, destacou que o setor de comércio e serviços mudará sua estratégia de “lógica fiscal” para “lógica geográfica”.
Sem os benefícios fiscais estaduais, a localização de centros de distribuição será decidida apenas pela eficiência logística.
Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, afirmou que bares e restaurantes conseguiram uma alíquota 40% menor que a padrão, mas reforçou que a automação será a divisora entre “vencedores e perdedores”. A digitalização total de notas e pagamentos será obrigatória para que as empresas consigam operar sem perdas no novo sistema.
Atualmente, o governo processa cerca de 70 bilhões de documentos fiscais por ano, volume que deve crescer com o rastreamento item a item das novas regras.











