Cerca de 45% das exportações brasileiras para os Estados Unidos já estão entrando no país sem as sobretaxas impostas no ano passado por Donald Trump. O volume equivale a aproximadamente US$ 14 bilhões em produtos, incluindo alimentos, insumos e componentes industriais, segundo a Amcham Brasil.
O dado apresentado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) nesta terça-feira (7) mostra uma melhora na relação entre os países e nas condições de acesso ao mercado norte-americano durante um processo de transição. Ainda assim, incertezas regulatórias e tarifárias seguem no radar.
Em 2025, as sobretaxas chegaram a atingir quase 80% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, especialmente produtos industriais. A partir de setembro do ano passado, houve uma mudança no cenário, com retomada do diálogo entre os governos e melhora gradual nas condições comerciais.
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“Estamos diante de um cenário mais favorável — mas ainda em transição e sujeito a mudanças”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham.
Empresas apontam cautela no cenário
Apesar da melhora, a pesquisa inédita da Amcham apresentada durante o Encontro Empresarial BR-US – 4ª edição, em São Paulo, com cerca de 90 empresas exportadoras, indica que o ambiente ainda exige atenção.
Entre os principais pontos levantados:
- 86% demonstram preocupação com novos aumentos tarifários
- 76% citam incerteza regulatória e comercial
- 46% apontam riscos ligados à investigação da Seção 301
A Seção 301 é um mecanismo da legislação dos Estados Unidos que permite a aplicação de tarifas comerciais em resposta a práticas consideradas desleais.
Além disso, cerca de 40% das empresas avaliam que ainda é cedo para medir os efeitos das mudanças recentes, enquanto aproximadamente um terço já indica intenção de ampliar exportações.
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Comércio bilateral supera US$ 100 bilhões
O fluxo de comércio entre os dois países já supera US$ 100 bilhões por ano, considerando bens e serviços. De acordo com Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, a relação é sustentada principalmente pelo setor privado. “São as empresas que dão concretude a uma parceria que produz benefícios reais para as duas economias”, disse.
Segundo ele, empresas dos dois países são responsáveis por impulsionar o comércio e ampliar a integração econômica.
Diálogo entre governos ganha prioridade
A pesquisa também aponta que mais de 90% das empresas defendem o diálogo entre Brasil e Estados Unidos como principal caminho para avançar na relação bilateral.
Entre os temas em discussão estão: redução de tarifas e barreiras comerciais; regras de propriedade intelectual; e avanços na economia digital
As barreiras não tarifárias incluem exigências regulatórias e técnicas que podem dificultar o acesso de produtos a determinados mercados.
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Agenda econômica para 2026
A Amcham pretende apresentar aos candidatos à Presidência uma agenda com propostas para fortalecer o ambiente de negócios e ampliar a competitividade.
Entre os pontos estão:
- Equilíbrio fiscal e melhoria das contas públicas
- Avanços em educação e segurança pública
- Expansão das relações comerciais com os Estados Unidos
No campo bilateral, a entidade defende maior integração em áreas como tecnologia, minerais críticos, infraestrutura digital e agronegócio.











