A inflação brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), voltou a acelerar em março e subiu 0,88%, acumulando uma alta de 4,14% nos últimos 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado divulgado nesta sexta-feira (10) superou as projeções de mercado, que indicavam uma alta de no máximo 0,82%, e foi puxado principalmente pelos grupos Transportes e Alimentação e Bebidas. No acumulado do ano, o índice registra alta de 1,92%.
O cenário de incertezas no exterior começa a aparecer nos dados de inflação no Brasil, segundo o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves. “Em alguns subitens, especialmente nos combustíveis, já se sente o efeito das incertezas no cenário internacional”, disse.
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Combustíveis e alimentos pressionam o IPCA
Os nove grupos pesquisados pelo IBGE registraram alta de preços em março. Transportes liderou, com avanço de 1,64%, seguido por Alimentação e Bebidas, com 1,56%.
Os grupos Transportes e Alimentação responderam por 76% do IPCA de março. Em Transportes, a gasolina subiu 4,59% e teve o maior impacto individual no índice, com 0,23 ponto percentual. Também houve alta nas passagens aéreas (6,08%) e no diesel (13,90%), ainda que com menor peso no resultado.
Já em Alimentação, itens como leite longa vida (11,74%) e tomate (20,31%) foram os principais destaques. Juntos, esses subitens ajudaram a elevar o índice, refletindo custos mais altos ao longo da cadeia, como transporte e energia.
Para Gonçalves, “no grupo alimentação, em especial na alimentação em casa, a aceleração no nível de preços foi mais evidente, com a alta de 1,94%, a maior desde abril de 2022 (2,59%), combinando efeitos de redução de oferta de alguns produtos com altas do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros”
Guerra no Oriente Médio entra na inflação
A alta dos combustíveis já reflete efeitos do cenário externo, especialmente as tensões no Oriente Médio. O encarecimento do petróleo eleva o custo do transporte e tende a ser repassado ao consumidor.
Segundo o economista Maykon Douglas, os impactos começam a aparecer mesmo com medidas de alívio adotadas pelo governo. Ele afirma que o fluxo de notícias segue volátil e que, mesmo com um eventual acordo de paz, o mercado de petróleo deve permanecer pressionado por algum tempo.
Na prática, isso indica que os preços da commodity podem se estabilizar em níveis mais altos do que antes do conflito, mantendo pressão sobre a inflação.
O resultado acima do esperado reforçou o viés de alta para a projeção do IPCA ao final de 2026, segundo o banco Daycoval. “Esse resultado, somado ao recente conflito no Oriente Médio e a possibilidade de um clima mais adverso no segundo semestre, com a ocorrência do El Niño, reforça o viés de alta para a nossa projeção de inflação, atualmente em 4,2% ao final deste ano”, disse Julio Barros, economista do Daycoval, em relatório enviado ao Monitor do Mercado.
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Mercado avalia próximos passos da Selic
Apesar da alta do índice cheio, economistas apontam que a inflação subjacente segue mais moderada. Esse indicador exclui itens mais voláteis, como alimentos e energia, e ajuda a medir a tendência dos preços no médio prazo.
Relatórios de instituições como Capital Economics, Daycoval e Inter indicam que o Banco Central pode manter o ritmo de cortes da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual.
Para Maykon Douglas, esse contexto exige cautela do Banco Central. Segundo ele, mesmo sem o conflito, a autoridade monetária já teria de manter atenção ao ritmo da inflação. Com o cenário geopolítico, essa necessidade se intensifica.











