A região da Basilicata, no sul da Itália, abriga um dos mais antigos assentamentos humanos continuamente ocupados do planeta. Os bairros de pedra conhecidos como Sassi di Matera formam uma paisagem urbana singular, com casas, igrejas e até hotéis escavados diretamente na rocha calcária.
Qual é a origem dessa cidade esculpida nas rochas?
Escavações arqueológicas indicam que os primeiros habitantes se instalaram nos desfiladeiros de Matera por volta do ano 7000 a.C. As grutas naturais foram ampliadas ao longo dos séculos para criar cômodos interligados e até complexos monásticos subterrâneos.
O local prosperou durante a Idade Média, quando monges bizantinos e beneditinos escavaram mais de 150 igrejas rupestres nas paredes do cânion. Muitas ainda preservam afrescos originais datados do século VIII.

Por que os Sassi di Matera são considerados Patrimônio Mundial?
Em 1993, a UNESCO inscreveu o conjunto na lista de bens culturais da humanidade. O reconhecimento veio tanto pela excepcionalidade arquitetônica quanto pelo testemunho de uma civilização que se adaptou a condições ambientais extremas.
Os Sassi representam um exemplo notável de uso inteligente do solo e dos recursos naturais. O sistema de coleta de água da chuva e a ventilação passiva das cavernas influenciaram práticas de arquitetura bioclimática muito antes do termo existir.
Leia também: 3 cidades no Sul do Brasil com segurança de primeiro mundo e saúde pública de ponta para curtir a aposentadoria
Como as cavernas se transformaram em bairros luxuosos?
A virada aconteceu nas últimas duas décadas, quando o estigma de pobreza extrema deu lugar a um ambicioso projeto de revitalização. O poder público realocou as famílias que viviam sem saneamento e abriu caminho para a restauração dos espaços.
Hoje, muitos desses antigos lares trogloditas abrigam hotéis boutique e residências com design contemporâneo. O contraste entre as paredes de pedra milenar e o conforto do século XXI atrai visitantes do mundo inteiro.
A influência do cinema e da cultura pop
Produções como “A Paixão de Cristo” e o recente “007 – Sem Tempo para Morrer” escolheram Matera como locação. A exposição global acelerou o fluxo turístico e consolidou a cidade como destino de luxo discreto.
Como era a vida nas cavernas antes da revitalização?
Até meados do século XX, famílias numerosas dividiam com animais de criação os mesmos ambientes úmidos e pouco iluminados. A falta de eletricidade e de esgoto provocou graves problemas de saúde pública, incluindo altas taxas de malária infantil.
O escritor Carlo Levi descreveu essa realidade no livro “Cristo si è fermato a Eboli”. O relato chocou a Itália do pós-guerra e levou o governo a declarar os Sassi uma “vergonha nacional”, iniciando o êxodo forçado dos moradores para bairros novos.

O que visitar nos Sassi di Matera hoje?
O passeio começa pelo Sasso Caveoso, que preserva a aparência mais bruta das habitações originais. Já o Sasso Barisano exibe a faceta renovada, com galerias de arte, restaurantes e lojas de artesanato ocupando os antigos estábulos escavados.
Confira as experiências mais autênticas:
- Casa Grotta di Vico Solitario: residência musealizada que reproduz fielmente o cotidiano de uma família nos anos 1950.
- Cripta do Pecado Original: igreja rupestre com afrescos do século IX, conhecida como a “Capela Sistina do rupestre”.
- Palombaro Lungo: imensa cisterna subterrânea que armazenava água para toda a população medieval.
- Parco della Murgia Materana: lado oposto do cânion, com dezenas de igrejas escavadas e trilhas com vista panorâmica.
Vale a pena se hospedar em um hotel dentro da rocha?
A experiência de dormir em um quarto com paredes de calcário de milhões de anos é inesquecível. O isolamento térmico natural das grutas mantém a temperatura agradável mesmo nos picos do verão mediterrâneo.
Os estabelecimentos da região seguem rígidas normas de preservação. Qualquer intervenção estrutural exige autorização de órgãos de tutela do patrimônio, o que garante a integridade do conjunto Sassi di Matera para as próximas gerações.











