Você já imaginou uma máquina de 2.600 toneladas cavando túneis sob o chão de São Paulo enquanto instala concreto e remove terra ao mesmo tempo? O tatuzão faz exatamente isso: uma tuneladora colossal que parece um edifício deitado e que está ampliando o metrô sem fechar avenidas inteiras.
O que é o tatuzão e por que ele tem esse nome?
O nome oficial é tuneladora, mas no Brasil ganhou o apelido de tatuzão porque, assim como o tatu, cava túneis rapidamente sob a terra. A semelhança com o animal fez o apelido grudar já na construção das primeiras linhas de metrô.
Segundo a definição técnica, uma tuneladora é uma máquina capaz de escavar túneis de seção circular com eficiência em diferentes tipos de solo, da rocha mais dura a terrenos arenosos.

Como o tatuzão consegue escavar túneis?
A parte dianteira do tatuzão é uma roda de corte que gira e desgasta o solo. Os discos de aço giram em alta pressão, triturando rocha e terra. Enquanto a cabeça avança, o restante da máquina remove o material escavado e instala anéis de concreto para revestir o túnel.
Por dentro, o tatuzão é uma verdadeira fábrica móvel. Conta com refeitório, cabine de enfermagem, esteira rolante para retirada de terra e cabine de comando. Tudo opera em três turnos diários, com cerca de 150 profissionais envolvidos.
Quais tipos de tatuzão são usados no Brasil?
Nem todo tatuzão funciona do mesmo jeito. O terreno determina o tipo de máquina. No Brasil, três variações aparecem com mais frequência nas obras metroviárias.
Veja os principais modos de operação:
- EPB (Earth Pressure Balance): o tipo mais comum, que equilibra a pressão da terra na frente de corte. Ideal para solos instáveis como argilas e areias.
- Modo aberto (rocha): usado em trechos de rocha firme, onde a estabilidade permite dispensar contrapressão.
- Modo dual (misto): a máquina alterna entre EPB e modo aberto, adaptando-se a terrenos que mudam ao longo do trajeto.
Qual a diferença prática entre EPB e modo aberto?
No modo EPB, a câmara atrás da roda de corte mantém pressão igual à do solo, evitando desmoronamentos. Já no modo aberto, a rocha se sustenta sozinha, e a escavação avança mais rápido. O tatuzão dual mode, como o que opera na Linha 2-Verde, transita entre os dois conforme o terreno exige.

Quais são os maiores projetos do tatuzão no Brasil?
Em 2026, o maior tatuzão da América Latina está em São Paulo. Com 133 metros de comprimento, 11,67 metros de diâmetro e 2.600 toneladas, a máquina chegou da China em março e vai escavar 7 quilômetros entre Penha e Dutra.
A Agência SP detalhou as especificações técnicas do equipamento e confirmou que a escavação desse trecho está prevista para começar no segundo semestre.
Outros projetos em andamento e já concluídos:
| Projeto | Apelido da tuneladora | Peso | Extensão escavada |
|---|---|---|---|
| Linha 6-Laranja | Maria Leopoldina | 2.000 t | 8,9 km |
| Linha 2-Verde (Cora Coralina) | Cora Coralina | 2.100 t | em andamento em 2026 |
| Linha 4-Amarela (SP) | — | ≈2.000 t | 12,8 km (linha inteira) |
| Linha 4 (Rio de Janeiro) | — | ≈2.000 t | 16 km |
Por que o tatuzão é tão importante para a expansão do metrô?
Sem o tatuzão, cavar túneis em cidades como São Paulo exigiria abrir valas enormes, interromper o trânsito e remover milhares de moradores. A escavação subterrânea reduz o impacto na superfície e entrega resultados mais rápidos.
O ritmo impressiona. A Maria Leopoldina bateu o recorde brasileiro ao avançar 41,3 metros em 24 horas. O novo tatuzão da Linha 2-Verde pode chegar a 15 metros por dia em solo e 10 metros por dia em rocha. Quando a expansão da Linha 2-Verde estiver concluída, mais de 700 mil passageiros serão beneficiados diariamente.
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O tatuzão será substituído por outra tecnologia?
O tatuzão não está com os dias contados. A escavação em solo urbano exige precisão absoluta para não danificar edifícios, redes de água e outras estruturas no subsolo. Por enquanto, nada supera a combinação de velocidade, segurança e baixo impacto que uma TBM oferece. Os próximos passos envolvem inteligência artificial para monitorar riscos em tempo real, algo que já está em estudo no Brasil.
Enquanto isso, as tuneladoras continuam rolando — silenciosas, colossais e essenciais para o futuro da mobilidade nas grandes cidades.











