O prejuízo dos Correios chegou a R$ 8,5 bilhões em 2025, mais do que o triplo (226%) em relação aos R$ 2,6 bilhões registrados em 2024, segundo balanço trimestral divulgado pela estatal nesta quinta-feira (23).
A piora foi atribuída a uma combinação de custos operacionais elevados, queda de receitas e aumento das despesas com processos judiciais, além da forte pressão da concorrência com empresas privadas de logística e comércio eletrônico.
A receita líquida somou R$ 17,3 bilhões em 2025, com recuo de 11,35% na comparação anual. O principal fator foi a redução de 65,6% nas encomendas internacionais. No território nacional, o volume de encomendas teve leve queda de 0,5%.
Apesar disso, houve crescimento em outras áreas. O segmento de mensagens avançou 6,8%, enquanto novos negócios cresceram 5,1%.
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Despesas judiciais e estrutura de custos
O resultado foi fortemente impactado pelas despesas com processos judiciais — incluem provisões para perdas consideradas prováveis em ações trabalhistas —, que totalizaram R$ 6,4 bilhões em 2025, um aumento de 55,1% em relação ao ano anterior.
O patrimônio líquido encerrou o período em R$ 13,1 bilhões negativos, indicando que as obrigações superam os ativos da companhia.
Além disso, a estrutura de despesas permanece pressionada por custos com pessoal e pela exigência de universalização, que obriga a empresa a manter presença em todo o território nacional, inclusive em regiões com menor demanda.
Emmanoel Rondon, presidente dos Correios, destacou que o desafio operacional “é muito grande” e que, por conta disso, o plano de reestruturação precisou ser redesenhado. “Os números ainda vão demorar um pouco a melhorar”, completou.
Reestruturação, crédito e liquidez
Em 2024, os Correios foram autorizados pelo Tesouro Nacional a contratar um empréstimo de até R$ 12 bilhões. Os recursos não entram como receita, mas reforçam o caixa e ajudam a manter a operação no curto prazo.
Um plano de reestruturação voltado à redução de custos e reorganização das operações foi implementado. Entretanto, como citado anteriormente por Rondon, os efeitos dessas medidas ainda devem levar tempo para aparecer nos resultados.
Também houve uma renegociação das obrigações com a Receita Federal, que resultou no parcelamento de cerca de R$ 2,5 bilhões em tributos, principalmente PIS e Cofins, em até 60 vezes. Os precatórios também serão parcelados até dezembro de 2026.
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A estatal avalia uma possível capitalização adicional de até R$ 8 bilhões, mas não considera a medida necessária no curto prazo. Segundo a administração, a melhora na liquidez traz maior previsibilidade financeira. A expectativa é de que haja equilíbrio nas contas entre 2026 e 2027.
Plano de Demissão Voluntária (PDV)
O Plano de Demissão Voluntária (PDV), uma espécie de “demissão com incentivo”, teve adesão de 3.748 funcionários, abaixo da meta inicial de 10 mil. Ainda assim, é projetada economia de R$ 147,1 milhões em 2025 e de R$ 775,7 milhões em 2026.
Além disso, os Correios informaram queda de 32% nos custos variáveis com empregados em 2025.











