O que você faria se um vilarejo medieval entre montanhas oferecesse casa, trabalho e uma vida nova para quem quiser chegar? Um pueblo busca vecinos de verdade, não é metáfora. Santo Stefano di Sessanio, na Itália, tem só 115 moradores e lançou um programa que paga para você se mudar para lá. A ideia é simples: estancar o êxodo rural antes que o último comércio feche as portas.
Onde fica o povoado que está recrutando moradores?
Santo Stefano di Sessanio está a 1.250 metros de altitude, no coração do Parque Nacional Gran Sasso e Monti della Laga, região de Abruzzo, centro da Itália. As ruas de pedra e as casas de arquitetura medieval intocada fazem o lugar parecer um pedaço de outro século.
O vilarejo integra a lista dos borghi più belli d’Italia, os povoados mais bonitos do país. O isolamento que assusta alguns é justamente o que atrai quem sonha com uma rotina longe do barulho urbano.

O que o vilarejo oferece para quem quiser se mudar?
A proposta não é simbólica. A prefeitura montou um pacote de incentivos que soma até 44 mil euros por família, distribuídos entre aluguel com preço mínimo, ajuda mensal e verba para abrir um negócio.
São até 8 mil euros por ano durante três anos, mais um aporte único de 20 mil euros para iniciar uma atividade econômica. O dinheiro está vinculado a um plano de residência e trabalho que o candidato precisa apresentar. Veja o que está incluído:
- Casa com aluguel simbólico: valor muito abaixo do mercado
- Ajuda financeira mensal: suporte durante a fase de instalação
- Verba para empreender: recurso para abrir negócio próprio
- Rede de apoio local: estrutura para desenvolver turismo e cultura
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Quem pode se candidatar a viver no vilarejo?
O programa mira pessoas entre 18 e 40 anos que assumam o compromisso de morar no local por pelo menos cinco anos. O objetivo é atrair gente jovem o suficiente para gerar movimento econômico e, ao mesmo tempo, fincar raízes.
Podem participar cidadãos italianos que morem em outras cidades, cidadãos da União Europeia e pessoas com residência permanente válida na Itália. A restrição geográfica existe, mas o espírito da iniciativa é acolhedor: a vila não quer turistas, quer vizinhos.
Que tipo de trabalho dá para criar em Santo Stefano di Sessanio?
A economia do povoado gira em torno do turismo de natureza, da gastronomia típica e da cultura medieval. Pequenos negócios como hospedagem rural, restaurantes e visitas guiadas são os mais indicados, mas também há espaço para ofícios que sustentam o dia a dia local.
O território pertence ao Parco Nazionale del Gran Sasso, o que abre possibilidades para atividades ligadas ao ecoturismo, à fotografia e aos esportes de montanha. A ideia é que cada novo morador traga uma peça que ajude a manter a engrenagem do vilarejo funcionando.

Por que um povoado tão bonito está pedindo moradores?
A paisagem de cartão-postal esconde um problema comum a centenas de pequenas cidades europeias: a despoblación. A maioria dos habitantes atuais são adultos maiores, e há pouquíssimos jovens. Quando a população cai abaixo de um certo nível, escolas fecham, padarias somem e o movimento cotidiano desaparece.
A região de Abruzzo é uma das mais afetadas da Itália. Vilarejos próximos chegaram a passar 30 anos sem registrar um único nascimento. Diante desse cenário, oferecer dinheiro e estrutura para novos moradores deixou de ser uma ideia ousada e virou questão de sobrevivência.











