Apesar da queda no lucro líquido do primeiro trimestre de 2026, que recuou 41,4% na comparação anual, para R$ 244 milhões, as ações da Hapvida (HAPV3) sobem mais de 7% e operam entre as maiores altas do Ibovespa nesta terça-feira (12), impulsionadas pelo balanço melhor que o esperado.
A queda do lucro foi impactada pela dinâmica de utilização dos serviços médicos ao longo do período, influenciada por fatores sazonais, pelo processo de amadurecimento de novas unidades da rede própria e por iniciativas operacionais. O resultado, no entanto, foi parcialmente compensado pelo crescimento da receita, avanço do tíquete médio e disciplina financeira.
O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 346 milhões, recuo de 46,8% na comparação anual. Já o EBITDA ajustado totalizou R$ 803 milhões, queda de 20% frente ao primeiro trimestre de 2025.
A receita líquida da operadora atingiu R$ 7,892 bilhões no período, alta de 5,2% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
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O tíquete médio ficou em R$ 305, avanço de 7,3% na base anual, refletindo reajustes contratuais e mudanças no mix de produtos comercializados.
A dívida líquida encerrou março em R$ 5,16 bilhões, alta de 24% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Com isso, a alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA, ficou em 1,38 vez, aumento de 0,41 vez na comparação anual.
Sinistralidade
A sinistralidade, indicador que mede a proporção da receita consumida pelos custos assistenciais, alcançou 72,2% no período, alta de 0,4 ponto percentual na comparação anual. Na comparação com o último trimestre, porém, houve queda de 3,3 pontos percentuais (p.p.).
As contas médicas somaram R$ 5,697 bilhões, avanço de 5,7% frente ao mesmo período do ano anterior.
Segundo a Hapvida, a sinistralidade continua como principal componente do custo dos serviços prestados e reflete fatores como utilização dos planos, controle de custos, verticalização da operação e sazonalidade. Também foi destacado que, desde janeiro de 2025, os sinistros judiciais passaram a ser contabilizados como custo assistencial, após anteriormente serem registrados como contingências administrativas.
Número de beneficiários
No período, a companhia registrou 8,684 milhões de beneficiários em planos de saúde, queda de 1,3% na comparação anual. O canal corporativo permaneceu como principal carteira da companhia, com 5,035 milhões de beneficiários. Os planos individuais somaram 1,535 milhão de usuários, enquanto os planos por adesão totalizaram 1,448 milhão. O segmento de pequenas e médias empresas (PMEs) encerrou o trimestre com 666 mil vidas.
Segundo a empresa, o segmento PME apresentou evolução positiva em praticamente todas as regiões, com destaque para a Região Metropolitana de São Paulo e Sul do país. Já os canais individual e de adesão continuaram pressionados pela sazonalidade do início do ano, impactados por despesas típicas do período, como IPTU, IPVA e matrículas escolares, além do Carnaval.
Na operação odontológica, a companhia fechou março com 7,190 milhões de beneficiários, alta de 3,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025, que refletiu a estratégia de cross-selling entre produtos de saúde e odontologia, utilizada para ampliar retenção e fidelização de clientes.
Hapvida supera projeções, diz Citi
O Citi afirmou que a Hapvida apresentou resultado considerado acima das estimativas no primeiro trimestre de 2026. O EBITDA ajustado ficou 21% acima da projeção do banco, enquanto a receita veio em linha com o esperado.
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A sinistralidade médica ficou a 2,7 p.p. abaixo de suas estimativas e caiu 3,3 p.p. em relação ao trimestre anterior, refletindo a inflação médica controlada e redução do custo médio por beneficiário. Por outro lado, a análise apontou pressão nas despesas administrativas e comerciais, avanço das contingências judiciais e aceleração de novos depósitos judiciais.
O banco mantém recomendação neutra e de alto risco para as ações, com preço-alvo de R$ 11.
Acionista detona gestão da Hapvida
Um mês atrás, a Squadra Investimentos — uma das maiores acionistas da Hapvida — classificou a perda de 95% do valor de mercado da companhia como “uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro”.
No podcast Ligando os Pontos, Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor do Mercado, explicou como a fusão com a NotreDame Intermédica, anunciada em 2022, tinha como objetivo gerar sinergias, mas, na prática, a integração enfrentou dificuldades operacionais.
Confira o vídeo na íntegra:











