O prejuízo da Natura (NATU3) cresceu 787,6% no primeiro trimestre, somando R$ 445 milhões na comparação anual. O resultado foi pressionado principalmente pela queda da rentabilidade operacional, retração das vendas no Brasil e despesas extraordinárias relacionadas à reorganização da empresa.
Os números divulgados nesta segunda-feira (11) geram pressão nos papéis NATU3, que ocupam a segunda maior queda do Ibovespa, caindo 4,67%.
Resultado financeiro e câmbio pressionam balanço da Natura
O resultado financeiro ficou negativo em R$ 528 milhões no trimestre, piora de 50,3% na comparação anual. De acordo com a Natura, o desempenho foi impactado principalmente pela variação cambial financeira negativa de R$ 261 milhões, relacionada à desvalorização adicional do dólar frente ao real em relação às operações de hedge.
O EBITDA — indicador usado pelo mercado para medir geração operacional de caixa — caiu 46,8% no período, para R$ 346 milhões. A margem EBITDA recuou 7,9 pontos percentuais, para 7,3%.
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A companhia afirmou que cerca de R$ 221 milhões em despesas extraordinárias ligadas à reorganização operacional pressionaram os resultados.
“Mantemos nossa confiança no cumprimento dos compromissos para o ano de 2026, que inclui a evolução da margem anual frente a 2025 e uma robusta geração de caixa”, disse o CEO da Natura, João Paulo Ferreira.
Receita cai com desaceleração no Brasil
A receita líquida recuou 7,7% no trimestre, para R$ 4,745 bilhões. Segundo a empresa, o desempenho no Brasil foi afetado pela desaceleração do consumo, especialmente na região Nordeste, onde a Natura possui maior exposição.
A Avon também continuou pressionada por um período prolongado de baixa inovação antes do relançamento da marca, iniciado apenas no fim de março.
“A pressão do sell-in da Natura persistiu ao longo do primeiro trimestre, enquanto o relançamento da Avon só teve início no final desse período”, afirmou a companhia.
Dívida sobe e fluxo de caixa fica negativo
A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 4,042 bilhões, aumento de R$ 565 milhões em relação ao quarto trimestre de 2025.
Segundo a Natura, a alta refletiu desembolsos extraordinários relacionados à reorganização da companhia, despesas remanescentes do processo de simplificação operacional e o pagamento do acordo judicial com a Chapman.
O índice de alavancagem subiu para 2,12 vezes. Já o fluxo de caixa livre das operações continuadas ficou negativo em R$ 430 milhões no trimestre, ante consumo de R$ 168 milhões no mesmo período do ano anterior.
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Citi vê trimestre fraco e pressão nas margens
O Citigroup avaliou que a Natura teve um primeiro trimestre fraco, com lucro e Ebitda abaixo das estimativas do banco. Segundo os analistas, a receita líquida caiu 8% na comparação anual, enquanto a margem bruta sofreu pressão devido ao aumento das promoções no Brasil e aos impactos cambiais nos mercados hispânicos.
Na avaliação do banco, o principal ponto de atenção foi o desempenho da operação brasileira, especialmente da Avon, que registrou queda de 14% nas vendas.
Apesar disso, o Citi afirmou que a recuperação da Natura segue em andamento e aguarda mais detalhes da companhia sobre possíveis ajustes estratégicos para o segundo semestre. O banco manteve recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 12.
Por outro lado, a Ativa Investimentos manteve recomendação de compra para Natura, com preço-alvo de R$ 16, baseada no crescimento do canal digital e na expansão do varejo físico no Brasil.











