A Petrobras (PETR3; PETR4) registrou lucro líquido de R$ 32,663 bilhões no primeiro trimestre, queda de 7,2% na comparação anual, mas alta de 109,9% em relação ao trimestre anterior. Apesar da queda, a companhia projeta um segundo trimestre positivo com o impacto do petróleo.
Segundo balanço divulgado nesta segunda-feira (11), o resultado foi influenciado principalmente pelo ganho com variação cambial, diante da valorização do real frente ao dólar, além da reversão de impairment — mecanismo contábil relacionado à reavaliação de ativos.
O lucro líquido recorrente, sem eventos exclusivos, somou R$ 23,811 bilhões no período, alta de 0,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e queda de 7,2% frente ao trimestre imediatamente anterior.
A receita de vendas ficou em R$ 123,6 bilhões, avanço de 0,4% na comparação anual, mas recuo de 2,9% ante o quarto trimestre de 2025.
Apesar da perspectiva positiva para os próximos balanços, as ações da Petrobras operam em queda nesta manhã, puxando o Ibovespa para baixo, com PETR4 caindo 1,29% (R$ 45,83) e PETR3 em queda de 0,43% (R$ 50,59).
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Exportações devem impulsionar segundo trimestre da Petrobras
A companhia informou que o efeito da alta do petróleo após o início do conflito no Oriente Médio deve aparecer com mais intensidade apenas nos resultados do segundo trimestre.
A receita com exportações alcançou R$ 41,1 bilhões no trimestre, alta de 28,3% na comparação anual. Em dólar, as exportações somaram US$ 7,8 bilhões, avanço de 42,8%.
Já a receita com derivados ficou em US$ 22,297 bilhões, alta de 11,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a Petrobras, o maior fator de utilização das refinarias e a redução da revenda de combustíveis importados ajudaram os resultados do segmento de refino.
O BTG Pactual reiterou a recomendação de compra para os papéis, citando o crescimento da produção, geração de caixa e com as projeções de aumento nas exportações no próximo trimestre.
Ebitda fica abaixo do esperado
O Ebitda ajustado — indicador usado pelo mercado para medir geração operacional de caixa — alcançou R$ 59,643 bilhões no trimestre, queda de 2,4% na comparação anual e recuo de 0,5% frente ao trimestre anterior.
Já o Ebitda ajustado recorrente somou R$ 61,670 bilhões, com queda anual de 1,0% e avanço trimestral de 4,5%.
Segundo a Petrobras, o aumento dos preços do petróleo e o recorde de produção ainda não foram totalmente capturados nas receitas do período devido à defasagem entre embarque e reconhecimento das exportações.
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A estatal explicou que as vendas internacionais só são contabilizadas quando ocorre a transferência da carga ao comprador no destino final. Além disso, parte dos contratos no mercado asiático utiliza como referência os preços do mês anterior ao desembarque.
O BTG Pactual avaliou que o Ebitda da Petrobras ficou cerca de 10% abaixo das estimativas do banco e do consenso de mercado, principalmente por causa da defasagem na precificação do petróleo exportado.
Segundo os analistas, o fluxo de caixa foi pressionado por um impacto de US$ 1,3 bilhão relacionado ao capital de giro, o que levou ao anúncio de dividendos menores no trimestre.
A dívida líquida da estatal ficou em US$ 62,093 bilhões, alta de 10,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Investimentos avançam e conselho aprova dividendos
Os investimentos (capex) somaram US$ 5,107 bilhões, avanço de 25,6% na comparação anual, puxados principalmente por projetos no pré-sal da Bacia de Santos e pela revitalização do campo de Marlim, na Bacia de Campos.
O conselho de administração aprovou o pagamento de R$ 9,03 bilhões em remuneração aos acionistas, equivalentes a R$ 0,70097272 por ação ordinária e preferencial.
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Os pagamentos serão feitos em duas parcelas de juros sobre capital próprio (JCP), previstas para agosto e setembro. Na B3, a data-base será em 1º de junho, com as ações passando a ser negociadas “ex-direitos” a partir de 2 de junho.
Itaú BBA e Citi apontam impacto temporário
O Itaú BBA também afirmou que os resultados vieram abaixo do esperado, principalmente por questões temporais ligadas ao reconhecimento das exportações. Para o banco, a alta recente do petróleo deve beneficiar os resultados do segundo trimestre, tanto em lucro quanto em dividendos.
Já o Citigroup destacou que a Petrobras não capturou integralmente a valorização do Brent no trimestre e apontou dividendos menores do que o esperado.
Mesmo assim, o Citi afirmou que parte desse efeito deve ser compensada nos próximos meses, conforme o avanço das exportações e dos preços internacionais do petróleo.











