A inflação nos Estados Unidos, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI), voltou a acelerar em abril, marcando alta de 0,6%, após avanço de 0,9% em março, conforme dados divulgados pelo Departamento do Trabalho nesta terça-feira (12).
No acumulado de 12 meses, a inflação atingiu 3,8%, maior nível anual desde maio de 2023. O dado reforça a avaliação de que as pressões inflacionárias continuam espalhadas pela economia americana, especialmente nos segmentos de energia e habitação.
- Estratégia clara, decisões certeiras. Evite armadilhas e proteja seus investimentos com um método testado. Baixe agora!
Os mercados em Wall Street reagiram negativamente ao relatório de inflação. Na abertura, o índice Dow Jones caía 156 pontos, enquanto o S&P 500 recuava 0,39% e o Nasdaq registrava baixa de 0,66%.
A combinação entre inflação persistente, petróleo mais caro e perspectiva de juros elevados aumentou a cautela entre investidores.
O movimento também reforçou preocupações de que os custos de energia continuem pressionando a inflação americana e adiando um eventual início do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Energia e petróleo ampliam pressão inflacionária nos EUA
O avanço dos preços de energia teve papel central no resultado do mês. O índice do setor subiu 3,8% em abril na comparação mensal, depois de registrar alta de 10,9% em março. Em 12 meses, os preços de energia acumulam avanço de 17,9%.
A escalada das tensões envolvendo Irã e Estados Unidos elevou os preços do petróleo, impactando diretamente combustíveis como gasolina, diesel e querosene de aviação. Economistas apontam que os efeitos indiretos desse movimento ainda devem aparecer nos próximos meses.
Os preços dos alimentos também avançaram. O subíndice do setor subiu 0,5% em abril, após estabilidade no mês anterior. Na comparação anual, a alta acumulada é de 3,2%.
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, avalia, no entanto, que o resultado mostra uma inflação que não se restringe somente a preço de energia e mesmo em moradia voltou a preocupar, indicando um problema que vai além dos impactos da guerra do Irã.
Núcleo da inflação acelera acima do esperado
O núcleo do CPI, indicador que desconsidera itens mais voláteis como alimentos e energia, subiu 0,4% em abril, após avanço de 0,2% em março. No acumulado de 12 meses, o núcleo da inflação acelerou para 2,8%, acima da expectativa do mercado, que projetava 2,7%.
Segundo o relatório, parte da alta mensal foi influenciada por um ajuste pontual nos cálculos de aluguel. A mudança ocorreu após a paralisação do governo federal americano no ano passado ter prejudicado a coleta de dados em outubro.
Andressa Durão, economista do ASA, destaca uma surpresa baixista na inflação subjacente de bens, que permanece rodando baixa, enquanto a inflação de serviços ficou acima do esperado pelo consenso, impulsionada por hotéis, aluguel de moradia e outros serviços pessoais.
A economista avalia que o supercore de serviços, que exclui os preços de aluguéis, ficou bem acima do esperado pela maioria dos analistas do mercado, sugerindo que a inflação no setor está bem pressionada.
- Quem tem informação, lucra mais! Receba as melhores oportunidades de investimento direto no seu WhatsApp.
Mercado reduz expectativa de corte de juros
Alves avalia que, com a inflação persistente acima da meta e dados recentes do mercado de trabalho (payroll e ADP na semana passada), mostrando resiliência da economia, o mercado mantém a visão de que o Fed não deve cortar juros em 2026 e aumenta o risco de que o mercado comece a precificar alta nas taxas em 2027.
Além disso, o especialista prevê como consequência a manutenção dos yields dos treasuries elevados, especialmente nos vencimentos mais curtos, com tendência de pressionar eventualmente o dólar para cima. Em paralelo, o yield brasileiro também deve subir, e o diferencial de juros ainda alto, acaba favorecendo o real.
Com a inflação ainda distante da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve (Fed), investidores passaram a apostar em um período mais prolongado de juros elevados nos Estados Unidos. No mês passado, o Banco Central manteve a taxa básica na faixa entre 3,5% e 3,75%.
Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, os investidores agora esperam que os juros permaneçam inalterados até o fim do ano. Antes da intensificação do conflito envolvendo o Irã, operadores do mercado projetavam dois cortes de juros em 2026.











