O Brasil caminha para um mês de maio próximo do recorde nas exportações de commodities agrícolas, puxado principalmente pela soja, que tem possibilidade de atingir 16 milhões de toneladas vendidas, segundo análise de Guto Gioielli, analista CNPI e fundador do Portal das Commodities.
Em vídeo publicado nesta terça-feira (13) no YouTube do Portal, ele apontou crescimento nos embarques de soja, milho, café e proteínas animais.
Segundo Gioielli, abril já havia registrado o maior volume mensal da história. “O mês de abril foi recorde para a exportação de soja, com quase 17 milhões de toneladas”, disse.
China segue como principal destino da soja
A China continua sendo o principal comprador da soja brasileira. Segundo Gioielli, o país respondeu por quase 79% das exportações brasileiras do grão em 2025. Neste ano, o fluxo segue forte. “Já exportamos 40 milhões de toneladas e a China continua sendo nosso grande comprador”, afirmou.
O analista também comentou a viagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China. Segundo ele, o mercado monitora possíveis tentativas dos norte-americanos de ampliar as vendas de soja ao mercado chinês.
“O Trump está lá para falar: ‘para de comprar no Brasil e vem comprar da gente’. Mas o nosso preço é imbatível”, declarou. Confira a análise na íntegra:
Café ganha ritmo antes da colheita
O café também apresentou avanço nas exportações brasileiras. Segundo Gioielli, produtores têm aproveitado os preços elevados antes da entrada da safra mais intensa, prevista para os próximos meses. “O pessoal está aproveitando a cotação alta do café antes que venha o grosso da safra”, afirmou.
Ele explicou que parte dos produtores acelerou a colheita para aproveitar o cenário atual. “Estão colhendo até café meio verde para conseguir jogar no mercado”, disse.
Nos quatro primeiros meses do ano, o Brasil exportou cerca de 10 milhões de sacas de café. Segundo o analista, o mercado trabalha com expectativa de embarques entre 45 milhões e 50 milhões de sacas em 2026.
Milho avança após início fraco em 2025
As exportações de milho também aceleraram neste início de ano. Segundo Gioielli, o volume diário embarcado cresceu mais de 980% na comparação anual. “Saímos de 1.800 toneladas para 20 mil toneladas por dia”, afirmou.
O analista explicou que o primeiro semestre de 2025 foi marcado por baixa disponibilidade do cereal no mercado brasileiro, o que limitou as exportações naquele período.
Apesar de problemas climáticos em estados como Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, a produção no Mato Grosso tem compensado parte das perdas. “O milho no Mato Grosso está muito bom, acima das expectativas, podendo compensar outros estados”, disse.
Carne bovina pode ganhar espaço nos EUA
As exportações brasileiras de carne bovina também seguem em ritmo elevado. Nos quatro primeiros meses do ano, o Brasil embarcou 843 mil toneladas do produto, acima do registrado no mesmo período do ano passado.
Segundo Gioielli, a China continua como principal destino, mas o limite de importação imposto pelo país asiático pode restringir novos avanços. “A China já disse que a gente alcançou 50% da cota deles”, afirmou.
Por outro lado, o analista vê oportunidade nos Estados Unidos, que enfrentam redução histórica do rebanho bovino por causa da seca. Segundo Gioielli, o país está com o menor rebanho dos últimos 75 anos.
Segundo Gioielli, os norte-americanos podem precisar importar até 2,6 milhões de toneladas de carne. O Brasil poderia atender parte dessa demanda caso haja redução das tarifas de importação. “Existe a possibilidade de a gente mandar muita carne para lá”, afirmou.
Café, soja e petróleo fecham sem direção única
No mercado internacional, o café arábica perdeu força após tentar recuperação técnica. Já o robusta voltou a superar os US$ 3.500 por tonelada, mas sem conseguir atingir os US$ 3.600.
A soja encerrou o quarto pregão seguido de alta em Chicago, enquanto o milho terminou estável.
O petróleo recuou após testar níveis próximos de US$ 115 por barril. Segundo Gioielli, o mercado acompanha possíveis desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e China.
“Vamos ficar de olho no que está acontecendo lá na China, que pode trazer balanços para nós aqui”, afirmou.











