Os mercados de milho e soja registraram forte correção nesta quinta-feira (14), após divulgação de novos dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e realização de lucros nas bolsas internacionais. A análise foi feita por Guto Gioielli, analista CNPI e fundador do Portal das Commodities.
Segundo ele, os investidores reagiram ao aumento da oferta projetada para o Brasil e à falta de novidades nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China. “Lá nos Estados Unidos, grandes realizações de lucro na soja e no milho”, afirmou Gioielli.
Soja recua após frustração com China
A soja devolveu os ganhos acumulados nos quatro pregões anteriores na Bolsa de Chicago. Segundo Gioielli, o movimento foi intensificado após o mercado receber de forma negativa as primeiras informações sobre a reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping.
- Investir em café com estratégia profissional é possível — saiba como ativar o Copy Invest do Portal das Commodities.
“O mercado está muito decepcionado com isso”, disse. Segundo ele, parte dos investidores esperava novos acordos de compras agrícolas pela China, incluindo soja, milho, trigo e etanol. No entanto, até o momento, as negociações indicam apenas a manutenção de acordos anteriores.
A expectativa frustrada provocou queda superior a 30 centavos de dólar por bushel no início do pregão. Além disso, o mercado também acompanha o aumento da área plantada de soja nos Estados Unidos e a perspectiva de maior oferta global.
Confira a análise na íntegra:
Conab eleva projeção de safra de soja
Os números divulgados pela Conab também pressionaram o mercado. A estatal elevou a projeção da safra brasileira de soja para 180 milhões de toneladas.
O volume supera a estimativa do IBGE, de 174 milhões de toneladas. Segundo Gioielli, independentemente da metodologia utilizada, o cenário aponta ampla oferta. “Seja um número ou outro, é muita soja”, afirmou.
A Conab também elevou a previsão de exportações brasileiras para 116 milhões de toneladas, acima das 108 milhões embarcadas anteriormente. O estoque final foi estimado em 10 milhões de toneladas, acima da média dos últimos cinco anos.
Milho sofre pressão com oferta elevada
O milho também registrou forte correção em Chicago. Segundo Gioielli, além da realização de lucros, o mercado foi pressionado por dados fracos das exportações norte-americanas e pelo aumento da produção na Argentina. “As vendas ficaram muito abaixo das projeções dos analistas”, afirmou.
As exportações semanais dos Estados Unidos somaram 684,8 mil toneladas, queda de 50% em relação à semana anterior.
- Seu dinheiro escapa e você nem percebe? Baixe grátis a planilha que coloca as finanças no seu controle!
Outro fator de pressão veio da Argentina. A Bolsa de Rosário elevou a estimativa da safra local para 68 milhões de toneladas, novo recorde do país. “É uma condição de muita oferta e a Argentina concorrendo com a gente”, disse.
Oferta de milho preocupa mercado brasileiro
A Conab estimou produção total de milho em 140,1 milhões de toneladas, praticamente estável na comparação anual. Segundo Gioielli, o problema não está apenas no tamanho da safra, mas na dificuldade de exportar volumes suficientes diante da concorrência da Argentina e do dólar abaixo de R$ 5.
“O grande problema do milho é não conseguir exportar o volume suficiente para tirar esse excesso”, disse.
O analista também comentou que produtores endividados podem ampliar a pressão de venda no mercado físico. “Tem muito produtor entregando milho para fazer caixa e pagar dívida”, afirmou.
Segundo ele, isso pode aumentar a oferta disponível no curto prazo e limitar reações mais fortes nos preços.
- Veja como um analista fez R$ 25 mil de lucro operando café — clique aqui e descubra como você pode seguir essa estratégia.
Café segue travado antes da colheita
O café operou em queda nesta quinta-feira, pressionado pela valorização do dólar e pela queda do petróleo. Para o analista, o mercado segue sem força para romper as faixas atuais de preço. “Não tem força nem para subir, também não para cair”, afirmou.
O contrato mais líquido do arábica continua oscilando dentro de um intervalo entre 272 e 283 centavos de dólar por libra-peso. O analista destacou que a colheita ainda avança lentamente no Brasil, fator que ajuda a limitar quedas mais fortes.
Dados do Cepea/Esalq mostram que os trabalhos atingiram entre 3% e 5% da área total até o início de maio. Além disso, problemas climáticos na Índia também seguem no radar do mercado. Segundo o USDA, excesso de chuvas seguido de seca durante a floração afetou a produtividade local.











