O Nubank (ROXO34) registrou lucro líquido de US$ 871 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 41% em relação ao mesmo período do ano passado, desconsiderando os efeitos do câmbio. O resultado foi impulsionado pelo crescimento da carteira de crédito e pelo avanço das receitas.
A receita total da fintech superou US$ 5 bilhões pela primeira vez, segundo balanço. Já o retorno sobre o patrimônio (ROE, na sigla em inglês), indicador que mede a rentabilidade em relação ao capital dos acionistas, ficou em 29%, ante 27% um ano antes.
Apesar dos resultados positivos, as ações da Nubank (ROXO34) caem mais de 4% nesta sexta-feira (15), refletindo a preocupação do mercado com o avanço das provisões, o aumento do custo de risco e a redução dos indicadores de capital.
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Em relatório, o Citi avaliou que os resultados vieram próximos das estimativas, mas apontou piora em indicadores de risco e capital. Para os analistas, a principal pressão veio do aumento do custo de risco, que reduziu a margem financeira líquida ajustada ao risco de 10,5% no trimestre anterior para 9,5%.
Outro ponto observado pelo banco foi o aumento das operações classificadas em “Stage 2” e “Stage 3”, categorias usadas para medir o risco de crédito. O movimento elevou dúvidas sobre a necessidade de novas provisões nos próximos trimestres.
Além disso, o índice de Capital Principal de Nível 1 (CET1), indicador que mede a capacidade do banco de absorver perdas, caiu de 13% para 11,3%, refletindo o crescimento acelerado dos ativos ponderados pelo risco.
Receita com juros bate recorde
A receita financeira líquida de juros (NII) — diferença entre os juros recebidos em operações de crédito e os juros pagos pela instituição — atingiu US$ 3,25 bilhões no trimestre, crescimento de 12% em relação ao trimestre anterior.
Segundo o Nubank, a margem líquida de juros avançou para 21,1%, refletindo o crescimento da carteira de crédito em ritmo superior ao das despesas financeiras.
A carteira total de crédito chegou a US$ 37,2 bilhões, alta anual de 40% e avanço trimestral de 7%. Os cartões de crédito responderam por US$ 24,3 bilhões desse total, enquanto os empréstimos sem garantia somaram cerca de US$ 10 bilhões e os empréstimos com garantia, US$ 3 bilhões.
O fundador e CEO do Nubank, David Vélez, afirmou que a inteligência artificial teve papel relevante na expansão da carteira de crédito nos últimos 12 meses.
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Inadimplência sobe no curto prazo
A inadimplência acima de 90 dias ficou em 6,5%, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado e ao trimestre anterior. Já a inadimplência entre 15 e 90 dias subiu para 5%, ante 4,1% no quarto trimestre de 2025 e 4,8% um ano antes.
As provisões para perdas com crédito, que funcionam como uma reserva para possíveis calotes, totalizaram US$ 1,79 bilhão, alta de 33% no trimestre.
O diretor financeiro do Nubank, Guilherme Lago, afirmou que o aumento foi provocado por fatores como sazonalidade, crescimento da carteira e mudança no mix de produtos, e não por deterioração da qualidade da carteira.











