O município de Tomé-Açu, localizado no nordeste do estado do Pará, guarda um dos capítulos mais improváveis da imigração no Brasil. Esta pacata cidade isolada na selva amazônica foi construída por japoneses e se tornou a capital mundial da pimenta preta, revolucionando a agricultura local.
Como imigrantes japoneses prosperaram no meio da floresta densa?
A chegada das primeiras famílias japonesas em 1929 foi marcada por doenças, como a malária, e pelo fracasso inicial no plantio de hortaliças tradicionais. A virada ocorreu quando os imigrantes perceberam que o clima quente e super úmido da selva era perfeito para o cultivo de uma videira exótica asiática: a pimenta-do-reino.
O sucesso da especiaria transformou a colônia. Registros históricos e relatórios de produção da Embrapa confirmam que a introdução do modelo de cooperativismo oriental foi o que permitiu aos agricultores de Tomé-Açu organizar o beneficiamento e a exportação em massa da pimenta preta para o mundo inteiro.

O que é o Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu (SAFTA)?
Após o declínio do monopólio da pimenta-do-reino devido a doenças fúngicas nas plantações, os agricultores japoneses inventaram o SAFTA. Esse sistema copia a dinâmica da própria floresta: eles plantam cacau, açaí, cupuaçu e pimenta no mesmo lote, misturando espécies altas e baixas para evitar pragas e esgotamento do solo.
Para que você compreenda a revolução econômica que o cooperativismo trouxe para o interior do Pará, apresentamos os dados do município:
- População: Aproximadamente 64 mil habitantes, conforme o IBGE Cidades.
- Pilar Econômico: Cooperativa Mista de Tomé-Açu (CAMTA).
- Produtos de Exportação: Pimenta-do-reino, polpa de açaí e cacau.
- História: Berço da imigração nipônica na Amazônia (1929).
Qual o impacto da pimenta preta na gastronomia global?
O “ouro negro” de Tomé-Açu é exportado principalmente para os Estados Unidos e a Europa. O alto teor de piperina, a substância que dá a pungência e o sabor ardido à especiaria, torna o produto amazônico altamente valorizado por chefs e indústrias de embutidos em todo o globo.
Abaixo, comparamos o sistema agrícola monocultor com a técnica oriental adotada na cidade para destacar sua eficiência ambiental:
| Sistema de Plantio | Sistema Agroflorestal (SAFTA) | Monocultura Tradicional |
| Uso do Solo | Consórcio de várias espécies (Imita a floresta) | Uso exclusivo para uma única cultura |
| Resiliência a Pragas | Alta (A diversidade cria barreiras naturais) | Baixa (Vulnerável à perda total da safra) |
Como a cultura nipônica se fundiu com as tradições paraenses?
A cidade é um caldeirão cultural único. É comum encontrar festivais onde a dança típica do Bon Odori é celebrada junto com o consumo de tacacá e açaí com farinha. Os descendentes nipo-brasileiros (nikkeis) adaptaram suas raízes ao ritmo da Amazônia, criando uma arquitetura híbrida de telhados orientais no meio da mata.
A Cooperativa Mista de Tomé-Açu (CAMTA) permanece como o coração social e econômico, sendo a prova viva de que o modelo de organização comunitária oriental funciona em qualquer latitude.
Para explorar a herança cultural nipônica na Amazônia, selecionamos o conteúdo do canal Ja Me Vou – Marcelo e Nany, No vídeo a seguir, o casal de viajantes detalha visualmente a história, a arquitetura e a gastronomia de Tomé-Açu, conhecida como a cidade japonesa do Pará:
Por que a cidade é modelo de sustentabilidade na Amazônia?
O modelo agrícola de Tomé-Açu prova que é possível gerar riqueza na Amazônia sem recorrer ao desmatamento predatório para a pecuária bovina. O plantio de árvores frutíferas e especiarias em sistemas consorciados recupera áreas degradadas e mantém a umidade do solo.
A história dessa cidade isolada no Pará é uma aula de resiliência. A semente da pimenta preta, trazida de navio pelos japoneses, encontrou na selva brasileira a terra perfeita para fazer de uma colônia esquecida a capital global das especiarias.











