Os mercados globais amanhecem em clima de alívio após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelar de última hora o ataque contra o Irã previsto para esta terça-feira (19). A decisão reduziu temporariamente a aversão ao risco e trouxe fôlego aos ativos internacionais, em meio à expectativa de retomada das negociações diplomáticas no Oriente Médio.
Segundo o republicano, o recuo ocorreu após pedidos da Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes, que atuam para evitar uma escalada regional capaz de aprofundar o choque do petróleo e ampliar os riscos para a economia global. Apesar do alívio inicial, o tom segue longe da pacificação. Em publicação na Truth Social, Trump afirmou que mantém o gabinete de guerra preparado para um ataque “total e em larga escala” contra o Irã “a qualquer momento”, caso não haja um entendimento considerado aceitável por Washington.
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A nova proposta apresentada por Teerã foi considerada insuficiente pela Casa Branca. O governo iraniano, por sua vez, reforçou que não fará concessões relevantes em seu programa nuclear e classificou as exigências americanas como inaceitáveis. Segundo a mídia estatal iraniana, a proposta enviada aos EUA prevê o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Lebanon, além da retirada de forças americanas de áreas próximas ao território iraniano e reparações pelos danos causados pela guerra.
Mesmo sem avanços concretos, um alto funcionário iraniano indicou nesta semana que os EUA podem estar flexibilizando parte de suas exigências. Segundo a fonte, Washington teria concordado em liberar cerca de um quarto dos fundos iranianos congelados em bancos estrangeiros, avaliados em dezenas de bilhões de dólares. O Irã, no entanto, segue pressionando pela liberação integral dos recursos.
A dificuldade para destravar um acordo mantém elevada a tensão em torno do Estreito Ormuz. Analistas avaliam que a normalização completa do fluxo na região pode levar meses, reduzindo as chances de retorno dos preços do petróleo aos níveis anteriores ao conflito ainda neste ano.
Na tentativa de amenizar o choque global de oferta, o governo Trump prorrogou por mais 30 dias a licença que permite a comercialização de petróleo russo, movimento que busca conter pressões adicionais sobre inflação e juros nos Estados Unidos.
No Brasil, o cenário eleitoral segue no radar do mercado. A Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça-feira mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou vantagem sobre Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, passando de 47,5% para 48,9%, enquanto o senador recuou de 47,8% para 41,8%.
O levantamento aponta ainda aumento da rejeição de Flávio Bolsonaro, que subiu de 49,8% para 52%, enquanto a rejeição de Lula caiu levemente, de 51% para 50,6%. Nas intenções de voto em 1º turno Lula oscila de 46,6% para 47%, enquanto Flávio recuou de 39,7% para 34,3%.
A pesquisa é a primeira divulgada após reportagem do The Intercept Brasil revelar conversas entre Flávio Bolsonaro e o ex- banqueiro do Master, Daniel Vorcaro.
Em meio à repercussão do caso, Lula prossegue com medidas consideradas eleitoreiras. Nesta tarde, em São Paulo, o presidente lança o programa Move Aplicativos, voltado a motoristas de aplicativo e taxistas. A iniciativa prevê R$ 30 bilhões em recursos públicos para financiamento e manutenção de veículos, além de capital de giro.
O governo federal intensificou nas últimas semanas anúncios de investimentos e ações em São Paulo, em movimento visto como resposta à força política do governador Tarcísio de Freitas.
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Manchetes desta manhã
- Acusada de fraude fiscal, Refit opera para restringir ação de diretores da ANP (Valor)
- Governo mantém indicação, relator publica parecer e destrava indicação para presidência da CVM (O Globo)
- Irã avalia abrir Hormuz sem dar passagem a navios dos EUA (Folha)
- ‘A Cosan não vai acabar, absolutamente’, diz Rubens Ometto (Estadão)
Mercado global
As bolsas da Europa avançam com expectativa de acordo entre EUA-Irã, após Trump cancelar o ataque previsto para esta terça-feira e dizer que há uma “chance muito boa” de os EUA chegarem a um acordo com o país sobre a questão nuclear.
Investidores também acompanham dados econômicos da região, como o superávit comercial da zona do euro, que baixou para 7,8 bilhões de euros e a taxa de desemprego no Reino Unido que aumentou no primeiro trimestre.
Na Ásia, mercados fecharam sem direção única, em meio a preocupações geopolíticas e inflacionárias com expectativa pela decisão de juros do Banco do Povo da China (PBoC).
Em Nova York, os índices futuros abriram em baixa, pressionados pela queda das ações de tecnologia, enquanto o mercado acompanha o progresso das negociações entre EUA e Irã, após Donald Trump anunciar o cancelamento um de uma nova ofensiva.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,37%
- FTSE 100: +0,56%
- CAC 40: +0,71%
- Nikkei 225: -0,44%
- Hang Seng: +0,48%
- Shanghai SE Comp: +0,92%
- Ouro (jun): -0,20%, a US$ 4.544,80 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,22%, aos 99,20 pontos
- Bitcoin: -1,04% a US$ 76.818,7
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Commodities
- Petróleo: a notícia sobre o cancelamento de um ataque dos EUA contra o Irã nesta terça-feira interrompe a escalada dos últimos dias que elevou o custo do barril para acima de US$ 110.
Os preços da commodity recuam mais de 1%, ainda no contexto de alta volatilidade, conforme notícias sobre o conflito em Ormuz e expectativas de avanço nas negociações entre EUA e Irã.
O Brent/junho cai 1,65%, cotado a US$ 110,25 e o WTI/junho recua 1,11%, a US$ 107,45. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,87% em Dalian, na China, cotado a US$ 117,33/ton.
Cenário internacional
Nos EUA, os mercados operam com o radar voltado para uma bateria de discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed), em meio à crescente pressão por sinais mais duros da autoridade monetária diante da escalada do petróleo e dos riscos inflacionários globais.
O diretor do Fed, Christopher Waller, participa às 9h de um fórum promovido em conjunto com o Banco Central Europeu (BCE) e volta a discursar às 10h, enquanto Ana Paulson fala mais tarde, às 20h.
O mercado monitora de perto qualquer mudança de tom do Fed após o ING defender uma postura mais hawkish da instituição, mesmo sem novas altas de juros no curto prazo. Nesse cenário, cresce a expectativa em torno da possível posse de Kevin Warsh como novo presidente do banco central americano já na sexta-feira.
No Japão, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,5% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores, reforçando sinais de resiliência da economia japonesa. Ainda assim, a volatilidade do petróleo segue pressionando os mercados globais e contaminando o câmbio. A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, alertou que o governo poderá agir contra movimentos especulativos após a disparada das commodities energéticas.
Apesar do discurso, o iene voltou a perder força e caiu para 158,85 por dólar. Em contrapartida, o euro avançava 0,33%, a US$ 1,1655, enquanto a libra subia 0,82%, para US$ 1,3431, acompanhando o recuo do índice DXY, que cedia 0,9%, aos 99,193 pontos, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suavizar o tom das declarações contra o Irã.
Na China, investidores aguardam para o fim da noite a decisão de juros do Banco do Povo da China (PBoC), em um ambiente de agenda econômica esvaziada, mas ainda marcado por cautela global e tensões geopolíticas.
Cenário nacional
No Brasil, o principal foco do mercado é a audiência pública do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, às 10h. O encontro deve trazer novos esclarecimentos sobre as últimas decisões de política monetária, além de discussões envolvendo os casos Master e BRB.
Antes disso, às 9h, o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, participa de evento promovido pelo Santander.
Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, cumpre agenda em Paris durante a reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G7. Entre os compromissos, está um encontro com o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, para discutir segurança energética e a transição para uma economia de baixo carbono.
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Destaques do mercado corporativo
- B3: Christian Egan será o novo presidente da B3, segundo o Valor. O nome deve surpreender o mercado, que esperava Luiz Masagão, atual vice-presidente de produtos e clientes da B3, para suceder Gilson Finkelsztain no comando da Bolsa.
- Copasa: a oferta de ações para privatização deve ser lançada nesta semana, segundo o Pipeline. A operação pode movimentar até R$ 10 bilhões.
- Telefônica Brasil: adquiriu os 24,99% restantes da FiBrasilpor R$ 458,7 milhões e passou a deter o controle total da subsidiária. Oi Soluções, Claro, Vivo e Sercomtel se habilitaram para participar do leilão, segundo o Broadcast.
- Braskem: afirmou que ainda não decidiu sobre eventual pedido de Chapter 11 da Braskem Idesa nos Estados Unidos.
- PetroReconcavo: ajustou o valor por ação do JCP anunciado anteriormente para R$ 0,340750.
- JSL: aprovou programa de recompra de até 13 milhões de ações ordinárias, equivalente a 18,4% dos papéis em circulação.











