A ata da última reunião do Federal Reserve (Fed) mostrou que dirigentes do banco central americano passaram a considerar a possibilidade de novas altas de juros nos Estados Unidos diante da inflação persistente e dos impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços de energia.
O documento, divulgado nesta quarta-feira (20), indica que parte dos membros da autoridade monetária avalia que a inflação voltou a ganhar força, impulsionada principalmente pela disparada do petróleo e pelos efeitos indiretos do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.
“A maioria dos dirigentes ressaltou que algum aperto adicional na política monetária poderá se tornar necessário caso a inflação continue persistentemente acima da meta de 2%”, registrou a ata.
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O Fed também informou que muitos participantes defenderam a retirada do chamado “easing bias” do comunicado oficial. O termo representa um viés favorável a cortes de juros nas próximas reuniões.
Petróleo e guerra pressionam inflação
Segundo a ata, os dirigentes observaram que a escalada dos preços de energia começou a contaminar outros setores da economia americana.
O documento cita aumentos em custos de transporte marítimo, passagens aéreas, fertilizantes e outras commodities, além de possíveis efeitos sobre cadeias globais de suprimentos. “Alguns participantes observaram que a alta dos combustíveis provocou aumentos em diversos outros preços”, destacou o Fed.
O banco central americano também mencionou preocupação com novas tarifas comerciais nos Estados Unidos, avaliando que elas podem manter a inflação elevada por mais tempo.
“Vários participantes observaram que os preços de bens no núcleo da inflação seguem avançando em ritmo elevado, refletindo ao menos parcialmente os efeitos das tarifas comerciais”, diz a ata.
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Ata do Fed vê economia resiliente
Apesar das preocupações inflacionárias, o Federal Reserve manteve avaliação de que a atividade econômica americana continua resiliente. Os dirigentes apontaram que investimentos ligados à inteligência artificial (IA), ganhos de produtividade, estímulos fiscais e condições financeiras ainda sustentam o crescimento dos Estados Unidos.
“Muitos participantes apontaram fatores específicos que seguem sustentando a atividade econômica, incluindo os investimentos empresariais ligados à inteligência artificial”, afirmou o Fed.
O mercado de trabalho também foi descrito como relativamente estável, apesar da desaceleração na criação de vagas.
Segundo os membros do comitê, o ritmo menor de geração de empregos pode refletir um crescimento mais lento da força de trabalho, e não necessariamente uma deterioração econômica.
Mercado acompanha tensão geopolítica
A ata mostrou ainda que o conflito no Oriente Médio passou a ocupar posição central nas discussões sobre política monetária e comportamento dos mercados financeiros.
Segundo o documento, quase todos os dirigentes citaram o risco de que a guerra provoque impactos mais duradouros sobre petróleo, commodities e inflação global.
“Os preços dos ativos nos mercados financeiros internacionais registraram fortes oscilações e permaneceram altamente sensíveis às notícias relacionadas ao conflito no Oriente Médio”, registrou o Fed.
O banco central destacou que a manutenção dos juros permitirá acompanhar os efeitos da guerra antes de decidir sobre novos movimentos monetários.
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Analistas veem Fed mais cauteloso
Para Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, a ata trouxe um tom mais duro em relação à inflação, embora o mercado tenha reagido mais às declarações do presidente americano Donald Trump sobre o conflito com o Irã.
Segundo ele, investidores passaram a interpretar que a Casa Branca busca reduzir tensões militares, favorecendo ativos fora do setor de petróleo e gás. “Se o mercado estivesse seguindo a ata, deveria começar a cair, porque ela aumenta a percepção de juros mais altos e fortalece a renda fixa”, afirmou.
Já William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, avaliou que o documento mostrou um Fed dividido sobre os próximos passos da política monetária.
Na visão do estrategista-chefe, alguns dirigentes defendem abandonar sinais prévios de cortes de juros diante da inflação elevada, enquanto outros ainda apoiam um viés mais flexível.
Castro Alves, no entanto, ponderou que a ata analisou um cenário anterior aos últimos dados de inflação dos Estados Unidos, considerados mais fortes pelo mercado. “A ata reforça uma visão de um Fed dividido e sem um cenário claro olhando à frente”, afirmou.











