A região andina na fronteira entre Argentina e Chile já era conhecida por mineração convencional. O que as perfurações recentes revelaram surpreendeu até geólogos experientes: a maior descoberta de cobre depósito Andes em 30 anos, com teor de pureza excepcionalmente alto para um projeto a céu aberto, avaliada em mais de US$ 424 bilhões.
O que foi encontrado e por que o teor surpreendeu os especialistas?
O projeto Vicuña, joint venture entre a canadense Lundin Mining e a gigante australiana BHP, confirmou em fevereiro de 2026 recursos medidos e indicados de 14 milhões de toneladas de cobre, 36 milhões de onças de ouro e 729 milhões de onças de prata nos depósitos Filo del Sol e Josemaría, separados por apenas 10 km na Cordilheira dos Andes, acima de 4.500 metros de altitude.
O núcleo sulfetado de alta pureza do Filo del Sol apresenta teor de 1,14% de cobre equivalente, uma marca excepcionalmente alta para um depósito de grande escala a ser lavrado a céu aberto. O presidente da Lundin Mining, Jack Lundin, classificou o achado como uma das descobertas de cobre mais significativas dos últimos 30 anos.

Por que essa área nos Andes era considerada comum antes das escavações?
A Cordilheira dos Andes já abriga algumas das maiores minas de cobre do mundo, especialmente no Chile. A Argentina, no entanto, era tratada como país não produtor de cobre em escala relevante. O distrito de San Juan tinha projetos menores em exploração há mais de uma década, sem nunca ter gerado números que justificassem investimentos bilionários.
O que mudou foi a tecnologia de modelagem geológica e a profundidade das sondagens. Quando as perfurações cruzaram as camadas superficiais conhecidas e atingiram o sistema pórfiro subjacente, os resultados revelaram uma escala que os modelos anteriores simplesmente não previam.
Qual é o tamanho real do investimento e o que ele significa para a Argentina?
O estudo econômico preliminar publicado pela Vicuña Corp. em fevereiro de 2026 projeta investimento total de US$ 18 bilhões ao longo da vida útil do projeto, com US$ 7 bilhões na primeira fase. Só em 2026, US$ 790 milhões serão aplicados no desenvolvimento inicial.
Os impactos econômicos projetados para a Argentina incluem:
- US$ 965 milhões por ano em impostos e royalties para o governo argentino
- US$ 69 bilhões em receitas fiscais ao longo da vida útil da mina
- 5.500 empregos diretos e 19.000 indiretos durante a fase de construção
- Posicionamento da Argentina entre os cinco maiores produtores globais de cobre, ouro e prata
- Produção anual projetada de 395.000 toneladas de cobre concentrado nos primeiros 25 anos
Como a demanda por energia limpa transformou esse achado em prioridade global?
O cobre é o condutor elétrico central de toda a infraestrutura de energia renovável. Cada turbina eólica usa entre 3 e 4 toneladas do metal. Um veículo elétrico consome até 4 vezes mais cobre do que um carro a combustão. Painéis solares, redes de transmissão de alta tensão e carregadores rápidos dependem do mesmo insumo.
A Goldman Sachs projeta déficits estruturais de oferta de cobre de 160.000 toneladas em 2025 e 200.000 toneladas em 2026. Nesse contexto, um depósito da escala do Vicuña deixa de ser apenas um ativo minerário e passa a ser peça estratégica na cadeia global de descarbonização.

Quando o cobre do Vicuña começa a chegar ao mercado?
O projeto está estruturado em três fases. A produção inicial de concentrado de cobre partirá do depósito Josemaría, com o material transportado por caminhão até portos chilenos para exportação. A Lundin Mining e a BHP preveem uma decisão final de investimento ainda em 2026, com início de operação comercial estimado para o início da próxima década.
O caminho entre a descoberta e a produção em larga escala ainda leva anos, mas o mercado já reagiu. A confirmação do Vicuña como distrito de classe mundial reforça a tese de que a América do Sul continuará sendo o eixo do abastecimento global de cobre para a transição energética nas próximas décadas, mesmo que a maior parte desse metal ainda esteja, literalmente, por ser extraída do solo andino.











