Uma parede de drywall isolamento acústico com lã mineral pode atenuar até 66 dB, quase o dobro do que um tijolo furado convencional entrega na prática. O Brasil chegou tarde a essa tecnologia, mas o mercado nacional cresce 13% ao ano e a mudança já está redesenhando o interior das residências.
O que é o sistema a seco e por que ele chegou ao Brasil?
O drywall, criado nos Estados Unidos em 1898, usa chapas de gesso acartonado parafusadas em perfis metálicos galvanizados, sem argamassa, sem cura e sem quebra-quebra. Chegou ao Brasil apenas nos anos 1990, quase um século depois de já dominar obras americanas e europeias.
Enquanto nos Estados Unidos o sistema está presente em 95% das obras, o consumo brasileiro ainda é fracionado. A aceleração recente vem da combinação entre custo de mão de obra mais alto, prazos de obra mais curtos e a norma ABNT NBR 15.575, que exige desempenho acústico mínimo comprovado em edificações habitacionais.

Como o tijolo furado se sai no isolamento sonoro?
O tijolo furado, material dominante nas paredes internas brasileiras, oferece isolamento por massa: quanto mais pesado, mais som ele bloqueia. O problema é que o tijolo furado tem densidade baixa justamente por ser vazado, o que limita seu desempenho acústico sem soluções complementares.
Na prática, uma parede simples de tijolo furado com reboco de ambos os lados atinge em torno de 35 dB a 40 dB de atenuação. Esse valor fica abaixo do mínimo de 45 dB exigido pela norma de desempenho para separação entre unidades habitacionais.
Por que o drywall com lã mineral supera o tijolo na acústica?
A parede de drywall funciona como um sistema massa-mola-massa: a primeira chapa de gesso vibra com o som, a camada de ar (ou lã mineral) absorve essa energia, e a segunda chapa dissipa o restante. Essa lógica é fisicamente mais eficiente do que uma parede sólida e homogênea.
Com duas chapas de 12,5 mm de cada lado e lã mineral no interior, o conjunto atinge entre 64 dB e 66 dB de isolamento. Isso representa um ganho de quase 30 dB sobre a configuração básica, conforme dados técnicos da Associação Brasileira do Drywall.
Qual a diferença entre lã de vidro e lã de rocha no preenchimento?
Ambas funcionam como absorventes acústicos no interior da parede, mas a lã de rocha tem densidade maior e tende a performar melhor em frequências médias e graves. A lã de vidro é mais leve e mais acessível, com desempenho adequado para a maioria das aplicações residenciais.
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O que pode comprometer o isolamento acústico do drywall?
O desempenho acústico do sistema a seco depende muito mais da execução do que do material em si. Frestas no perímetro, caixas elétricas alinhadas nas duas faces e juntas mal vedadas criam pontes sonoras que anulam boa parte do isolamento projetado.
Itens que mais comprometem o isolamento quando negligenciados:
- Caixas elétricas posicionadas frente a frente nas duas faces da parede, permitindo passagem direta do som.
- Ausência de vedação perimetral com selante flexível entre a chapa e a laje ou piso.
- Lã mineral instalada de forma descontinua, com folgas no preenchimento do vão.
- Perfis metálicos em contato rígido com a estrutura, transmitindo vibração por condução sólida.
Quanto pesa uma parede de drywall em comparação com a de tijolo?
Uma parede de drywall padrão pesa entre 25 kg e 40 kg por m², dependendo do número de chapas. Uma parede de tijolo furado com reboco fica entre 150 kg e 200 kg por m², cerca de cinco vezes mais pesada.
Em reformas de apartamentos, esse alívio de carga é especialmente relevante. Menos peso nas paredes internas significa menos esforço sobre a laje e a fundação, o que amplia as possibilidades de reconfiguração do espaço sem necessidade de laudo estrutural adicional.

O sistema a seco é uma tendência definitiva ou ainda tem limitações?
O drywall não substitui paredes estruturais, muros externos nem qualquer superfície que precise suportar carga vertical de forma contínua. Seu papel é de vedação interna, e nesse campo ele já superou o tijolo em desempenho acústico quando bem especificado.
A norma ABNT NBR 15.575, em vigor desde 2013, acelerou a adoção do sistema porque estabeleceu critérios mensuráveis de desempenho acústico que o tijolo furado convencional frequentemente não cumpre sem reforços. Para o morador, o resultado prático é uma casa mais silenciosa, com paredes mais leves e uma reforma futura muito menos destrutiva.











