A inadimplência das empresas brasileiras atingiu um novo recorde em abril de 2026, totalizando 9 milhões de CNPJs negativados, segundo dados da Serasa Experian, divulgados nesta quarta-feira (3).
O volume de dívidas também renovou máxima, alcançando 63,7 milhões de pendências financeiras que somam R$ 220,9 bilhões. Em média, cada empresa inadimplente acumulava 7,1 dívidas, com débito médio de R$ 24,6 mil por CNPJ.
Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, os números refletem um ambiente de crédito ainda restritivo para o setor produtivo. Segundo ela, mesmo com o início do ciclo de redução dos juros, o custo do crédito segue elevado e continua pressionando o fluxo de caixa das empresas.
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Juros elevados mantêm pressão sobre as empresas
De acordo com a economista, a combinação entre juros em patamar elevado e desaceleração da atividade econômica limita a capacidade das companhias de recompor caixa e administrar passivos financeiros.
“O dado de inadimplência vem sinalizando uma tendência de manutenção em um patamar bastante elevado e com potencial de quebrar novos recordes ao longo de 2026”, afirma Camila Abdelmalack.
Ela avalia que a curva de juros ainda permanece em níveis de dois dígitos, dificultando principalmente a situação de empresas que dependem de financiamentos bancários ou do mercado de capitais para refinanciar suas dívidas.
Na avaliação da especialista, ainda não há sinais suficientes para indicar uma reversão consistente da trajetória de inadimplência observada nos últimos anos.
Setor de serviços lidera empresas negativadas
O setor de serviços concentrou a maior parcela das empresas inadimplentes em abril, respondendo por 55,6% dos CNPJs negativados.
Na sequência aparecem:
- Comércio: 32,4%;
- Indústria: 8,1%;
- Setor primário: 0,9%.
Quando analisada a origem das dívidas, os débitos com empresas de serviços lideraram a lista, representando 31,7% do total. Em seguida aparecem compromissos com bancos e cartões de crédito, responsáveis por 19,4% das pendências.
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Também tiveram participação relevante as cooperativas (8,6%), empresas de utilities — categoria que inclui serviços essenciais como energia elétrica, água e gás — (7%) e telefonia (5,7%).
Segundo Camila Abdelmalack, essa composição mostra que parte relevante da inadimplência está ligada ao financiamento das operações e do capital de giro das empresas.
Sudeste concentra maior número de inadimplentes
Regionalmente, o Sudeste lidera o ranking de empresas negativadas, acompanhando a maior concentração de atividade econômica do país.
São Paulo registrou o maior volume absoluto, com 3,07 milhões de empresas inadimplentes. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 881,6 mil CNPJs negativados, e Rio de Janeiro, com 864,7 mil.
Entre os demais estados com maior número de empresas inadimplentes estão Paraná (588,9 mil) e Rio Grande do Sul (518,1 mil).
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Micro e pequenas empresas também atingem recorde
As micro e pequenas empresas continuam sendo o grupo mais afetado pela inadimplência. Em abril, o segmento alcançou 8,5 milhões de CNPJs negativados, também um recorde da série histórica. Juntas, essas empresas acumulavam 57,6 milhões de dívidas, que totalizam R$ 191,8 bilhões.
Em média, cada micro ou pequena empresa possuía 6,8 contas em atraso, com dívida média de R$ 22,5 mil.
Segundo Camila Abdelmalack, essas companhias são mais sensíveis às condições financeiras porque dependem de linhas de crédito de curto prazo e possuem menor capacidade de negociação.
“As micro e pequenas empresas continuam sendo as mais vulneráveis a um ambiente de crédito restritivo, porque dependem mais de linhas de curto prazo e possuem menor capacidade de negociação”, afirma a economista.











