Pressionado por dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos e pelas tensões no Oriente Médio, o mercado inicia a semana digerindo a revisão das expectativas para juros e inflação no Brasil, ampliando a volatilidade que derrubou o Ibovespa pela oitava semana consecutiva.
Na avaliação de Rodrigo Panuzzio, da Wiser | BTG Pactual, no novo episódio do podcast Perspectivas da Semana, o principal catalisador recente foi a divulgação do payroll dos EUA, relatório oficial de empregos, que é um dos indicadores preferidos do Federal Reserve (Fed).
Na semana passada, o Ibovespa acumulou queda de 2,47%, enquanto o S&P 500 recuou 2,59%. O IFIX, índice que acompanha os fundos imobiliários mais negociados da Bolsa, caiu 0,75%. O dólar avançou 2,45% no período e encerrou a semana cotado a R$ 5,20.
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Payroll reforça cenário de juros elevados
O relatório de emprego mostrou criação de vagas acima das expectativas do mercado. Além disso, os números de março e abril foram revisados para cima.
Para Panuzzio, os dados reforçam a percepção de que a economia americana continua resiliente, reduzindo as chances de cortes de juros no curto prazo.
“O payroll veio muito forte, acima das expectativas, e também houve revisão positiva dos meses anteriores. Isso acabou mudando as projeções do mercado para a política monetária americana”, afirmou.
Segundo ele, o mercado já passou por diferentes cenários nos últimos meses, saindo da expectativa de cortes de juros para um cenário de manutenção e, agora, começando a discutir a possibilidade de novas altas nos próximos anos. Confira a análise na íntegra:
Guerra no Oriente Médio amplia pressão na inflação
Outro fator que tem influenciado os ativos globais é o agravamento das tensões no Oriente Médio. O novo confronto deste domingo envolvendo Israel e Irã voltou a impulsionar os preços do petróleo, elevando preocupações com a inflação global.
De acordo com Panuzzio, o cenário geopolítico passou a exercer influência relevante sobre as expectativas para inflação e crescimento econômico. “O mercado está muito sensível à combinação entre inflação, juros e guerra. Esses fatores alteraram significativamente as expectativas dos investidores”, disse.
Agenda econômica
A agenda econômica dos próximos dias deve concentrar as atenções dos investidores em novos dados de inflação no Brasil, nos Estados Unidos e na China.
Entre os destaques estão os índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) da China, o índice de preços ao produtor dos Estados Unidos e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do Brasil.
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Para Panuzzio, esses dados serão fundamentais para definir os próximos movimentos dos bancos centrais e das expectativas de juros nos mercados globais. “O mercado agora está muito focado nos dados de inflação. Como o mercado de trabalho americano continua mostrando força, a atenção se volta para os preços e para os próximos passos do Fed”, afirmou.
Segundo ele, a combinação entre inflação persistente, juros elevados e tensões geopolíticas deve continuar influenciando o comportamento dos ativos ao longo das próximas semanas.











