O Bank of America (BofA) rebaixou nesta quarta-feira (10) sua recomendação para ações brasileiras de overweight (compra) para marketweight (neutra). A mudança foi feita com base em uma avaliação mais cautelosa para o cenário de juros no Brasil e expectativas mais fracas para os resultados das empresas listadas na Bolsa.
Segundo os estrategistas do banco, o ambiente de taxas de juros elevadas tende a limitar o potencial de valorização das ações e aumentar os desafios para diversos setores da economia. O BofA também elevou a sua projeção para a taxa Selic em 2026 de 13,25% para 14,25%.
Na avaliação da instituição, o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá realizar apenas mais uma redução dos juros na reunião marcada para os dias 16 e 17 de junho. Depois disso, o banco espera um período prolongado de manutenção da taxa básica em patamar elevado.
O relatório destaca que os riscos para a inflação continuam concentrados em uma direção de alta. Entre os fatores apontados pelo BofA estão a fraqueza do real frente ao dólar e o aumento da volatilidade associada ao processo eleitoral brasileiro.
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A combinação desses elementos pode dificultar o trabalho do Banco Central no controle dos preços e reduzir o espaço para cortes adicionais da Selic.
Bancos são destaque entre as preferências no Brasil
Apesar da revisão para uma posição neutra em relação ao mercado brasileiro, o BofA afirma que ainda identifica oportunidades específicas na Bolsa. O setor bancário aparece como o principal destaque da carteira recomendada.
Segundo o banco, as instituições financeiras estão mais preparadas para enfrentar um cenário de deterioração da qualidade do crédito e apresentam menor risco de revisões negativas nos lucros em um ambiente de juros elevados por mais tempo.
Mudanças na carteira setorial
No segmento de utilities — empresas de serviços essenciais como energia elétrica e saneamento —, o BofA substituiu a Copel (CPLE3) pela Equatorial Energia (EQTL3). A troca foi motivada pela avaliação de que a Equatorial apresenta valuation mais atrativo.
O banco também citou maior flexibilidade da companhia na alocação de capital, ou seja, na forma como direciona recursos para investimentos, expansão ou distribuição aos acionistas.
Por outro lado, a instituição retirou da carteira a Sabesp (SBSP3), alegando ausência de gatilhos de curto prazo para valorização. A Ecorodovias (ECOR3) e a Ânima Educação (ANIM3) também foram substituídas, por serem consideradas menos atrativas em um cenário de juros elevados por um período mais longo.











