A família Moll, controladora da Rede D’Or (RDOR3), reinvestiu cerca de R$ 3,5 bilhões em ações da companhia e da SulAmérica desde a abertura de capital da operadora hospitalar, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (16) pelo BTG Pactual.
O valor corresponde a aproximadamente 43% de todo o caixa recebido pelos controladores por meio de dividendos, juros sobre capital próprio (JCP) e vendas de ações realizadas desde dezembro de 2020.
Na avaliação do banco, o movimento representa um dos maiores exemplos de alinhamento entre acionistas controladores e minoritários no mercado brasileiro. O BTG reiterou a recomendação de compra para os papéis RDOR3, colocando a Rede D’Or como sua principal tese do setor.
A avaliação é de que a companhia reúne fundamentos operacionais consistentes, crescimento orgânico, resiliência de margens e forte geração de caixa.
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Família recebeu mais de R$ 9 bilhões desde o IPO
De acordo com as estimativas do BTG, a família Moll recebeu aproximadamente R$ 9,1 bilhões desde o IPO da Rede D’Or. Desse total, cerca de R$ 1,8 bilhão veio da parcela secundária da oferta inicial de ações. Outros R$ 690 milhões teriam sido obtidos na oferta subsequente realizada em 2021.
Além disso, entre 2021 e 2026, a Rede D’Or distribuiu aproximadamente R$ 13,7 bilhões em dividendos e JCP. Considerando a participação dos controladores, o banco calcula que a família recebeu cerca de R$ 6,6 bilhões dessas distribuições.
Após descontar tributos sobre o JCP, o BTG estima que os recursos líquidos recebidos pelos controladores somaram aproximadamente R$ 8,1 bilhões no período.
Compras de ações aumentaram após 2021
Segundo o relatório, os controladores aproveitaram períodos de queda das ações para ampliar suas posições na empresa. O BTG estima que a família Moll comprou cerca de R$ 2,5 bilhões em ações da Rede D’Or entre 2022 e 2026.
Somente neste ano, as aquisições já somam aproximadamente R$ 1,28 bilhão, equivalentes a 34,6 milhões de ações ou cerca de 1,5% do capital da companhia.
O banco também calcula que a família investiu aproximadamente R$ 915 milhões em ações da SulAmérica durante o processo de fusão com a Rede D’Or. A operação foi estruturada por meio de troca de ações, permitindo aos controladores ampliar sua participação antes da conclusão da transação.
Recompras reforçam suporte aos papéis
Além das compras realizadas pelos controladores, a própria companhia tem utilizado programas de recompra de ações. O BTG estima que a tesouraria da Rede D’Or adquiriu aproximadamente R$ 1,9 bilhão em ações desde o início dos programas de recompra.
Desse montante, cerca de R$ 540 milhões foram investidos apenas em 2026. Considerando também as recompras realizadas pela SulAmérica antes da fusão, os investimentos totais em recompra de ações alcançariam aproximadamente R$ 3,1 bilhões.
GIC segue como fator de atenção
O relatório também cita o movimento de redução de participação do fundo soberano de Singapura, o GIC. O investidor, que já chegou a deter cerca de 17% da companhia, informou recentemente participação de 12,75%.
Segundo o BTG, a possibilidade de novas vendas de ações pelo fundo continua sendo uma fonte de pressão técnica para os papéis, embora ainda haja pouca visibilidade sobre o ritmo e o volume de eventuais desinvestimentos.











