Por que um forte romano escondia uma caixa lacrada dentro da própria parede? A muralha sul de Vindolanda guardou esse segredo por quase 1.800 anos, até a escavação de 1999 expor o que havia selado dentro do barro, da turfa e das pedras daquela fortificação.
Por que a Vindolanda Trust decidiu escavar exatamente essa muralha?
A Vindolanda Trust já conhecia bem o interior do forte, mas a muralha sul continuava sendo um ponto cego. Em 1999, a equipe liderada por Andrew Birley e Justin Blake recebeu autorização para um programa de três anos dedicado só a essa parte da fortificação.
Antes da muralha de pedra que vemos hoje, o terreno abrigava cabanas de pedra de estilo nativo. Elas foram removidas quando o forte de pedra dois foi erguido para receber a quarta coorte de gauleses, recém-chegada à fronteira.

Quais partes da muralha sul os arqueólogos conseguiram mapear?
A escavação de 1999 cobriu boa parte das defesas sul, do canto sudoeste até o canto sudeste do forte de pedra dois. Cada trecho contou uma história diferente sobre como os romanos construíam e depois reparavam suas fortificações.
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A metade leste da muralha havia sido destruída por caçadores de pedra ao longo dos séculos. Já o terreno pantanoso perto do portão sul protegeu a metade oeste quase intacta, livre até de máquinas modernas.
Os pontos principais mapeados foram:
O que estava escondido dentro da própria parede do forte?
Nem tudo que os arqueólogos encontraram em 1999 estava na superfície da muralha. Alguns dos achados mais surpreendentes vieram de dentro das camadas que sustentavam a parede sul, escondidos havia séculos sob o barro e a turfa.
Esses objetos só sobreviveram porque a parte oeste da muralha nunca foi saqueada por caçadores de pedra, ao contrário do trecho leste, que perdeu quase todas as pedras originais ao longo dos séculos.
Entre os destaques de 1999 estão:
- Uma caixa de carvalho lacrada de 107 centímetros, escondida dentro da rampa de turfa
- Uma pedra com o símbolo cristão chi-rho, reaproveitada como piso sub-romano
- Quatro moedas de prata grudadas a um objeto de ferro, incluindo exemplares de Marco Antônio cunhados ainda no século 1 a.C.
- Um relevo de pedra da deusa Diana, queimado e reaproveitado como piso

Por que a pedra com símbolo cristão intriga tanto os pesquisadores?
Dois especialistas, os professores Charles Thomas e Rosemary Cramp, analisaram a peça e dataram o símbolo chi-rho do início do século 6. O desgaste da pedra sugere uso repetido, talvez ligado a algum rito cristão praticado muito depois da saída dos romanos.
Como os principais achados de 1999 se comparam entre si?
Nem todo achado de 1999 teve o mesmo peso histórico. Alguns confirmaram datas que os arqueólogos já suspeitavam, enquanto outros, como a moeda mais recente já encontrada em Vindolanda, mudaram o que se sabia sobre o fim da ocupação romana ali.
A tabela abaixo reúne os achados mais significativos da temporada, dentro do que hoje é a muralha sul de Vindolanda.
Cada achado revela algo diferente:
| Achado | O que revela | Status |
|---|---|---|
| Caixa de carvalho selada Achada dentro da rampa de turfa | Provavelmente um depósito de objetos de valor, do período 4 | Datação incerta |
| Pedra com símbolo cristão Reaproveitada como piso, no canto sudoeste | Datada do início do século 6 por dois especialistas em arte cristã | Achado raro |
| Moeda de prata de Arcádio Cunhada em Milão entre 393 e 394 d.C. | A moeda mais recente já registrada em Vindolanda até hoje | Confirmado |
| Relevo da deusa Diana Esculpido em arenito local | Queimado e reaproveitado como piso, décadas depois de ser esculpido | Peça danificada |
Onde está o relatório completo da escavação de 1999?
Este artigo resume apenas uma parte do que a equipe de Andrew Birley e Justin Blake documentou naquele ano. O relatório original traz desenhos técnicos, a planta completa da escavação e a lista das 38 moedas encontradas em 1999.
Ele foi publicado pela própria Vindolanda Trust, em edição limitada de 200 cópias, e está disponível abaixo, com cada detalhe direto da fonte.
Por que esse pedaço de muralha romana ainda importa hoje?
A muralha sul de Vindolanda fica a poucos quilômetros da Muralha de Adriano, e as duas ajudam a contar como o Império Romano organizava sua fronteira mais ao norte, quase dois mil anos atrás.
Hoje a região integra o patrimônio mundial da humanidade reconhecido pela UNESCO, o que ajuda a sustentar novas temporadas de escavação. Cada muralha redescoberta soma mais um capítulo a uma história que a Vindolanda Trust segue escrevendo, ano após ano.











