O mercado de capitais brasileiro registrou R$ 47 bilhões em ofertas encerradas em maio. Mesmo abaixo do volume observado nos primeiros meses do ano, o resultado mostra que empresas continuam encontrando espaço para captar recursos, impulsionadas pela demanda por ativos de renda fixa e crédito privado.
Os dados do Boletim de mercado de capitais, divulgado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) nesta terça-feira (16), revelam que a preferência por instrumentos de renda fixa seguiu predominante no período, concentrando R$ 39,9 bilhões das captações.
Já os instrumentos híbridos somaram R$ 6,9 bilhões, enquanto a renda variável teve participação mais modesta, com R$ 203,5 milhões.
A Anbima avalia que “o mercado permanece ancorado na renda fixa e no crédito privado, com protagonismo das debêntures e dos instrumentos de securitização. E que o ambiente de juros ainda elevados, aliado às incertezas do cenário doméstico e externo, continuou influenciando os prêmios de risco e as condições de financiamento, o que não tem impedido o mercado a registrar volumes relevantes de captação ao longo do ano”.
Investidores mais seletivos em renda fixa
As debêntures se mantiveram como principal mecanismo de captação do mercado de capitais em maio. As emissões totalizaram R$ 26,6 bilhões e a demanda permaneceu concentrada em investidores intermediários e em outros participantes vinculados às próprias ofertas.
O movimento ocorre em um contexto de maior seletividade, no qual os investidores avaliam com mais rigor os riscos e as condições oferecidas pelas emissões.
Já os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) ocuparam a segunda posição entre os instrumentos de renda fixa, com R$ 5,3 bilhões captados o longo do mês. A maior parte das subscrições permaneceu nas mãos dos fundos de investimento, reforçando a importância desse mercado para a antecipação de recebíveis e o financiamento das empresas.
CRIs e CRAs apresentam perfis distintos de investidores
No segmento de securitização (mecanismo que transforma fluxos futuros de recebíveis em títulos negociáveis), os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) registraram captações de R$ 2,9 bilhões. Já os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) movimentaram R$ 1,4 bilhão.
No mercado de CRIs, a demanda permaneceu majoritariamente concentrada em fundos de investimento. Já nos CRAs, houve maior participação de pessoas físicas, que responderam por 73,9% do volume encerrado no mês, indicando dinâmicas distintas entre os segmentos.
FIIs e Fiagros mantêm espaço no mercado
Entre os instrumentos híbridos, os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) captaram R$ 5,1 bilhões em maio. Os Fiagros, voltados ao financiamento da cadeia do agronegócio, levantaram R$ 1,8 bilhão.
Os números indicam a continuidade da utilização desses veículos, tanto como alternativa de financiamento para empresas quanto como instrumento de diversificação da carteira para investidores.











