Os mercados globais iniciam a semana em alta, impulsionados pela forte queda dos preços do petróleo após sinais de redução das tensões no Oriente Médio. Após 13 noites consecutivas de confrontos na região do Estreito de Ormuz, os Estados Unidos interromperam as operações militares no fim de semana. Em resposta, o Irã afirmou que manterá o cessar-fogo enquanto Washington permanecer em pausa, movimento que o mercado interpretou como o primeiro sinal concreto de uma possível descompressão da crise.
O embaixador dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU), Mike Waltz, afirmou neste domingo (26) que o presidente Donald Trump decidiu abrir espaço para o avanço da diplomacia após suspender, segundo a imprensa americana, um plano que previa ampliar a ofensiva militar no Oriente Médio. O governo iraniano declarou que não atacará forças americanas enquanto a trégua for respeitada, mas reforçou que continua exercendo controle sobre o Estreito de Ormuz e negou ter solicitado a retomada das negociações de paz com Washington.
“O Irã não pediu a reabertura das negociações”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqaei, durante entrevista coletiva televisionada nesta segunda-feira. A declaração sinaliza que, embora o risco imediato tenha diminuído, ainda não há perspectiva de normalização das relações entre os dois países.
Enquanto isso, Omã voltou a assumir papel central como mediador regional. Segundo as agências oficiais do Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, os chanceleres dos três países conversaram separadamente com o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, para discutir mecanismos de estabilidade e segurança na navegação pelo Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.
A decisão de Trump também teria sido influenciada por avaliações internas do governo americano. De acordo com informações da CNN e do New York Times, o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, alertou para o esgotamento dos estoques de mísseis Patriot utilizados na defesa das bases americanas no Oriente Médio. O vice-presidente JD Vance também teria manifestado preocupação com a ampliação do conflito.
Com a perspectiva de retomada das negociações diplomáticas e de normalização do fluxo de petróleo pela principal rota marítima de exportação da commodity, os contratos internacionais do petróleo recuam mais de 6% nesta manhã, devolvendo parte dos ganhos acumulados durante a escalada militar das últimas semanas.
Lula intensifica embate comercial com os EUA
No Brasil, o foco permanece nas tensões comerciais com os Estados Unidos. Em artigo publicado neste domingo no Washington Post, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a contestar as justificativas do governo Trump para o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros, defendeu o sistema Pix e reafirmou que o Brasil poderá responder com medidas de reciprocidade.
O presidente reiterou que o governo brasileiro mantém disposição para o diálogo, mas deixou claro que não aceitará “interferência externa” no processo eleitoral brasileiro.
Em um dos trechos mais duros do artigo, Lula criticou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmando que “nunca antes” um chefe da diplomacia dos Estados Unidos havia classificado o Brasil como um país “não amigo”. “Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”, escreveu.
Paralelamente, o governo prepara uma nova contestação formal das tarifas impostas pelos Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC), ampliando a ofensiva diplomática contra o chamado tarifaço.
Em meio ao desgaste da relação comercial com Washington, o governo brasileiro busca ampliar sua agenda internacional. O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, desembarca no Brasil para discutir o avanço das negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e o país asiático.
A agenda desta segunda-feira inclui cerimônia oficial de recepção no Palácio da Alvorada, reunião ampliada entre as delegações, assinatura de atos bilaterais e uma declaração conjunta à imprensa dos dois chefes de Estado.
Manchetes desta manhã
- Impulso fiscal à economia no 2º trimestre foi de R$ 150 bi, diz estudo (Valor)
- Pequenas e médias empresas enfrentam dificuldades para aproveitar acordo Mercosul-UE (Folha)
- Com US$ 9 trilhões em jogo no Brasil, bancos e family offices disputam novas gerações de herdeiros (Estadão)
- Margem Equatorial é a nova aposta, após salto tecnológico do pré-sal (O Globo)
Mercado global avança com trégua no Oriente Médio e queda do petróleo
Os mercados da Ásia fecharam em alta, impulsionadas pelo segundo dia seguido de trégua entre EUA e Irã, que derrubou os preços do petróleo e sustentou o apetite por risco.
No mercado local, o destaque ficou com a chinesa CXMT. Em sua estreia na Bolsa de Xangai, as ações dispararam 466%, elevando o valor de mercado da fabricante de chips de memória para 3,28 trilhões de yuans (cerca de US$ 485 bilhões) e tornando-a a empresa mais valiosa da China.
Na Europa, as Bolsas também avançam com a forte queda do petróleo e a melhora do apetite por risco. As atenções do mercado se voltam para uma semana decisiva, com balanços de empresas como Airbus, AB InBev e Deutsche Bank, além das decisões de juros do Federal Reserve (Fed), na quarta-feira, e do Banco da Inglaterra (BoE), na quinta-feira.
Repercutem ainda as declarações de Ante Žigman, do BCE., que afirmou que a incerteza sobre a inflação segue elevada e alertou que os efeitos da recente alta dos preços da energia só devem aparecer nos próximos meses.
Em Nova York, os índices futuros abriram em alta, enquanto o petróleo registra forte queda, refletindo o alívio nas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O movimento abre uma semana considerada crucial para os mercados globais, que acompanharão a temporada de balanços das big techs e as decisões de política monetária de importantes bancos centrais, incluindo o Federal Reserve (Fed).
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +1%
- FTSE 100: +0,62%
- CAC 40: +0,90%
- Nikkei 225: +0,50%
- Shanghai SE Comp: +1,15%
- Hang Seng: +0,98%
- Ouro (jun): +0,42%, a US$ por 4.087,75 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,06%, aos 101,41 pontos
- Bitcoin: +0,79% a US$ 64.971,9
Commodities – Petróleo opera em forte queda, mas sensível ao humor de Trump
- Petróleo: os preços registram forte queda, refletindo o alívio temporário das tensões no Oriente Médio. Após 13 noites consecutivas de ataques na região do Estreito de Ormuz, os EUA suspenderam as operações no fim de semana, enquanto o Irã sinalizou que manterá o cessar-fogo desde que a pausa seja respeitada pelos norte-americanos.
O movimento alimentou a expectativa de uma possível desescalada do conflito, mas a volatilidade segue elevada. O mercado continuará reagindo a qualquer novo desdobramento no Oriente Médio, especialmente a declarações do presidente Donald Trump, que podem alterar rapidamente o cenário.
O Brent registra queda de 6,64%, cotado a US$ 85,55. Já o WTI/setembro recua 6,86%, a US$ 83,18. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,27% em Dalian, na China, cotado a US$ 109,51 a tonelada.
Cenário internacional
A agenda econômica da semana será decisiva para os mercados, com uma sequência de indicadores capazes de recalibrar as expectativas para a trajetória dos juros nas principais economias. Nos Estados Unidos, as atenções se voltam para a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed) e, na sequência, para a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE) de junho — medida de inflação preferida do banco central americano — e da primeira estimativa do PIB do segundo trimestre, ambos na quinta-feira.
O mesmo dia também reserva a divulgação das prévias do PIB da Alemanha e da zona do euro, além dos índices PMI de julho da China, que oferecerão novos sinais sobre o ritmo da atividade nas principais economias globais.
Na sexta-feira, o mercado americano continuará em evidência com a divulgação do PMI industrial (ISM) e do índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan, acompanhado das expectativas de inflação dos consumidores. Antes disso, nesta terça-feira, será conhecido o índice de confiança do consumidor do Conference Board, outro indicador importante para avaliar a resiliência da economia dos EUA.
A agenda desta segunda-feira também traz indicadores relevantes, com a divulgação do índice de sentimento das empresas (IFO) na Alemanha e das encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos, que podem oferecer pistas sobre o desempenho da atividade industrial.
Na China, os lucros das empresas industriais cresceram 15,1% em junho na comparação anual, impulsionados principalmente pelo avanço da demanda por manufaturas ligadas à inteligência artificial. Apesar do resultado positivo, o ritmo desacelerou em relação à alta de 21,1% registrada em maio.
No acumulado do primeiro semestre, o lucro industrial avançou 18,7%, ligeiramente abaixo da expansão de 18,8% observada entre janeiro e maio, sinalizando perda moderada de fôlego na atividade.
IPCA-15 e mercado de trabalho dominam a agenda doméstica
No Brasil, o principal destaque será a divulgação do IPCA-15 de julho, considerada a prévia oficial da inflação. A expectativa do mercado é de desaceleração para 0,21%, resultado que pode reforçar as apostas de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana.
A leitura sobre a atividade econômica também ganhará força na quinta-feira, com a divulgação da Pnad Contínua, que trará a taxa de desemprego de junho, e do Caged, indicador de geração de empregos formais. Ainda na quinta-feira, o Conselho Monetário Nacional (CMN) realiza reunião ordinária, enquanto o Banco Central divulga a nota de crédito referente a junho.
A agenda doméstica também inclui as contas do setor externo, na terça-feira, e os dados fiscais do governo central, na sexta-feira, completando uma semana de indicadores que devem orientar as expectativas para a política monetária e o cenário macroeconômico brasileiro.
No front comercial, permanece no radar do mercado o comércio com a China. O Ministério do Comércio chinês informou que o Brasil já atingiu aproximadamente 80% da cota anual de exportação de carne bovina estabelecida por Pequim para 2026 no âmbito da medida de salvaguarda adotada pelo país asiático.
Entidades do setor, no entanto, avaliam que esse percentual pode ser ainda maior. Isso porque os cálculos das autoridades chinesas consideram apenas os embarques já desembaraçados nos portos locais, sem incluir a carga que já deixou o Brasil e ainda está em trânsito.
Questionado sobre o tema, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, evitou comentar a possibilidade de revisão da medida e limitou-se a destacar a importância das relações comerciais entre Brasil e China.
A salvaguarda, anunciada no fim de 2025 e em vigor desde janeiro, estabelece uma tarifa de 55% para os países que ultrapassarem a cota anual de exportação de carne bovina durante os próximos três anos.
Para 2026, o limite destinado ao Brasil é de 1,1 milhão de toneladas. A preocupação do setor decorre do peso do mercado chinês nas exportações brasileiras: em 2025, a China respondeu por 48% de toda a carne bovina embarcada pelo Brasil, com compras de 1,68 milhão de toneladas, que movimentaram US$ 8,9 bilhões.
Destaques do mercado corporativo
- Embraer: registrou carteira recorde de US$ 34,5 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 16% em relação ao ano anterior, com 65 aeronaves entregues, alta de 7%.
- Petrobras: nomeou William Vella Nozaki como diretor-executivo interino de Transição Energética, com posse em 1º de agosto.
- Brava Energia: aprovou a OPA lançada pela Ecopetrol, teve o preço-alvo reduzido pelo Citi para R$ 23 (recomendação de compra mantida) e afirmou que a campanha de perfuração de cerca de 100 poços não terá impacto material nos resultados.
- ISA Energia: definiu o preço do follow-on em R$ 27 por ação e levantará R$ 1,2 bilhão com a emissão de 44,4 milhões de ações preferenciais.
- Localiza: a gestora Dynamo elevou sua participação para 25,01% das ações preferenciais da companhia.











