Os mercados globais iniciam esta terça-feira (1º) novamente sob pressão, em meio à deterioração do cenário geopolítico no Oriente Médio. A retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã, após um mês de relativa calmaria, elevou a aversão ao risco e recolocou o petróleo no centro das atenções, diante do temor de que uma escalada do conflito comprometa o fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta terça-feira (1º), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
O movimento ocorre após a primeira troca direta de ataques entre Washington e Teerã desde o fim de julho. Na segunda-feira, forças norte-americanas atacaram a ilha de Larak, enquanto o Irã respondeu com ofensivas contra duas bases aéreas dos Estados Unidos na Jordânia. Em seguida, Teerã também atingiu alvos norte-americanos nos Emirados Árabes Unidos, ampliando a tensão em uma região estratégica para o abastecimento global de petróleo.
Nesse ambiente, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, adotou um tom conciliador durante a cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), em Bishkek, no Quirguistão. Ele afirmou que o Irã está disposto a retomar imediatamente os compromissos para encerrar a guerra, desde que os Estados Unidos também voltem a cumprir os termos do acordo preliminar firmado entre os dois países.
“Declaro explicitamente que, se os Estados Unidos retornarem a seus compromissos do protocolo do acordo [de paz preliminar], a República Islâmica do Irã adotará imediatamente medidas recíprocas. (…) Ao contrário dos EUA, o Irã tem um histórico brilhante de cumprir com seus tratados internacionais”, declarou Pezeshkian em Bishkek.
A manifestação ocorreu horas antes de o presidente iraniano se reunir com o líder russo, Vladimir Putin, um dos principais aliados de Teerã. O encontro acontece durante uma cúpula que reúne 17 chefes de Estado e de Governo, incluindo os líderes de Rússia, Irã, China, Índia, Paquistão e Turquia, e que marca os 25 anos da Organização de Cooperação de Xangai.
O próprio Pezeshkian afirmou, na segunda-feira, que a guerra não atende aos interesses de nenhuma das partes e reiterou que Teerã permanece aberto a uma solução negociada para o impasse com Washington. O principal ponto de tensão, contudo, continua sendo o Estreito de Ormuz. O Irã tem afirmado repetidamente que permitirá a livre navegação pela passagem marítima somente se os Estados Unidos cumprirem os termos do acordo.
Paralelamente às ações militares, Washington vem recorrendo de forma crescente à pressão econômica para tentar levar Teerã a interromper o bloqueio do Estreito de Ormuz e colocar fim ao conflito. Diante desse quadro, o presidente do Banco Central do Irã, Abdolnaser Hemmati declarou que o país dispõe de reservas cambiais suficientes e a autoridade monetária estava preparada para injetar até US$ 2 bilhões no mercado de câmbio para conter a volatilidade recente. A informação foi divulgada pela agência semioficial Tasnim.
“Estou dizendo ao presidente dos Estados Unidos: o Irã tem moeda [estrangeira] e tem o suficiente”, afirmou Hemmati.
A declaração ocorreu depois de autoridades iranianas, incluindo Pezeshkian, apontarem para o agravamento das dificuldades econômicas do país e teve como um dos objetivos tranquilizar os mercados. A pressão sobre a economia iraniana já vinha se refletindo no mercado de câmbio. Em agosto, a moeda do país atingiu uma mínima histórica e ultrapassou a marca psicológica de 2 milhões de riais por dólar. Ao mesmo tempo, a inflação anual chegou a 66% em julho.
Brasil – PIB perde ritmo e reforça expectativa de corte da Selic
No Brasil, o foco se desloca para a atividade econômica e seus possíveis efeitos sobre a política monetária. A desaceleração gradual da economia doméstica tende a reforçar o cenário para um corte da Selic ainda neste mês, levando a taxa básica para abaixo de 14%.
O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre, na comparação com os três meses anteriores, segundo dados divulgados há pouco pelo IBGE. O resultado representa uma perda significativa de ritmo em relação ao primeiro trimestre, quando a economia avançou 1,1%.
A desaceleração, embora esperada diante do impacto do ambiente de juros elevados sobre a atividade, veio um pouco acima das expectativas. A mediana das projeções do mercado financeiro, segundo a Bloomberg, apontava para crescimento de 0,4%, enquanto as estimativas variavam entre 0,2% e 0,6%.
Além da política monetária restritiva e do fim do impulso proporcionado pela safra agrícola, o elevado endividamento das famílias também foi apontado como um obstáculo ao desempenho da economia no segundo trimestre.
Para 2026, a mediana das projeções reunidas pelo Boletim Focus, do Banco Central, indica expansão de 1,92% do PIB. Se essa estimativa se confirmar, será a primeira vez desde 2020 que a economia brasileira crescerá menos de 2% em um ano. Em 2020, sob o impacto da pandemia, o PIB brasileiro registrou retração de 3,3%.
O dado divulgado nesta terça-feira também tem peso no calendário político e econômico: trata-se da última leitura trimestral do PIB antes das eleições de outubro. O IBGE programou a divulgação dos dados do terceiro trimestre para 2 de dezembro.
Manchetes desta manhã
- Bessent empurra juros do Japão às máximas em 30 anos, mas Treasuries também pagam a conta (Valor)
- BNDES anuncia mais R$ 4,1 bi para plano de auxílio a empresas afetadas por tarifaço e guerra (Folha)
- Governo derruba liminar que suspendia imposto de exportação de petróleo (Estadão)
- Títulos públicos de EUA e Japão sofrem perdas generalizadas, em meio a temor com piora fiscal e inflação ( O Globo)
Mercado global em viés negativo com tensão entre EUA e Irã
Em Nova York, os índices futuros abriram em queda, pressionados pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, pela forte alta dos rendimentos dos Treasuries e pelas incertezas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
As bolsas europeias também iniciam setembro em baixa, pressionadas pela alta do petróleo em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.
A alta dos rendimentos dos títulos globais também pesa sobre os mercados, enquanto investidores monitoram os riscos de inflação e ainda processam os dados econômicos de agosto na região.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em baixa nesta terça-feira, diante dos temores de inflação e juros mais altos nos EUA com a alta do petróleo.
Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 0,93%, enquanto a estreia da Shein decepcionou: as ações caíram 0,12%, a 48,50 dólares de Hong Kong, pouco abaixo dos 48,56 dólares de Hong Kong definidos no IPO, com uma demanda modesta frente a ofertas recentes.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,56%
- FTSE 100: -0,84%
- CAC 40: -0,37%
- Nikkei 225: -0,15%
- Shanghai SE Comp: -0,16%
- Hang Seng: -0,93%
- Ouro (jun): -1,33%, a US$ por 4.421,94 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,18%, aos 99,60 pontos
- Bitcoin: +0,12% a US$ 78.005,5
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros mantêm a tendência de alta nesta terça-feira (1º), com o Brent acima de US$ 90 por barril, diante da nova escalada do conflito no Oriente Médio e dos riscos ao fornecimento pelo Golfo Pérsico.
No Estreito de Ormuz, o tráfego visível de navios mercantes caiu para cerca de 5 por dia nesta segunda-feira, ante média de 14 nos 10 dias anteriores, segundo a Kpler Shipping. Nenhum dos cinco, contudo, era petroleiro.
O Brent/novembro avança 1,80%, cotado a US$ 92,12, enquanto o WTI/outubro sobe 2,33%, a US$ 87,76. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,14% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 108, em meio à alta do petróleo nos mercados internacionais e à expectativa de um impulso sazonal na demanda pelo minério.
Segundo analistas da Nanhua Futures, a demanda pelo minério de ferro pode começar a ser impulsionada por fatores sazonais do terceiro trimestre.
Cenário internacional: PMIs e mercado de trabalho dos EUA concentram atenções
A agenda econômica desta terça-feira é marcada pela divulgação dos PMIs industriais nas principais economias. Nos EUA, o mercado acompanha às 11h o relatório Jolts, que deve apontar a abertura de 7,35 milhões de vagas de emprego em julho. O dado ganha relevância por anteceder os indicadores do mercado de trabalho que serão apresentados no payroll e pode ajudar a calibrar as expectativas dos investidores para a política monetária do Federal Reserve (Fed).
Antes disso, às 10h05, o diretor do Fed Michael Barr participa de evento em que discute perspectivas econômicas e inclusão financeira.
Na Europa, o foco estará voltado também para os dados de inflação e emprego: às 6h, serão divulgados o CPI e a taxa de desemprego da zona do euro.
No front diplomático, as negociações relacionadas à guerra na Ucrânia seguem no radar. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou ao ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, que não haverá alívio de sanções nem um novo acordo com Moscou enquanto o conflito continuar. O encontro ocorreu à margem de uma reunião de ministros de Finanças do G20, na Carolina do Norte.
No Japão, o rendimento do título soberano de 10 anos superou 3% pela primeira vez desde 1996, atingindo o maior nível em três décadas. A alta reflete a preocupação com as contas fiscais do país e a retomada dos temores inflacionários após a intensificação das hostilidades entre Estados Unidos e Irã.
Ao mesmo tempo, o iene foi negociado acima de 160 por dólar, reacendendo as especulações sobre uma possível intervenção cambial. A discussão ganhou força depois de Bessent sinalizar que espera uma atuação de Tóquio e do Banco do Japão para sustentar a moeda japonesa.
A expectativa é de que o BoJ também volte a elevar os juros, em um movimento que ocorre enquanto os Estados Unidos pressionam por um iene mais forte.
Brasil: Medidas tributárias e Orçamento de 2027 estão no radar
No Brasil, a agenda combina a divulgação do PIB do segundo trimestre com decisões no Congresso e discussões sobre o Orçamento de 2027. Às 10h, além dos dados de atividade econômica, a comissão mista analisa a medida provisória que prevê o fim da “taxa das blusinhas”.
No Senado, os destaques do dia são a votação da indicação de Rodrigo Pacheco para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) e do projeto que cria um regime especial de tributação para data centers, o Redata.
No exterior, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de uma reunião de bancos centrais do G20, em meio às discussões sobre o cenário econômico global e os rumos da política monetária.
Já no campo fiscal, a proposta de Orçamento de 2027 apresentada pelo governo não prevê reajuste para o Bolsa Família. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, foram reservados R$ 157,1 bilhões para o programa no próximo ano, mesmo valor nominal previsto para 2026.
Para o Pé de Meia, a previsão orçamentária para 2027 é de R$ 10,5 bilhões. Já o Gás do Povo deverá contar com R$ 7 bilhões, conforme as projeções apresentadas pelo governo.
Já em relação às emendas parlamentares, o Orçamento prevê R$ 44,8 bilhões, um aumento de R$ 4 bilhões em relação ao valor proposto para 2026, ampliando o espaço destinado às emendas na peça orçamentária do próximo ano.
Destaques do mercado corporativo
- Banco Mercantil: o acordo de acionistas foi ajustado, reduzindo de 57,6% para 55,63% a participação vinculada ao bloco de controle no capital votante.
- JHSF: captou R$ 800 milhões em debêntures para lastrear CRIs, buscando alongar o perfil da dívida e reduzir o custo de financiamento
- SBF (controladora da Centauro): aprovou um novo programa de recompra de até 12,8 milhões de ações ON, equivalente a 10% dos papéis em circulação.
- Fertilizantes Heringer: obteve suspensão judicial por 60 dias de execuções e cobranças de credores participantes da mediação, mantendo, segundo a companhia, as operações comerciais e industriais normalmente.
- Eneva: concluiu a venda do complexo termelétrico Pecém II para a Diamante por R$ 748,4 milhões, com previsão de pagamento contingente adicional de até R$ 149 milhões.
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