A Bolsa de Londres (FTSE 100) opera em alta de 0,51% nesta segunda-feira (22), apesar da renúncia do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. Para analistas, a reação do mercado reflete a expectativa de uma transição política organizada e de manutenção da disciplina fiscal, o que limita mudanças relevantes na política econômica do Reino Unido.
A saída de Keir Starmer marca a sétima mudança no cargo desde o início das negociações do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia) há 10 anos. Segundo análises da Capital Economics e do Barclays, o próximo premiê terá margem limitada para elevar gastos públicos devido às restrições fiscais e à necessidade de preservar a confiança dos mercados.
Andy Burnham lidera corrida pela sucessão
Andy Burnham desponta como favorito para assumir a liderança do Partido Trabalhista. Caso seja escolhido sem disputa interna, poderá tomar posse ainda em julho. Se houver uma eleição interna, o processo pode se estender até setembro, adiando a apresentação do próximo orçamento.
O Barclays considera mais provável que Burnham assuma a liderança sem enfrentar uma disputa interna, após o ex-ministro da Saúde Wes Streeting declarar apoio à candidatura do ex-prefeito da Grande Manchester.
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Caso assuma o cargo em julho, o primeiro orçamento do novo governo poderá ser apresentado no início de outubro, respeitando o prazo mínimo exigido pelo Office for Budget Responsibility (OBR), órgão independente responsável por elaborar projeções fiscais do Reino Unido.
Caso a escolha do novo líder seja adiada até setembro, o Barclays estima que a apresentação do orçamento poderá ficar para novembro.
Consultorias veem pouca margem para ampliar gastos no Reino Unido
A Capital Economics avalia que um novo governo poderá priorizar áreas como habitação, assistência social e investimentos públicos, além de elevar impostos sobre patrimônio e capital. Ainda assim, a consultoria considera improvável um afrouxamento relevante das regras fiscais.
A análise aponta que o Reino Unido precisa preservar a credibilidade junto aos investidores. Um aumento expressivo dos gastos poderia elevar a inflação e pressionar os juros, reduzindo o espaço para uma política fiscal expansionista.
Segundo a consultoria, mesmo que haja algum estímulo de curto prazo, o impacto sobre o crescimento econômico tende a ser limitado e pode ser compensado por impostos mais elevados e pelo aumento dos rendimentos dos títulos públicos britânicos, conhecidos como gilts.











