Com 96,4% da população adulta já integrada ao sistema financeiro, o próximo desafio do setor no Brasil passa a ser ampliar o acesso a serviços financeiros personalizados por meio da chamada infraestrutura financeira. A avaliação é de Felipe Facchini, CEO da Stark Infra, que defende que a próxima etapa da inovação estará menos na criação de novos bancos digitais e mais na integração de soluções financeiras às plataformas utilizadas no dia a dia pelos consumidores.
Segundo o executivo, empresas de segmentos como varejo, tecnologia, marketplaces e franquias passaram a incorporar produtos como contas digitais, crédito, cartões e meios de pagamento às próprias operações, movimento impulsionado pela evolução da infraestrutura tecnológica do sistema financeiro.
Os dados do Relatório de Cidadania Financeira 2025, do Banco Central, reforçam esse cenário. Até o fim de 2024, o Brasil contabilizava 175 milhões de adultos com conta bancária ou de pagamento, o equivalente a 96,4% da população adulta. Além disso, instituições de pagamento e fintechs já atendiam 123 milhões de clientes.
“O consumidor talvez não perceba quem está por trás dessa operação, mas sente o impacto quando acessa crédito, realiza pagamentos ou utiliza uma solução financeira dentro de uma plataforma que já faz parte da sua rotina”, afirma Facchini.
Infraestrutura financeira impulsiona o embedded finance
O modelo conhecido como embedded finance (finanças embarcadas) permite que serviços financeiros sejam oferecidos diretamente por empresas que não são bancos, como varejistas, aplicativos, plataformas digitais e sistemas de gestão.
Na prática, o consumidor deixa de recorrer exclusivamente às instituições financeiras tradicionais e passa a contratar crédito, realizar pagamentos ou abrir contas dentro dos ambientes digitais que já utiliza.
Segundo Facchini, essa mudança amplia a concorrência e permite que as empresas desenvolvam produtos mais adequados ao perfil dos clientes.
“Uma empresa que conhece profundamente sua base de clientes consegue desenhar produtos financeiros mais relevantes. Um varejista pode oferecer condições de pagamento alinhadas ao comportamento de compra dos consumidores, enquanto uma plataforma digital pode criar soluções específicas para seus usuários”, explica.
Pix e Open Finance aceleram transformação
O avanço desse modelo acompanha as iniciativas conduzidas pelo Banco Central nos últimos anos para ampliar a competição e a inovação no sistema financeiro.
Entre elas estão o Pix, sistema de pagamentos instantâneos, e o Open Finance, modelo que permite o compartilhamento padronizado de dados financeiros entre instituições mediante autorização do cliente.
Segundo o CEO da Stark Infra, essas iniciativas criaram a base tecnológica necessária para que empresas de diferentes setores passem a oferecer serviços financeiros de forma integrada.
Inclusão financeira passa pela qualidade dos serviços
Para Facchini, o fato de a maior parte da população já possuir acesso ao sistema financeiro muda o foco da discussão sobre inclusão financeira.
Na avaliação dele, o desafio agora é garantir que os consumidores tenham acesso a produtos compatíveis com suas necessidades, de forma simples, transparente e integrada ao cotidiano.
“A inclusão financeira não termina quando uma pessoa abre uma conta. O próximo passo é garantir acesso a produtos úteis, seguros e adequados à realidade de cada usuário”, afirma.
Segundo o executivo, a combinação entre alta digitalização da população, ambiente regulatório voltado à inovação e crescimento das empresas de tecnologia financeira coloca o Brasil em posição favorável para ampliar esse modelo nos próximos anos.











