A troca de CFOs (sigla em inglês para diretores financeiros) atingiu o maior nível da história em 2025, avançando 10% em um ano e ficando 12% acima da média dos últimos sete anos, de acordo com o Índice Global de Rotatividade de CFO, elaborado pela consultoria Russell Reynolds e enviado com exclusividade ao Monitor do Mercado.
No Brasil, cerca de 40% das empresas do Novo Mercado da B3 trocaram seus CFOs, indicando que a renovação da liderança financeira deixou de ser um movimento pontual e passou a refletir uma mudança estrutural nas companhias.
A pesquisa mostra que o tempo médio de permanência no cargo é de seis anos e meio no mundo, enquanto no Brasil esse período cai para quatro anos e meio. Além disso, cerca de 70% dos CFOs brasileiros permanecem na função por menos de cinco anos e apenas 12% ultrapassam uma década no posto.
A aposentadoria segue como o principal fator por trás das mudanças no comando financeiro. A nível global, 60% das saídas ocorreram por aposentadoria ou pela migração do executivo para um conselho de administração, percentual superior ao registrado em 2024.
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Outro ponto destacado é que, no Brasil, 13% das transições resultaram na promoção do CFO ao cargo de CEO, reforçando a posição como um dos principais caminhos para a presidência das empresas.
Empresas buscam CFOs mais experientes
O aumento da rotatividade está ligado à ampliação das responsabilidades do CFO. Para Fernando Machado, sócio-diretor e líder da prática de Finanças da Russell Reynolds, além das finanças, o cargo passou a exigir liderança em estratégia, transformação e comunicação com Conselho e investidores.
Ele explica que esse cenário intensificou as transições e aumentou a demanda por executivos experientes, capazes de gerar confiança rapidamente estruturadas.
No mundo, 42% dos CFOs nomeados no primeiro trimestre de 2026 já haviam ocupado a função em companhias abertas, acima da média histórica de 35%. No Brasil, essa preferência é ainda maior: 65% dos executivos escolhidos já tinham experiência prévia como CFO.
Outro movimento observado foi o aumento das contratações externas, que responderam por 47% das nomeações globais no primeiro trimestre de 2026 (confira abaixo), além da expansão do uso de CFOs interinos enquanto as empresas buscam um sucessor definitivo — responderam por 12% das contratações no período.

Diversidade ainda é um desafio
O levantamento também aponta redução nas nomeações de mulheres para a posição de CFO. Em 2025, elas responderam por 21% das novas nomeações no mundo, percentual 23% inferior ao do ano anterior. No Brasil, apenas 14% dos CFOs das empresas do Novo Mercado são mulheres.
De acordo com Tatiana Mereb, consultora da Russell Reynolds, ampliar a presença feminina na liderança financeira exige fortalecer o desenvolvimento de talentos ao longo da carreira, e não apenas durante os processos de sucessão.











