As ações da Microsoft operam em queda de 1,4% nesta segunda-feira (6), após a companhia anunciar um plano para cortar cerca de 4.800 empregos em todo o mundo. A reestruturação terá impacto principalmente na divisão Xbox, responsável pelos negócios de jogos eletrônicos da empresa.
O movimento ocorre em um momento em que as grandes empresas de tecnologia buscam equilibrar os elevados investimentos em inteligência artificial (IA) com medidas de controle de custos.
No primeiro semestre de 2026, as ações da Microsoft acumularam queda próxima de 23%, o pior desempenho para o período desde 2022.
Xbox concentra maior parte das demissões da Microsoft
Os cortes representam cerca de 2,1% da força de trabalho global da Microsoft. Desse total, aproximadamente 3.200 vagas pertencem à divisão Xbox, sendo cerca de 1.600 desligamentos realizados já nesta segunda-feira, segundo relatos da imprensa internacional.
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Além das demissões, a empresa anunciou uma reorganização da operação de games. Os estúdios Compulsion Games e Double Fine Productions deixarão de integrar a Microsoft, enquanto Ninja Theory e Undead Labs também serão desmembrados, embora continuem desenvolvendo seus projetos atuais.
Em comunicado aos funcionários, a CEO da divisão Xbox, Asha Sharma, afirmou que a empresa pretende “reiniciar” a operação de jogos diante da pressão sobre as margens do negócio e do aumento dos custos na fabricação de consoles.
Aquisição da Activision não eliminou desafios
A reestruturação acontece menos de três anos após a Microsoft concluir a compra da Activision Blizzard por cerca de US$ 69 bilhões.
A aquisição ampliou o portfólio de franquias da empresa, incluindo títulos como Call of Duty, e reforçou a estratégia de expansão do serviço de assinatura de jogos. Ainda assim, a companhia continua enfrentando concorrência do PlayStation, da Sony, e do Switch, da Nintendo, no mercado de consoles.
Segundo a Microsoft, a divisão Xbox também sofre os efeitos do aumento dos custos dos componentes utilizados na fabricação dos aparelhos, o que reduziu as margens do negócio.
Pressão por eficiência acompanha investimentos em IA
A rodada de demissões ocorre em paralelo aos investimentos da Microsoft em inteligência artificial. Assim como Amazon e Meta, a empresa tem ampliado os aportes em infraestrutura para IA, especialmente na construção de data centers, que são centros responsáveis pelo processamento e armazenamento de dados utilizados por modelos de inteligência artificial.
A diretora de recursos humanos da Microsoft, Amy Coleman, afirmou que os cargos eliminados não estão sendo substituídos por inteligência artificial. Segundo ela, as mudanças refletem uma revisão das necessidades da empresa, embora a IA esteja alterando a forma como o trabalho é realizado.
O negócio de computação em nuvem Azure continua sendo um dos principais beneficiados pela demanda por serviços de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o aumento dos investimentos nessa área tem elevado os custos operacionais, levando a companhia a revisar sua estrutura e seus planos de gastos para o novo ano fiscal.











