O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,07% em maio na comparação com abril, já descontados os efeitos sazonais. O resultado divulgado nesta sexta-feira (17) ficou acima das expectativas do mercado, que projetava queda de 0,20%.
Embora tenha surpreendido positivamente, o indicador desacelerou em relação à alta de 0,40% registrada em abril, dado revisado pelo Banco Central, confirmando uma perda gradual de ritmo da economia brasileira ao longo de 2026.
Na comparação com maio de 2025, o IBC-Br cresceu 0,80%, enquanto o avanço acumulado em 12 meses desacelerou de 1,59% para 1,35%.
Agro perde força e serviços desaceleram no IBC-Br
Entre os setores, apenas a agropecuária apresentou retração na comparação mensal, com queda de 0,99%.
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Já o índice que exclui o agronegócio avançou 0,23%, refletindo altas de 0,40% na indústria, 0,06% nos serviços e 0,11% no indicador de impostos líquidos sobre produtos, componente utilizado no cálculo do PIB.
No acumulado de 12 meses, a desaceleração foi disseminada entre os principais segmentos da economia. O crescimento da indústria passou de 0,79% para 0,52%, enquanto os serviços recuaram de 2,02% para 1,84%. A agropecuária também perdeu força, com alta de 2,45%, ante 3,08% no período encerrado em abril.
Economistas veem perda de fôlego da atividade
Para Leonardo Costa, economista do ASA, os indicadores divulgados até maio seguem compatíveis com um cenário de desaceleração gradual da economia.
Segundo ele, o avanço limitado do IBC-Br, combinado aos resultados mais moderados observados no comércio e nos serviços, reforça que a atividade perdeu intensidade após um início de ano mais forte.
O ASA projeta crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três meses anteriores, com ajuste sazonal.
“Com a política monetária ainda restritiva, a expectativa do mercado para o crescimento do PIB em 2026 já foi revisada para cerca de 2%, um número que confirma a desaceleração controlada da economia, mas que exige atenção”, adverte Gabriel Foglieni, gestor de investimentos da Eleva Invest.
Selic ainda pode cair neste ano
Por outro lado, na avaliação de Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, o comportamento do IBC-Br reforça que ainda há espaço para novos cortes na taxa Selic ao longo deste ano.
Segundo ele, a desaceleração da atividade reflete o impacto da política monetária restritiva, marcada por juros elevados para conter a inflação.
A Austin Rating mantém a expectativa de dois cortes adicionais na taxa básica de juros, levando a Selic para 13,75% até o fim de 2026. Sartori observa que o crescimento acumulado do IBC-Br perdeu força ao longo do ano, passando de cerca de 2,3% em janeiro para 1,4% atualmente.
Ao detalhar a composição do índice, o economista destaca que a contribuição da agropecuária para a expansão econômica vem diminuindo, enquanto os serviços — considerados um dos principais termômetros da atividade e da inflação — também mostram desaceleração. Já a indústria segue em crescimento, mas ainda limitada pelo elevado custo do crédito.











