As bolsas asiáticas desabaram nesta sexta-feira (17), pressionadas por uma nova rodada de vendas em ações ligadas aos setores de semicondutores e inteligência artificial (IA). O movimento atingiu principalmente Japão, Taiwan e China, em meio à realização de lucros no segmento de tecnologia e ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
A maior queda do dia foi registrada em Taiwan, com o índice Taiex caindo 6,47%, aos 42.671,27 pontos. A TSMC, maior fabricante mundial de semicondutores por encomenda, recuou 7,29%, um dia após anunciar um plano para investir mais US$ 100 bilhões em sua expansão nos Estados Unidos.
Já a Bolsa de Tóquio entrou oficialmente em correção nesta sexta, segundo a Reuters. Com a queda de 4,03%, aos 64.141,12 pontos, o Nikkei 225 acumula agora uma desvalorização superior a 10% (11,3%) em relação ao recorde de fechamento registrado em 25 de junho.
Ações de semicondutores lideram perdas nas bolsas da Ásia
As empresas ligadas à cadeia global de chips concentraram as maiores baixas do mercado japonês. A Tokyo Electron perdeu 8,17%, a Advantest recuou 7,20% e a SoftBank caiu 9,01%, refletindo a exposição do grupo a investimentos em inteligência artificial.
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Segundo a Reuters, a pressão aumentou após o índice de semicondutores da Bolsa de Filadélfia (Philadelphia Semiconductor Index) cair 4,3% na sessão anterior em Nova York. Como a Bolsa da Coreia do Sul permaneceu fechada por feriado, parte do fluxo vendedor migrou para o mercado japonês.
A fabricante de chips de memória Kioxia Holdings foi um dos principais destaques negativos. A ação caiu 16,1%, registrando sua maior queda diária desde novembro de 2025. Também recuaram Sumco (-15,17%) e Screen Holdings (-12,04%).
Mercado questiona ritmo da inteligência artificial
Segundo a Reuters, analistas avaliam que a tendência estrutural de investimentos em inteligência artificial e data centers permanece, mas parte do mercado passou a questionar se a demanda por chips de memória continuará crescendo no ritmo esperado.
Para Daisuke Hashizume, estrategista da Daiwa Securities, os investidores demonstram preocupação sobre a sustentabilidade dos preços desses componentes, mesmo sem mudança relevante nas perspectivas de longo prazo para o setor.
O The Japan Times informou que, durante o pregão, o Nikkei chegou a cair mais de 6%, rompendo temporariamente o nível de 63 mil pontos pela primeira vez em cerca de um mês. Segundo o jornal, participantes do mercado atribuíram parte do movimento à realização de lucros antes da divulgação dos próximos balanços corporativos nos Estados Unidos e no Japão.
Entre as demais bolsas da Ásia, na China Continental, o índice Xangai Composto caiu 3,05%, enquanto o Shenzhen Composto recuou 5,25%, registrando sua maior queda diária desde abril de 2025. Em Hong Kong, o Hang Seng encerrou o pregão com baixa de 1,78%.
Já a Bolsa da Coreia do Sul permaneceu fechada devido a um feriado.
Geopolítica e juros ampliam cautela
Além da realização de lucros nas empresas de tecnologia, a Reuters destaca que as Bolsas da Ásia também reagiram ao fortalecimento de indicadores econômicos dos EUA, aos comentários de dirigentes do Federal Reserve (Fed), que reforçaram expectativas de manutenção de juros elevados, e ao aumento das tensões envolvendo o Irã.
Mesmo com a correção recente, analistas ouvidos pela Reuters afirmam que não veem mudança estrutural nas perspectivas para a demanda global por semicondutores, mas apontam que o mercado busca reavaliar as expectativas após a forte valorização registrada pelas empresas ligadas à inteligência artificial nos últimos meses.











