Os mercados iniciam a sessão desta sexta-feira (17) em forte queda, pressionados por uma liquidação global das ações de fabricantes de chips. O movimento reflete o aumento das dúvidas sobre as elevadas avaliações do setor de inteligência artificial (IA), enquanto investidores passam a exigir lucratividade para justificar os elevados investimentos (capex) realizados pelas empresas. O impacto foi mais intenso nas bolsas asiáticas. O índice Taiex, de Taiwan, registrou a maior queda diária desde abril de 2025, puxado pelo tombo de 7,29% das ações da TSMC, após a companhia anunciar um investimento de US$ 100 bilhões para ampliar sua produção nos Estados Unidos.
A forte aversão ao risco também é alimentada pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. Após mais uma noite de bombardeios americanos e o anúncio de uma nova retaliação iraniana durante a madrugada, aumentam os temores de uma retomada da guerra em larga escala. Ao mesmo tempo, seguem paralisadas as negociações para restabelecer o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz.
Nesta sexta-feira, os ataques voltaram a se intensificar na região do Golfo. O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que iniciou uma nova onda de ataques contra o Irã pela sexta noite consecutiva, com o objetivo de reduzir ainda mais a capacidade militar iraniana. Pela primeira vez em mais de uma semana, o comando afirmou ter atingido também infraestrutura logística militar. Em resposta, Teerã lançou mísseis e drones contra bases americanas em países vizinhos, incluindo uma barragem de ataques contra uma base aérea recentemente ampliada na Jordânia.
Segundo a Reuters, o governo iraniano orientou os houthis do Iêmen a se prepararem para fechar o estreito de Bab el-Mandeb caso a infraestrutura energética do país seja atacada, ampliando os riscos para outra rota estratégica do comércio mundial de petróleo. Os confrontos também continuam restringindo o tráfego pela principal rota de transporte de energia do mundo, impulsionando o petróleo. Nesta semana, o Brent chegou à região de US$ 85 por barril.
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Na avaliação da Rystad Energy, em entrevista à Bloomberg, a principal preocupação deixou de ser a possibilidade de um acordo diplomático e passou a ser a capacidade de o transporte marítimo continuar operando normalmente sob uma ameaça prolongada.
No Brasil, o mercado segue calculando os impactos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. As medidas entram em vigor em 22 de julho, preservando apenas as mercadorias já embarcadas até 29 de julho. Segundo a Amcham Brasil, as sobretaxas colocam o Brasil entre os países com maior nível de restrição ao mercado americano, atingindo cerca de 3 mil produtos exportados e mais de US$ 11 bilhões em vendas da indústria e do agronegócio.
Em resposta, o governo reuniu ministros e o presidente do Banco Central para rebater os argumentos da investigação conduzida pela Seção 301 e reafirmar que o Brasil continuará negociando com os Estados Unidos, sem abrir mão da soberania nacional.
Segundo Márcio Elias, cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão atingidas pelas novas tarifas, percentual que cairia para aproximadamente 15% considerando a pauta exportadora de 2025. Os setores mais afetados são madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.
Enquanto Mauro Vieira e Márcio Elias defenderam a condução das negociações e rebateram as exigências americanas, Geraldo Alckmin e Dario Durigan sinalizaram apoio aos setores afetados e deixaram aberta a possibilidade de aplicação da Lei da Reciprocidade.
Apesar dos impactos sobre parte das exportações, as estimativas do mercado seguem apontando efeitos macroeconômicos limitados. O Goldman Sachs calcula que, após as exceções, a tarifa efetiva cairá para 16,8%. Já o Daycoval estima uma perda de aproximadamente US$ 700 milhões em exportações e impacto de apenas 0,03 ponto percentual sobre o PIB brasileiro.
Manchetes desta manhã
- Mercado de plano de saúde desacelera, após cinco anos de expansão (Valor)
- BNDES pede R$ 7,25 bilhões à Fazenda para reforçar socorro a setores afetados por tarifas dos EUA (Folha)
- ETFs de cripto perdem R$ 4 bi na B3, mas ganham 30 mil investidores (Estadão)
- Fim de ‘taxa das blusinhas’ dobra compras em sites ‘gringos’ da noite para o dia ( O Globo)
Mercado global em queda generalizada com incertezas em IA e disputa no Estreito de Ormuz
As bolsas asiáticas encerraram a semana em forte queda generalizada, pressionadas por uma nova onda de vendas das ações de empresas ligadas à IA. O movimento foi liderado pelo Taiex, de Taiwan, que despencou 6,47%, na maior queda diária desde abril de 2025, com os papéis da TSMC derretendo 7,29% após anunciar um investimento de US$ 100 bilhões na expansão da produção nos EUA.
Na China, o discurso de Xi Jinping, sem novos estímulos para o setor de IA, também frustrou investidores e reforçou o movimento de aversão ao risco.
O mercado europeu também opera em queda, acompanhando a liquidação global das ações de tecnologia e inteligência artificial. Os investidores seguem preocupados com as elevadas avaliações do setor e com o risco de a demanda por chips e processadores não acompanhar as expectativas.
Na agenda local, a inflação ao consumidor (CPI) da zona do euro desacelerou para 2,8% em junho, na comparação anual, mas permaneceu acima da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE).
Em Nova York, os índices futuros abriram em baixa, pressionados pela nova onda de vendas de ações de fabricantes de chips, em meio ao aumento das preocupações sobre as elevadas avaliações do setor impulsionadas por IA.
Além das dúvidas sobre o boom da IA, o apetite por risco também é limitado pelo aumento das tensões geopolíticas. O sentimento do mercado foi afetado por mais um dia de ataques e contra-ataques no Oriente Médio.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,79%
- FTSE 100: +0,17%
- CAC 40: -0,80%
- Nikkei 225: -4,03%
- Shanghai SE Comp: -3,05%
- Hang Seng: -1,78%
- Ouro (jun): -0,16%, a US$ por 3.985,72 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,11%, aos 100,84 pontos
- Bitcoin: -1,23% a US$ 63.177,0
Commodities
- Petróleo: os preços da commodity seguem sustentados pela escalada do conflito entre Irã e Estados Unidos. Os contratos do Brent e do WTI acumulam alta de quase 12% na semana, com o Brent caminhando para a terceira semana consecutiva de ganhos e o WTI para a segunda.
Em meio às tensões, o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, alertou que a segurança do abastecimento global de petróleo continua sendo uma preocupação e afirmou estar apreensivo caso a crise não diminua nas próximas semanas.
O Brent/setembro sobe 1,89% cotado a US$ 85,82, enquanto o WTI/agosto tem alta de 2,22%, a US$ 80,70. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,53% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 112,42 a tonelada, impulsionado por sinais de redução da oferta e pressão sobre os estoques no país.
Em relatório, analistas da Nanhua Futures afirmam que os embarques internacionais para a China devem perder força após atingirem o pico no primeiro semestre, reduzindo a oferta da commodity no mercado.
Cenário internacional
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um pronunciamento com tom predominantemente eleitoral na noite de quinta-feira (16). A única referência ao conflito no Oriente Médio foi a afirmação de que os Estados Unidos “estão vencendo muito bem no Irã”, embora ainda existam “desafios à frente”.
O restante do discurso foi dedicado a acusações de fraude nas eleições de 2020, repetindo alegações, sem apresentar novas evidências, de que China e outros países tiveram acesso a dados de eleitores americanos.
Nos mercados, as atenções se voltam para novos indicadores da economia americana nesta sexta-feira, que podem influenciar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve (Fed), após uma sequência de dados reforçar a resiliência da atividade econômica. Às 10h15, será divulgada a produção industrial de junho, com expectativa de alta de 0,4%, após avanço de 0,1% em maio.
O principal destaque da agenda, porém, será às 11h, quando a Universidade de Michigan publica a leitura preliminar de julho do índice de sentimento do consumidor. A projeção é de alta de 49,5 para 51 pontos. No mesmo horário, também serão divulgadas as expectativas de inflação para um e cinco anos, indicadores acompanhados de perto pelo Fed.
Já às 14h, a Baker Hughes apresenta o número de poços e plataformas de petróleo em operação nos Estados Unidos.
Cenário nacional
No Brasil, o foco recai sobre o IBC-Br de maio, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). A divulgação ocorre após as vendas do varejo avançarem apenas 0,1% no mês, resultado bem abaixo da mediana de 0,7% esperada pelo mercado e que reforçou os sinais de desaceleração gradual da atividade econômica.
Na agenda econômica, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou o IGP-10 de julho, que registrou queda de 1,13%, aprofundando o recuo de 0,30% observado em junho e superando a mediana do mercado, que apontava retração de 0,99%. O resultado foi puxado pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que caiu 1,76%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) desacelerou para alta de 0,23%.
O comportamento do IGP-10 refletiu o recuo do petróleo para a faixa de US$ 70 por barril no início do mês, após o fim temporário das tensões no Oriente Médio. Esse cenário, no entanto, já mudou. Desde que Donald Trump anunciou o fim do cessar-fogo com o Irã, a commodity voltou a subir e atingiu US$ 86 por barril nesta sexta-feira.
Caso os ataques na região persistam e continuem afetando o tráfego no Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo —, a pressão sobre os preços da energia tende a permanecer, reduzindo o efeito desinflacionário observado nas últimas semanas.
Destaques do mercado corporativo
- JBS: aprovou a 12ª emissão de debêntures de R$ 400 milhões para reembolso de investimentos.
- Cosan: teve a nota de crédito rebaixada pela Moody’s de Ba3 para B1, com perspectiva negativa.
- BRB: negou existir cronograma para aporte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
- Marisa: aprovou a 30ª emissão de notas comerciais no valor de R$ 20 milhões.
- Telefônica Brasil: aprovou o pagamento de R$ 500 milhões de reais em juros sobre capital próprio com ações ficando ex-proventos em 28 de julho.











