A alta do petróleo, provocada pela escalada da guerra no Oriente Médio, levou o dólar a subir 0,64% frente ao real nesta quinta-feira (23), cotado a R$ 5,08, interrompendo uma sequência de três sessões de queda.
O petróleo Brent fechou em alta de 7,04%, a US$ 100,69 por barril, voltando a superar a marca de US$ 100. O avanço foi provocado pelo agravamento das tensões geopolíticas, que aumentaram os riscos para o transporte marítimo de petróleo.
As preocupações se concentram principalmente no Estreito de Ormuz, além do Estreito de Bab-el-Mandeb, outra rota estratégica para o comércio internacional.
Embora o Brasil seja exportador líquido de petróleo e possa se beneficiar de preços mais elevados da commodity, esse efeito ficou em segundo plano. O mercado passou a dar maior peso às preocupações com a inflação mundial e reforçou as expectativas de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos.
Mercado aumenta apostas em alta de juros pelo Fed
Além do dólar, o avanço do petróleo também alterou as expectativas para a política monetária dos Estados Unidos. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de o Federal Reserve (Fed) elevar os juros até setembro já supera 80%.
Para a reunião da próxima semana, porém, a principal expectativa continua sendo de manutenção da taxa, com probabilidade estimada em 62,1%.
Hoje, a ex-secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, afirmou que o Fed parece estar preparado para elevar os juros. Mais cedo, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou que os preços mais altos da energia podem manter a inflação acima da meta até o primeiro semestre de 2027.
Tarifas dos EUA também seguem no radar
Outro fator acompanhado pelos investidores é a política comercial dos Estados Unidos. A Casa Branca informou que o representante comercial americano, Jamieson Greer, poderá anunciar novas tarifas globais ainda nesta quarta-feira.
Nos últimos dias, o governo brasileiro passou a trabalhar com a possibilidade de que os EUA imponham uma tarifa de 12,5% sobre determinados produtos brasileiros, em meio às investigações americanas relacionadas ao uso de trabalho análogo à escravidão em cadeias produtivas.











