Em dois anos, o mercado de ETFs (Exchange Traded Funds) — fundos negociados em bolsa — listados na Bolsa brasileira quase triplicou, chegando a um patrimônio de R$ 116 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Além do crescimento do patrimônio, houve a captação líquida de R$ 32,5 bilhões no primeiro semestre, segundo melhor resultado entre todas as categorias da indústria de fundos brasileira. A efeito de comparação, no mesmo período de 2025, a entrada líquida de recursos havia sido de R$ 5,1 bilhões.
O principal motor da expansão do mercado brasileiro foram os ETFs de renda fixa, que receberam mais de R$ 27 bilhões em novos investimentos em 2026, em meio a um cenário de juros elevado. Além disso, a estrutura tributária desses fundos favorece o acesso ao produto — fugindo do chamado “come-cotas”.
Para atender ao interesse dos investidores, grandes gestoras ampliaram rapidamente suas operações no segmento, conforme mostrou a Bloomberg. A divisão de ETFs do BTG Pactual Asset Management passou de R$ 1 bilhão no fim de 2024 para R$ 20 bilhões em patrimônio. Já a Investo elevou seus ativos de R$ 1,7 bilhão para mais de R$ 11 bilhões.
Tiago Lima, sócio e chefe de distribuição do BTG Pactual Asset Management, afirma que os ETFs têm potencial para concentrar grande parte dos novos investimentos por conseguirem oferecer exposição a diferentes classes de ativos em um único instrumento.
ETFs representam apenas 1% da indústria
Apesar do crescimento acelerado, os ETFs ainda ocupam uma parcela pequena da indústria brasileira de fundos de investimento. Hoje, eles representam pouco mais de 1% do patrimônio total do setor, enquanto, nos Estados Unidos, essa participação se aproxima de 30%.
Durante a Expert XP, especialistas como o CEO da BlackRock no Brasil, Bruno Barino, e Fabiano Cintra, da XP, avaliaram que a oferta de produtos no Brasil ainda é limitada quando comparada à dos mercados desenvolvidos.
A expectativa é que a ampliação da oferta permita, ao longo dos próximos anos, a construção de carteiras mais diversificadas utilizando ETFs, reduzindo gradualmente a diferença entre o Brasil e mercados como o dos Estados Unidos.











